Caos no aeroporto: “Portugal está a falhar precisamente no momento da chegada”
Organização que representa mais de 150 associados diz que os tempos de espera no Aeroporto Humberto Delgado afetam turismo, comércio, hotéis e serviços.
A Associação Avenida escreveu uma carta aberta manifestando preocupação com as dificuldades no acesso a Portugal, nomeadamente no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. A organização que representa mais de 150 associados dos setores do comércio, hotelaria, restauração, cultura e serviços da Avenida da Liberdade afirma que os tempos de espera e a pressão sobre as infraestruturas estão a afetar visitantes, empresas, hotéis, comércio e a economia ligada ao turismo.
Na carta, partilhada no Instagram, a associação agora liderada por Eric van Leuven refere que recebe com cada vez mais frequência relatos de turistas, investidores e visitantes internacionais confrontados com longos tempos de espera nos controlos de fronteira, dificuldades operacionais e uma experiência de chegada que considera desorganizada.
A direção da Associação Avenida defende que esta situação tem impacto na reputação internacional do país, na competitividade turística de Lisboa, na satisfação dos visitantes, na atração de investimento estrangeiro e no desempenho do comércio, da hotelaria, da restauração e dos serviços.
“Torna-se, assim, difícil conciliar o investimento contínuo na promoção externa de Portugal com uma experiência de entrada que, de forma recorrente, não corresponde aos padrões de qualidade e eficiência esperados de um destino internacional de referência”, pode ler-se.
A associação recorda que Portugal consolidou, ao longo da última década, um posicionamento internacional como destino turístico, cultural, gastronómico e de investimento. Sublinha ainda que Lisboa e a Avenida da Liberdade têm acolhido marcas globais, hotelaria, restauração reconhecida internacionalmente e eventos como Avenida Open Week, Tasting in Avenida, Jazz in Avenida, Commedia à la Carte Festival e Tribeca Festival.
A entidade elenca um conjunto de medidas prioritárias para resolver a situação: reforço imediato dos recursos humanos nos controlos fronteiriços, aceleração da modernização tecnológica e da automatização de processos, melhoria da coordenação operacional nos aeroportos, planeamento estrutural ajustado à procura atual e futura e criação de condições de acolhimento compatíveis com um destino internacional de excelência.
“A Associação Avenida mantém uma forte convicção no potencial de Lisboa e de Portugal enquanto destinos de excelência, reconhecidos pela sua hospitalidade, cultura e sofisticação. Proteger esse posicionamento exige ação, coordenação e compromisso”, terminam.
A associação representa mais de 150 associados dos setores do comércio, hotelaria, restauração, cultura e serviços da Avenida da Liberdade, entre eles o grupo JNcQUOI e Praia no Parque, joalharias como a Bvlgari e Cartier e lojas como a Tod’s, Molteni&C e os hotéis Tivoli e Altis.
Fim de semana de caos (também) à saida
Este fim de semana, um vídeo de quase quatro minutos dava conta também dos problemas dos passageiros para sair de Portugal, mostrando uma longa fila que atravessava o aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa.
O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, considerou esta terça-feira que suspender o controlo eletrónico no Aeroporto de Lisboa “é necessário, neste momento”, para evitar as filas de passageiros que têm causado as perturbações dos últimos dias. À margem das comemorações do 631º aniversário dos Bombeiros Sapadores, em Lisboa, o autarca realçou que o novo sistema de controlo eletrónico de passageiros está atualmente a causar “um grande problema” no aeroporto, com “pessoas que ficam horas e horas na fila”.
A associação que representa as companhias aéreas em Portugal está, em conjunto com congéneres europeias, a sensibilizar Bruxelas para que suspenda a obrigatoriedade de recolha de dados biométricos, mantendo apenas o controle de passaportes.
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