Pinto Luz pressiona operadoras a avançarem no “5G puro”

Ministro da tutela diz que a rede 5G existente em Portugal ainda depende, em grande parte, do núcleo da infraestrutura 4G. "O verdadeiro salto chama-se 5G Standalone", sublinhou num vídeo no LinkedIn.

O ministro das Infraestruturas e Habitação está a pressionar as empresas de telecomunicações a acelerarem a implementação do 5G em território nacional, mais especificamente da tecnologia standalone, que classificou de “5G puro”.

Num vídeo publicado no domingo no LinkedIn, Miguel Pinto Luz diz que “o 5G que usamos hoje em Portugal e na maioria dos países da União Europeia ainda depende, em grande parte, do núcleo da rede 4G”.

“Isso chama-se 5G Non-Standalone (NSA), ou seja, parece 5G, mas ainda não funciona totalmente de forma independente”, começou por referir o governante.

Na mesma gravação, o ministro que tutela as comunicações eletrónicas afirma que “o verdadeiro salto chama-se 5G Standalone (SA)”, e que será com esta infraestrutura que “toda a rede passa finalmente a funcionar em 5G puro, sem depender da antiga rede 4G”. “Isso muda completamente o jogo”, atira o ministro.

O 5G ‘Standalone’ (SA) representa a fase mais avançada do desenvolvimento da rede móvel de quinta geração. Ao contrário da tecnologia atualmente utilizada, conhecida como 5G ‘Non-Standalone’, que ainda depende parcialmente da infraestrutura 4G, o 5G Standalone funciona através de um núcleo de rede totalmente desenvolvido para 5G.

O Governo espera que a transição para uma rede móvel mais avançada permita reduzir significativamente a latência, aumentar a estabilidade da ligação e suportar um número muito maior de dispositivos ligados em simultâneo. Na prática, e segundo as declarações de Miguel Pinto Luz, o 5G deixará de servir apenas para oferecer internet móvel mais rápida e passará a criar condições para novas aplicações tecnológicas, como veículos autónomos, cirurgias à distância, automação industrial e cidades inteligentes, onde a comunicação em tempo real é essencial.

Miguel Pinto Luz, ministro das Infraestruturas e Habitação, a discursar no congresso anual da APDC no passado dia 7 de maioAPDC

98% ou 30%? Ministro e secretário de Estado destacam números diferentes

Esta não foi a primeira vez que Miguel Pinto Luz instou as operadoras a acelerarem o desenvolvimento do 5G Standalone. No passado dia 5 de maio, o ministro das Infraestruturas e Habitação já tinha afirmado, num evento da Mastercard, que os números do 5G Standalone pintam uma realidade diferente dos dados que incluem o 5G Non-Standalone: “Temos só 30% da nossa infraestrutura em 5G”, atirou o ministro nessa ocasião.

Nesse evento, o governante pediu aos operadores que garantam “a conclusão de todo o deployment de 5G, essencial para redes fechadas de 5G, para use cases ligados à indústria e à saúde”. Na altura, porém, não tinha ficado claro a que tipo de cobertura o ministro se referia. O ECO solicitou comentários às quatro operadoras de telecomunicações e está a aguardar resposta.

Enquanto isso, na passada terça-feira, 12 de maio, o secretário de Estado para a Digitalização afirmou, numa audição regimental no Parlamento: “Temos hoje 98% de cobertura de 5G e estamos bem em relação à média europeia, mas queremos atingir os 100% de cobertura”. Apesar da aparente contradição, Bernardo Correia e Miguel Pinto Luz Estavam a referir-se a realidades diferentes — enquanto o ex-CEO da Google em Portugal falava da cobertura da rede móvel 5G no país, o ministro abordava especificamente o tema do 5G ‘standalone’.

Bernardo Correia disse ainda aos deputados no Parlamento que “existe um projeto inserido na Estratégia Digital Nacional para expandir a cobertura 5G a todo o território nacional, com uma dotação orçamental de 172 milhões de euros, que está neste momento a ser gerida pela Anacom”. “Esta infraestrutura de 5G servirá também para apoiar as populações, independentemente de onde estejam no país, permitindo digitalizar serviços e aproximar os cidadãos através de soluções digitais”, sublinhou.

O último balanço do 5G da Anacom, divulgado em março, dava conta de que, no final do quarto trimestre de 2025, existiam 15.495 estações de base 5G instaladas em Portugal (vulgo, antenas), um aumento de 18,4% face ao mesmo período do ano anterior. Segundo os dados reportados pelos quatro operadores nacionais, a Vodafone liderava em número de estações instaladas, com 5.449 antenas, seguida da Nos, com 4.886, da Digi, com 2.695, e da Meo, com 2.465.

De acordo com a Anacom, as estações 5G já se encontram distribuídas pelos 308 concelhos do país e por 2.336 freguesias, o equivalente a 75,6% do total do território nacional. A maioria das infraestruturas está concentrada em áreas urbanas, que representam 62,8% das estações instaladas, enquanto 23,3% se localizam em zonas predominantemente rurais.

O relatório mostra também um crescimento significativo da utilização da rede móvel de quinta geração. No final de 2025, o número de acessos à Internet móvel através de 5G atingia os 5,7 milhões, uma subida de 34,1% em termos homólogos, correspondendo a uma taxa de penetração de 52,8 acessos por cada 100 habitantes. Já o tráfego registado através das redes 5G representava 26,2% do total do tráfego de dados móveis em Portugal.

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