Europa acelera a fundo nos veículos elétricos. China e EUA no sentido contrário
A venda de elétricos na Europa acelerou 40% em março deste ano, acima dos 30% de 2025, mostram dados da AIE. As poupanças anuais de ter um elétrico na UE aumentaram 35%.
As vendas globais de carros elétricos deverão continuar a aumentar em 2026, atingindo os 23 milhões e representando quase 30% de todos os carros vendidos no mundo, prevê a Agência Internacional de Energia, no relatório Perspetivas Globais de Veículos Elétricos, lançado esta quarta-feira.
A Europa registou um crescimento de 30% na venda destes veículos no ano passado e no primeiro trimestre deste ano. Já a China impõe-se como fabricante mas, no início deste ano, travou nas vendas, assim como os Estados Unidos, ditando que o primeiro trimestre fosse de quebra na venda de elétricos, a nível global.

O relatório assinala que, no primeiro trimestre deste ano, as vendas de carros elétricos na Europa aumentaram 30% face ao mesmo período do ano anterior, atingindo 1,2 milhões de unidades. Em março de 2026, as vendas foram quase 40% superiores às de março de 2025 e 70% superiores às de fevereiro de 2026.
Este crescimento tem sido sustentado pelo aperto das normas de emissões de dióxido de carbono e pelos apelos à adoção de veículos de emissões zero, assim como pelos preços da gasolina “persistentemente elevados”. Em paralelo, foram reintroduzidos incentivos aos consumidores e aumentou a disponibilidade de modelos de veículos elétricos mais acessíveis, incluindo os de construtores chineses. Os dados preliminares de vendas relativos a abril de 2026 indicam um crescimento homólogo de cerca de 25%.
A Alemanha foi responsável por quase um quarto do crescimento das vendas na Europa, e atingiu níveis recorde em março. Neste país, um em cada três carros comprados é elétrico. Portugal não é mencionado no relatório da AIE, mas os dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP) indicam que, em março de 2026, foram matriculados em Portugal mais 27,2% de ligeiros de passageiros elétricos, plug-in e híbridos elétricos, por comparação com o mesmo mês do ano anterior. De janeiro a março de 2026, notou-se uma variação positiva de 33,7% relativamente ao período homólogo de 2025.
As vendas de carros elétricos na Europa aumentaram 30% no primeiro trimestre deste ano, face ao mesmo período do ano anterior, atingindo os 1,2 milhões. Em março de 2026, as vendas foram quase 40% superiores às de março de 2025 e 70% superiores às de fevereiro de 2026.
O Velho Continente não foi, contudo, o território que mais cresceu neste segmento. Na Ásia-Pacífico, excluindo a China, as vendas deram um salto de 80%, enquanto na América Latina subiram 75%, com as vendas no Brasil a impulsionarem — cresceram 85%. Um total de 90 países em todo o mundo seguiram esta tendência de crescimento face ao mesmos meses de 2025, sendo que 30 países alcançaram vendas mensais recorde.
Na Ásia-Pacífico, excluindo a China, as vendas deram um salto de 80%, enquanto na América Latina subiram 75%.
Em oposição, as vendas no primeiro trimestre caíram mais de 20% na China e cerca de um terço nos Estados Unidos. No gigante asiático, as vendas sofreram com “uma combinação de alterações à regulamentação, impactando o preço de compra dos carros elétricos”, indica a AIE. Reduziram-se, por exemplo, os subsídios à compra, ao mesmo tempo que foi introduzido um imposto de 5% sobre a compra. Já do outro lado do Pacífico, nos EUA, a quebra refletiu o final dos créditos fiscais para a compra de elétricos, os quais terminaram no terceiro trimestre de 2025.
Estas alterações ditaram que as vendas globais de carros elétricos tenham recuado 8% no trimestre, ficando-se pelos 3,9 milhões. Foi o primeiro trimestre, desde 2020, em que as vendas destes veículos no arranque do ano desceram face ao período homólogo. Ainda assim, o trimestre não foi todo igual: em março, assistiu-se a uma recuperação das vendas, a nível global, aproximando-se dos níveis do março do ano anterior.
As vendas no primeiro trimestre caíram mais de 20% na China e cerca de um terço nos Estados Unidos.
“A crescente popularidade dos veículos elétricos marcou uma mudança profunda nos mercados automóveis e no sistema energético como um todo – e está a proporcionar algum alívio agora, no meio do maior choque de oferta de petróleo da história”, comenta o diretor executivo da AIE, Fatih Birol, citado num comunicado que acompanha o relatório. “Olhando para o futuro, as quedas a que assistimos nos preços das baterias e as potenciais respostas políticas à atual crise energética global deverão dar um novo impulso aos mercados de veículos elétricos”, antecipa.
"Olhando para o futuro, as quedas a que assistimos nos preços das baterias e as potenciais respostas políticas à atual crise energética global deverão dar um novo impulso aos mercados de veículos elétricos.”
Até 2035, mesmo sem o anúncio de novas políticas, a frota global de elétricos – excluindo veículos de duas e três rodas – deverá disparar para os 510 milhões, face aos atuais quase 80 milhões, estima a AIE. Isto significa que as vendas vão disparar em mais de seis vezes.
A agência internacional escreve no relatório que “o atual contexto de preços elevados do petróleo está a atrair a atenção dos consumidores para os benefícios económicos da condução de veículos elétricos“, tendo aumentado “ainda mais” o nível de poupança de custos associado à condução destes veículos.
Com base nos preços médios do petróleo em abril, as poupanças anuais em custos de combustível associadas à condução de um elétrico na União Europeia cresceram 35% em comparação com as poupanças de 2025. Nas frotas empresariais, os ganhos multiplicam-se. “No entanto, as implicações totais da atual crise levarão o seu tempo a fazer-se sentir no mercado automóvel”, entende a AIE, tendo em conta o desfasamento entre as encomendas e as entregas de veículos.
Já olhando ao ano de 2025, um quarto de todos os carros novos vendidos a nível mundial eram elétricos. Nesse ano, as vendas destes veículos cresceram 20%, ultrapassando os 20 milhões. Em cerca de 40 países, os carros elétricos representaram 10% ou mais dos carros novos vendidos, e registaram-se vendas recorde em cerca de 100 países.
China domina a produção e a cadeia de valor
A China tem uma dominância evidente na produção destes veículos: os fabricantes automóveis chineses forneceram, no ano passado, 60% dos carros elétricos vendidos em todo o mundo, enquanto os construtores europeus e norte-americanos foram responsáveis, cada um, por cerca de 15% das vendas globais.
Os fabricantes automóveis chineses forneceram, no ano passado, 60% dos carros elétricos vendidos em todo o mundo.
As exportações chinesas de carros elétricos duplicaram para um máximo histórico de mais de 2,5 milhões, tendo como principais mercados, fora o interno, a Europa e Estados Unidos. Para além disso, a China forneceu 55% dos carros elétricos vendidos no resto do mundo. Estes 55% comparam com os menos de 5% de há apenas cinco anos.
A China também continua a dominar as cadeias de abastecimento de veículos elétricos, sendo responsável por mais de 80% da produção de células de bateria em 2025 e por quotas ainda mais elevadas na produção de materiais essenciais para baterias.
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