Italiana Reale Mutua tem na mira compra da Caravela Seguros
O diretor-geral da seguradora italiana Reale Mutua revelou interesse direto na compra dos 48% de capital da companhia portuguesa que estão à venda.
O grupo segurador italiano Reale Mutua colocou Portugal no radar das aquisições, acompanhando de perto a Caravela Seguros, revelou Luca Filippone, diretor-geral empresa ao jornal Corriere Dela Sera . O objetivo está nos 48% que a britânica Toscafund colocou à venda no princípio deste ano, e a motivação para a compra pela Reale já é concreto: “Os setores automóvel e de acidentes fazem de Portugal um mercado com enorme potencial”, disse Filipone. A Reale esteve interessada na compra da Liberty europa em 2023, mas desistiu na primeira fase de um negócio concluído a favor da Generali.
Contactada por ECOseguros, a Caravela não comentou esta notícia.
A Reale Mutua é uma seguradora considerada de média-grande dimensão em Itália, com cerca de 4% de quota de mercado em Não Vida, embora conte com valor anual de prémios de 6 mil milhões de euros por ano, quase a dimensão de todo o mercado português Não Vida, sendo a sexta maior de Itália nesse segmento. Anuncia contar com 5 milhões de pessoas entre clientes e segurados e com 1.350 colaboradores na área seguradora em Itália.
O diretor-geral Luca Filippone, também afirmou que aproximadamente 80% do negócio continua em Itália e 20% das receitas do grupo vêm do estrangeiro. Em Espanha, a Reale Seguros está presente desde 1988 e conta com mais de 1,5 milhões de clientes e uma rede muito consolidada, está também presente no Chile e entrou em 2024 na Grécia através da compra da Ydrogios Insurance and Reinsurance, seguradora com volume de prémios de 106 milhões de euros em 2025 e em que o objetivo é crescer no segmento Não Vida, sobretudo no segmento automóvel.
O diretor-geral da Reale Mutua disse estar também atento às perspetivas da Europa de Leste, mas ficariam muito satisfeitos por continuar a crescer em Espanha e na Grécia, garantindo que “o crescimento acontecerá, de forma orgânica ou através de aquisições, mas fora das fronteiras italianas”.
A Caravela obteve em 2025 um volume de negócios superior a 212 milhões de euros aumentando a quota de mercado para 2,6%, reforçando a 7ª posição no mercado não vida. Já tem 14,1% do volume de negócios localizado internacionalmente, em França, Grécia, Espanha e Países Baixos, como seguradora de suporte de management general agents (MGA), mediadores qualificados com poderes especiais de representação de companhias.
Em janeiro deste ano tinha sido noticiado que o Toscafund, que controla 48% do capital da Caravela através da TPIF Douro Bidco, tinha colocado à venda a sua participação.
A posição face a esta operação de outros acionistas de referência da seguradora, como o empresário Mário Ferreira, a família Violas e a família Quintas com 7% do capital cada um e ainda de Luis Cervantes, presidente da Caravela, que detém 4,18%, não foi revelada. No entanto, fonte próxima ao negócio refere que este tipo de operação de private equity, dispõe sempre de cláusulas de drag along – obrigando os restantes acionistas a vender as suas ações pelo preço ajustado com o acionista maioritário vendedor, ou de tag along – quando essa venda é opcional. Daí que uma eventual operação se possa realizar pela totalidade do capital.
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