BRANDS' ECO “A identidade digital está a tornar-se a base da sociedade moderna”
Filipe Carvalho, CEO da Lizar Systems, explica o papel da IA na identidade digital e a importância de Portugal neste novo ecossistema tecnológico.
A Lizar Systems, jovem empresa GovTech sediada em Lisboa, é uma das empresas fundadoras da iniciativa LID Conference & Digital ID Hub 2026. Filipe Carvalho, CEO da Lizar Systems, explica como a empresa se posiciona na interseção entre tecnologias impulsionadas por IA, identidade segura e infraestruturas governamentais de nova geração, e porque considera que Portugal pode afirmar-se como uma ponte tecnológica entre a Europa, África e a América Latina.

Porque decidiram criar uma empresa de emissão de identidade segura impulsionada por IA em Portugal, em vez de num maior polo tecnológico como os EUA ou a Alemanha?
Portugal reúne uma combinação única de talento em engenharia, agilidade e capacidade de inovação. Conseguimos desenvolver soluções avançadas impulsionadas por IA de forma mais rápida e eficiente, mantendo-nos próximos dos enquadramentos regulatórios europeus e das normas de identidade digital. Portugal está a tornar-se uma ponte tecnológica importante entre a Europa, África e a América Latina, o que cria fortes oportunidades para ecossistemas de identidade segura e infraestruturas soberanas de IA.
Que papel desempenham as tecnologias impulsionadas por IA no futuro da identificação digital?
As tecnologias impulsionadas por IA estão a tornar-se essenciais porque os sistemas de identificação digital necessitam agora de inteligência em tempo real, verificação biométrica, deteção de fraude e personalização segura em escala. O software, por si só, já não é suficiente. Soluções dedicadas com capacidades de IA permitem aos governos e instituições processar identidades de forma mais rápida, segura e com menor risco de ciberataques ou fraude documental.
Porque está o reforço dos ecossistemas de identidade digital a tornar-se tão importante a nível global?
A identidade digital está a tornar-se a base da sociedade moderna. Impacta o controlo de fronteiras, a banca, os cuidados de saúde, os sistemas de votação, os serviços públicos e a autenticação online. À medida que as ameaças cibernéticas aumentam e os serviços se tornam mais digitais, os países necessitam de ecossistemas fiáveis capazes de proteger os cidadãos, garantindo simultaneamente privacidade, interoperabilidade e resiliência operacional.
Quais são os maiores desafios na integração de IA em sistemas de identificação segura?
O maior desafio é equilibrar segurança, privacidade e usabilidade. A IA pode melhorar drasticamente a deteção de fraude e a automação, mas deve permanecer transparente, ética e em conformidade com regulamentações como o AI Act Europeu e os enquadramentos eIDAS. Outro desafio é a soberania da infraestrutura, com os países a procurarem cada vez mais sistemas seguros que possam controlar localmente, em vez de dependerem totalmente de fornecedores externos.
Como vê a evolução da IA e da identidade digital na próxima década?
Vamos avançar para ecossistemas de identidade altamente seguros e assistidos por IA, que combinam de forma integrada credenciais físicas e digitais. A verificação biométrica, os modelos de identidade descentralizada, a personalização segura de documentos e os sistemas inteligentes de autenticação tornar-se-ão padrão. As empresas capazes de combinar IA, engenharia e cibersegurança num único ecossistema terão um papel crítico na proteção da confiança digital a nível mundial.
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