IP já tem calendário para pagar modernização ferroviária de 410 milhões até Beja
Até há alguns anos ligada a norte por Intercidades, a capital de distrito viu a ferrovia cair no esquecimento com a eletrificação até Évora. Modernização vai permitir comboios a 200 km/h.

Beja, capital de distrito do Baixo Alentejo, tem o único aeroporto português onde pode aterrar o maior avião comercial do mundo, o Airbus A380, mas permanece “afastada” do resto do país por via terrestre, sem autoestrada e com uma linha férrea obsoleta. A promessa de se ligar à rede ferroviária nacional com uma ligação de velocidade elevada, até 200 km/h, ganha novo fôlego nesta terça-feira com a publicação em Diário da República do calendário de pagamento faseado das obras, num total de 410,68 milhões de euros.
Na Resolução do Conselho de Ministros 85/2026, o Governo autoriza a Infraestruturas de Portugal (IP), entidade responsável pelas estradas e caminhos de ferro, a “realizar despesa e a proceder à repartição dos encargos plurianuais para a concretização global do empreendimento Linha do Alentejo: Modernização Casa Branca – Beja”.
Com um investimento de 410 milhões de euros para substituição integral da linha férrea, eletrificação e instalação de sistemas de sinalização e telecomunicações, ao longo de 63 quilómetros, desde a estação de Casa Branca (ponto onde que a Linha do Alentejo faz agulha para Évora) até à estação de Beja, esta linha manterá via única.
Como ponto de comparação financeiro, em 2019, a modernização e eletrificação da Linha do Oeste, ao longo de 87 km, entre Meleças e Caldas da Rainha, foi lançada por 111,2 milhões de euros.

O investimento permitirá ligações entre Casa Branca e Beja a 200 km/h para comboios de passageiros e 120 km/h para mercadorias.
Apesar de Beja passar a ter uma ligação eletrificada ao porto de Sines, a linha continuará a passar ao largo do aeroporto da região. Para a dinâmica do Baixo Alentejo, a infraestrutura trará uma ligação entre as duas capitais de distrito em menos de uma hora, um ganho de tempo face à atual viagem rodoviária pelo IP2.
Ao serviço no final da requalificação deverão estará já as automotoras adquiridas à Stadler, das quais a primeira chegou ao país em dezembro último. Na altura, Miguel Pinto Luz, ministro das Infraestruturas e da Habitação, citado em comunicado, referiu que “estes comboios vão ser fundamentais para reforçar serviços como os regionais [linhas do Oeste e Alentejo], onde a adesão ao do Passe Ferroviário Verde se refletiu num aumento de procura de mais de 100%”.
As Stadler Flirt têm uma velocidade máxima de circulação de 160 km/h, abaixo do limite de 200 km/h estabelecido para a nova via.

De acordo com a Resolução do Conselho de Ministros, os desembolsos começarão em 2027 e estendem-se até 2033, com valores parcelares que variam entre os 8,96 milhões de euros já no próximo ano e 111,55 milhões de euros em 2029. Desse ano até 2032, o Fundo Ambiental fará a entrega faseada de 10 milhões de euros, num total de 40 milhões. O Programa Alentejo 2030 pagará 18,12 milhões de euros entre 2027 e 2029.
O Governo indica ainda à IP para que avance com os procedimentos necessários para captar fundos do Portugal 2030 “ou de outros instrumentos de financiamento europeus, de gestão direta ou partilhada, concorrendo para a redução do financiamento nacional, e de modo a captar recursos adicionais e as necessárias disponibilidades financeiras para a concretização do investimento”.
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