Comissão Europeia quer obrigar empresas a comprarem fora da China
Planos visam, sobretudo, os fabricantes europeus de produtos químicos e de maquinaria industrial. Proposta final pode ser aprovada já no final de junho.
A Comissão Europeia está a preparar medidas que vão obrigar as empresas europeias de alguns setores a adquirir componentes essenciais a pelo menos três fornecedores diferentes, com vista a reduzir a dependência da União Europeia em relação à China. A notícia foi avançada esta segunda-feira pelo Financial Times.
Segundo o jornal britânico, que cita dois responsáveis da União Europeia (UE), as novas regras deverão incidir sobre setores como o dos produtos químicos e o do equipamento industrial, após queixas de um aumento das importações chinesas a preços baixos.
A nova lei deverá estabelecer limites máximos, que se prevê que sejam de cerca de 30% a 40%, para o que pode ser adquirido a um único fornecedor. O restante terá de ser adquirido a pelo menos três fornecedores diferentes, sendo que não podem ser do mesmo país.
As propostas surgem em resposta às restrições de exportação impostas por Pequim a tecnologias-chave. A título de exemplo, algumas linhas de produção automóvel europeias pararam completamente no ano passado após as autoridades chinesas terem restringido a venda de ímanes de terras raras e outros componentes a empresas da UE.
Os planos ainda estão numa fase inicial, mas deverão ser apresentados numa reunião do Executivo comunitário dedicada à China agendada para 29 de maio. Se tiver “luz verde” do colégio de comissários, uma proposta detalhada poderá ser aprovada pelos líderes dos 27 Estados-membros da UE numa cimeira europeia no final de junho.
O objetivo do comissário europeu que tem a pasta do Comércio, Maroš Šefčovič, é combater o défice comercial diário de mil milhões de euros da UE e proteger as empresas da “militarização do comércio” por parte da China.

“Em muitas áreas, estamos a tornar-nos gradualmente dependentes das exportações da China”, afirmou um alto funcionário da Comissão Europeia, citado pelo FT. “As dependências têm um preço e, por isso, temos de redobrar os nossos esforços [para diversificar]”, acrescentou.
O mesmo responsável disse ainda que o enorme investimento da China na indústria transformadora, com elevados subsídios reportados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), representa uma ameaça urgente para a base industrial da UE. Mas o Governo chinês contrapõe que a dimensão da sua política industrial foi exagerada, acusando Bruxelas de “praticar protecionismo sob o pretexto da ‘concorrência leal'”.
Contudo, de acordo com uma das fontes citadas pelo Financial Times, as medidas não visam apenas a China, uma vez que algumas matérias-primas ou produtos químicos provêm predominantemente de outros países, como o hélio dos EUA e do Qatar e o cobalto da República Democrática do Congo e da Indonésia.
A UE tentará utilizar a sua rede de acordos de comércio livre com mais de 70 países para construir cadeias de investimento e de abastecimento com os produtores.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Comissão Europeia quer obrigar empresas a comprarem fora da China
{{ noCommentsLabel }}