Commerzbank rejeita formalmente oferta de aquisição da Unicredit e apela a acionistas para não aceitarem proposta
Administração do Commerzbank considerou a oferta dos italianos inadequada, especulativa e prejudicial para clientes e trabalhadores, recomendando aos acionistas que a rejeitem.
O conselho de administração e o conselho de supervisão do Commerzbank rejeitaram esta segunda-feira de forma inequívoca a oferta pública de aquisição lançada pelo banco italiano Unicredit, recomendando aos acionistas que não aceitem a proposta de troca de ações que valoriza o banco alemão em cerca de 39 mil milhões de euros, 5,6% abaixo dos 41,3 mil milhões de capitalização bolsista com que o Commerzbank negoceia atualmente.
Numa declaração publicada esta segunda-feira no site do banco alemão, os órgãos de gestão do banco alemão concluíram que a oferta “não reflete o valor fundamental do Commerzbank” e que o plano da Unicredit é “vago e acarreta riscos consideráveis”, sublinhando que a cotação do banco tem encerrado acima do valor implícito da oferta em todas as sessões desde o seu anúncio, o preço-alvo mediano dos analistas que seguem a empresa a apontar para cerca de 42 euros por ação, face aos 34,56 euros do valor implícito da proposta.
“A oferta de aquisição da Unicredit não oferece um prémio adequado aos nossos acionistas. O que é descrito como uma combinação é na realidade uma proposta de reestruturação que teria um impacto massivo no nosso modelo de negócio comprovado e rentável”, afirmou Bettina Orlopp, CEO do Commerzbank.
As propostas especulativas da UniCredit acarretam riscos consideráveis, constituindo uma ameaça às relações com os clientes que o Commerzbank construiu com base na confiança e na fiabilidade, bem como à motivação dos seus colaboradores.
O banco alemão acusa ainda a UniCredit de subestimar significativamente as perdas de receita, de sobrestimar as sinergias e de prever um calendário de implementação irrealista, alertando em particular para os riscos associados às reduções de pessoal previstas, à complexa integração informática e às perdas de negócio resultantes das sobreposições na área de clientes corporativos.
As ações do Commerzbank negoceiam atualmente em queda de 1,37% até aos 35,98 euros e os títulos do Unicredit desvalorizam 1,2% até aos 70,41 euros.
A proposta dos italizanos está estruturada como uma troca de ações e não uma oferta em dinheiro, o que significa que o valor efetivo da contrapartida permanece incerto até à liquidação, prevista para não antes de 2 de julho de 2027, expondo os acionistas que aceitassem a oferta à volatilidade do título da Unicredit.
“As propostas especulativas da UniCredit acarretam riscos consideráveis, constituindo uma ameaça às relações com os clientes que o Commerzbank construiu com base na confiança e na fiabilidade, bem como à motivação dos seus colaboradores”, refere Jens Weidmann, presidente do conselho de supervisão, no comunicado.
Em contrapartida, o Commerzbank defende a sua estratégia autónoma “Momentum 2030“, que prevê aumentar as receitas para 16,8 mil milhões de euros até 2030, crescer o lucro líquido para 5,9 mil milhões de euros e atingir um rácio de rendibilidade sobre o capital tangível de 21%, com metade da capitalização bolsista atual a ser devolvida aos acionistas através de dividendos e recompras de ações.
A rejeição formal ocorre dois dias antes da assembleia geral de acionistas do Commerzbank, marcada para quarta-feira, que promete ser um momento de elevada tensão numa batalha pelo controlo do banco que se arrasta desde 2024, quando a Unicredit começou a acumular uma participação que, entretanto, supera os 30% quando incluídos instrumentos derivados.
O banco italiano, cujo CEO Andrea Orcel tem argumentado que a Europa necessita de instituições financeiras maiores num mundo de crescente instabilidade geopolítica, tornou-se, entretanto, o maior acionista do Commerzbank.
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