Zapatero investigado por tráfico de influências no caso Plus Ultra
Em causa estão suspeitas de lavagem de dinheiro no resgate de 53 milhões à transportadora aérea Plus Ultra, na sequência da pandemia de Covid-19. Escritório de Zapatero e das filhas alvo de buscas.
O antigo primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, está a ser investigado por alegado tráfico de influências e crimes conexos, informou o Supremo Tribunal espanhol esta terça-feira. Em causa estão suspeitas de lavagem de dinheiro no resgate público à transportadora aérea Plus Ultra, de 53 milhões de euros, na sequência da pandemia de Covid-19.
Num comunicado, o tribunal indicou que o escritório de Zapatero em Madrid estava a ser revistado, juntamente com outras três instalações, acrescentando que o antigo primeiro-ministro foi intimado a depor no dia 2 de junho. Zapaterofoi primeiro-ministro de Espanha entre 2004 e 2011.
De acordo com fontes citadas pelo El País, a Unidade de Criminalidade Económica e Fiscal (UDEF) da Polícia Nacional as buscas estão a ser levadas a cabo no escritório de Zapatero, no da empresa das suas filhas e em mais duas sociedades comerciais. Além disso, foram apresentados pedidos de informação a entidades públicas como a Sociedade Estatal de Participações Industriais (SEPI).
Esta é a primeira vez na democracia que um ex-primeiro-ministro espanhol é investigado num processo por corrupção. A Procuradoria está a investigar desde 2024 o paradeiro do dinheiro do resgate, após terem chegado dois pedidos de informação da Suíça e de França por branqueamento de capitais.
No final de 2025, o caso foi levado a tribunal no Tribunal de Instrução e a 11 de dezembro, a UDEF procedeu a uma busca na sede da Plus Ultra e deteve o presidente da empresa, Julio Martínez, e o seu diretor executivo, Roberto Roselli.
Nessa operação, foram também revistadas as empresas de um empresário de Alicante, até então desconhecido, chamado Julio Martínez Martínez, que a polícia também deteve, recorda o El País. Martínez Martínez era amigo pessoal de Zapatero, “a pessoa com quem costumava correr algumas manhãs há anos”, escreve o jornal espanhol, e tinham negócios em comum.
O dinheiro do resgate poderá ter sido usado para branquear dinheiro oriundo de corrupção na Venezuela, segundo fontes do Ministério Público e da unidade de investigação criminal da Polícia Nacional espanhola citadas pela agência EFE.
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