Tekever abre “hub estratégico” nos EUA e reforça no Reino Unido

No Reino Unido, onde tem um investimento de mais de 470 milhões a cinco anos, a fabricante de drones nacional vai abrir em junho um hub em Bristol, com capacidade para até 150 pessoas.

A Tekever acaba de reforçar a sua presença nos Estados Unidos com a abertura de um “hub estratégico” na Carolina do Norte. A aposta no maior mercado do setor de defesa mundial surge no momento em que a fabricante de drones portuguesa está a reforçar no Reino Unido, com a abertura prevista para junho de um centro de engenharia em Bristol, com capacidade para 150 pessoas.

“A abertura do nosso primeiro escritório nos Estados Unidos representa um passo importante no reforço do apoio que prestamos a utilizadores finais e parceiros no país. Estar mais próximos das pessoas que operam, avaliam e sustentam estes sistemas permite uma colaboração mais estreita, maior capacidade de resposta e um apoio de longo prazo mais eficaz”, diz Paulo Ferro, VP of Strategic Development da Tekever.

A fabricante de drones portuguesa já tinha colaboradores nos EUA, mas agora reforça neste mercado relevante do setor de defesa mundial com a instalação de “hub estratégico” em Fayetteville que irá prestar “apoio técnico, coordenação e interação diária com parceiros sediados nos Estados Unidos”.

Com esta presença local mais consolidada, a Tekever quer “reforçar a sua capacidade de resposta aos requisitos operacionais em evolução no mercado norte-americano e assegurar que as suas capacidades avançadas de intelligence, surveillance, reconnaissance, search and rescue (ISR/SAR) sejam apoiadas por conhecimento especializado no terreno”, justifica.

A Tekever foi uma das mais de 20 empresas nacionais que participou no Sea-Air-Space Expo e no primeiro PT-US Defence Industry Days, nos EUA, a “primeira participação estruturada” da indústria de defesa nacional nos EUA, visando reforçar a visibilidade e o posicionamento da indústria junto do maior mercado de indústria de Defesa do mundo. Os Estados Unidos têm um orçamento de cerca de um bilião de dólares para gastos de defesa — um dos maiores a nível global —, sendo que a administração de Donald Trump quer reforçar os gastos com defesa do país em 50% já no próximo ano.

Até 20 de maio vai marcar presença na SOF Week, em Tampa Florida, no espaço da NATO DIANA. “A nossa presença na SOF Week reflete esse mesmo compromisso: estar próximos das necessidades operacionais, envolver-nos diretamente com a comunidade e continuar a construir relações que sustentem futuras oportunidades de colaboração”, justifica Paulo Ferro.

No âmbito de exercício da NATO, o Saber Strike 26, que decorreu na Polónia, Lituânia e Finlândia, a empresa esteve a testar juntamente com o Segundo Regimento de Cavalaria do Exército norte-americano as capacidades do sistema AR3 EVO e a sua integração em cenários operacionais na linha da frente.

Reforço no Reino Unido com novo hub

A abertura de um novo hub nos EUA é conhecido num momento em que a companhia está a reforçar a sua presença no Reino Unido, mercado onde a Tekever tem a decorrer um plano de investimento de 400 milhões de libras (cerca de 470 milhões de euros), a cinco anos, com a criação estimada de 1.000 postos de trabalho. Nesse âmbito, está prevista a abertura de uma quarta unidade de produção de drones em Swindon, ainda este ano.

Já em junho a Tekever conta abrir um novo hub de engenharia em Bristol, com capacidade para até 150 pessoas. O novo Centro irá desempenhar “um papel fundamental no apoio ao desenvolvimento futuro de capacidades autónomas para o Reino Unido e parceiros globais nos setores de defesa e civil, incluindo o Projeto NYX do Ministério da Defesa, a capacidade StormShroud da RAF e as operações do Ministério do Interior do Reino Unido”, refere a empresa. “O fomento de parcerias com PME e instituições académicas no Reino Unido será uma parte essencial da missão do Centro”, reforça.

Juntamente com a Tekever Ucrânia, onde abriu um novo hub de I&D, o Centro terá ainda “um papel crucial na promoção contínua da inovação no campo de batalha na Ucrânia e na garantia de que essas aprendizagens sejam transferidas para os ecossistemas de defesa e tecnologia do Reino Unido”.

No Reino Unido, a Tekever tem vindo a trabalhar com a RAF e o Ministério de Defesa britânico que tem enviado drones da empresa para Ucrânia para auxiliar nos seus esforços de defesa contra a invasão russa. Em abril, o Reino Unido anunciou o envio de mais de 120 mil drones para a Ucrânia, sendo a Tekever referida como um dos fornecedores desse lote de equipamento.

… e participa no projeto NYX para ‘alas de drones’ para helicópteros Apache

A Tekever foi igualmente uma das quatro empresas escolhidas pelo Ministério da Defesa britânico para apoiar o Projeto NYX, o programa do Exército Britânico para desenvolver sistemas autónomos de última geração capazes de operar em conjunto com helicópteros de ataque Apache. No âmbito deste projeto, os drones irão funcionar como “alas” para os Apache, numa variedade de missões, incluindo reconhecimento, aquisição de alvos, guerra eletrónica e apoio a ataques de precisão em ambientes contestados, segundo explica o Ministério de Defesa do Reino Unido.

“O Projeto NYX tem como foco drones totalmente autónomos, com os pilotos do Apache a beneficiar das informações fornecidas por eles, sem a necessidade de controlá-los diretamente. Todas as decisões que resultarem no uso de armas continuarão a ser tomadas por um ser humano”, frisa o Ministério da Defesa.

Além da Tekever, o projeto, que tem um orçamento global de 10 milhões de libras (cerca de 11,5 milhões de euros), conta com a Anduril Industries, a BAE Systems e a Thales, entre os finalistas. “Os quatro parceiros industriais receberam propostas de contrato e foram selecionados num processo competitivo para desenvolver a tecnologia autónoma. As suas propostas incluem uma variedade de sistemas aéreos não tripulados, cada um oferecendo autonomia, cargas úteis e sensores inovadores”, destaca o Ministério de Defesa.

Dois dos candidatos “mais promissores” irão passar para a próxima fase. “Até duas empresas serão selecionadas no outono de 2026 para desenvolver protótipos. Caso os protótipos sejam bem-sucedidos, o objetivo é disponibilizar uma versão operacional para uso até 2030″, refere o Ministério da Defesa.

Portugal, França e Ucrânia são os mercados onde a Tekever, atualmente com mais de 1.300 pessoas, está presente.

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