Metro Mondego registou um milhão de validações. Governo discute expansão do sistema de mobilidade

  • Lusa e ECO
  • 18 Maio 2026

Ministro das Infraestruturas diz que Governo já está a discutir a expansão do Sistema de Mobilidade do Mondego, defendida pelo município de Coimbra e pela Comunidade Intermunicipal.

No dia em que a Metro Mondego registou um milhão de validações desde que o sistema passou a ser pago, com uma procura 20% acima daquilo que era expectável, o ministro das Infraestruturas anunciou que o Governo já está a discutir a expansão do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM), defendida pelo município de Coimbra e pela Comunidade Intermunicipal (CIM).

“Viemos, de alguma forma, comemorar o passageiro um milhão. Um milhão desde janeiro, desde que estamos a cobrar”, afirmou Miguel Pinto Luz, no final de uma viagem de ‘metrobus’ (autocarros elétricos a circular em via dedicada) entre a estação da Portagem e de São José, em Coimbra.

O ministro das Infraestruturas salientou que o SMM está com uma procura 20% acima daquilo que seria expectável para o atual momento, em que assegura a ligação a Miranda do Corvo e Lousã, mas cuja rede urbana (que serve a estação de Coimbra-B e hospitais) ainda não está concluída.

Segundo Pinto Luz, seria expectável que a operação sentisse uma forte quebra de procura depois de passar a ser paga, mas isso não aconteceu.

De acordo com comunicado da tutela enviado à comunicação social, em abril, o número de validações atingiu os 280 mil, um aumento de 57,4% face ao primeiro mês de operação comercial. O máximo diário registado foi a 6 de maio, com 13.410 validações.

Um número que é absolutamente relevante e revelador daquilo que é a intenção do Governo e das autarquias com a utilização deste tipo de mecanismos: tirámos 750 mil carros do território.

Miguel Pinto Luz

Ministro das Infraestruturas e Habitação

O mesmo comunicado nota que em março e em abril as validações tiveram uma procura de mais de 40% acima das estimativas. O percurso entre a estação da Portagem e a do Alto de São João (troço urbano) representa 80% das validações, acrescentou.

“Um número que é absolutamente relevante e revelador daquilo que é a intenção do Governo e das autarquias com a utilização deste tipo de mecanismos: tirámos 750 mil carros do território”, vincou.

Na estação de São José, requalificada ainda no anterior mandato autárquico, o ministro das Infraestruturas destacou também a capacidade que este tipo de sistemas tem de “requalificar o tecido urbano, de desenhar cidade, de fazer cidade, ao mesmo tempo que se garante uma mobilidade mais amiga do ambiente, mais saudável”.

Tal como disse no passado, o ministro salientou a intenção do projeto de ‘metrobus’ “contaminar positivamente” o restante país, esperando que sistemas semelhantes cheguem à região de Leiria, ao Algarve ou à zona de Braga.

Nessa cerimónia, o vice-presidente da Infraestruturas de Portugal, Carlos Fernandes, reafirmou a intenção de ter o troço até Coimbra-B aberto antes do início do próximo ano letivo, assim como uma abertura parcial da linha do hospital até à Praça da República. A restante linha do hospital deverá estar concluída entre o final deste ano e o início de 2027, disse.

O ministro das Infraestruturas afirmou ainda que o Governo já está a discutir a expansão do SMM. “A expansão [do SMM] já estamos a discuti-la, naturalmente, porque este tipo de infraestrutura tem que ganhar uma capilaridade mais fina, porque só assim serve o território, os interstícios do território”, afirmou Miguel Pinto Luz.

O SMM, que funciona com autocarros elétricos articulados em via dedicada, serve atualmente Coimbra, Lousã e Miranda do Corvo. Apesar de o sistema ainda não estar concluído e completamente operacional, vários municípios e a própria CIM da Região de Coimbra têm defendido que se avance já para uma expansão do sistema, seja para um aumento da densidade na rede urbana de Coimbra seja para servir outros concelhos, como Cantanhede e Condeixa-a-Nova.

O ministro das Infraestruturas admitiu que a tutela está a trabalhar nesse sentido “e sempre em interligação com a alta velocidade“.

“A nova estação de alta velocidade [prevista para Coimbra] e todo aquele plano de pormenor [para a zona envolvente] só serão rentabilizados na máxima potência se formos capazes de ter uma rede metropolitana de ‘metrobus’ que possa trazer procura para a alta velocidade”, vincou.

Além da alta velocidade e aproximação aos aeroportos do Porto e de Lisboa, Coimbra sairá beneficiada com a transformação do IP3 em perfil de autoestrada e ligação à A13 em Souselas, o que vai dar ao concelho “uma multiplicidade de conexões com o resto do país”.

Essas ligações vão dar “uma nova dinâmica” ao concelho, em que o ‘metrobus’ terá “um papel de dar espaço a que todos estes municípios que orbitam à volta de Coimbra possam usufruir” dessa interconectividade, afirmou.

Dando o exemplo de Cantanhede, em que há uma interação “com todo o tecido universitário, tecnológico e talento que existe em Coimbra”, Miguel Pinto Luz considerou que é preciso entender Coimbra como “uma macro-região”.

“É isso que estamos a desenhar. Estamos a desenhar cidade, mas também estamos a desenhar região e também estamos a desenhar a possibilidade de cada um dos nossos concidadãos implementarem os seus projetos de vida em liberdade”, salientou.

Na viagem de ‘metrobus’, também participou a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, a presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, Helena Teodósio, e o presidente da Metro Mondego, Leonel Serra, entre outros.

A viagem realizou-se após uma sessão de assinatura do protocolo de subconcessão da Estação Nova de Coimbra, que passa a estar a cargo do município, depois de ter sido desativada no âmbito das obras do ‘metrobus’.

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