Juros disparam para 2,6% em emissão de dívida a 12 meses

Em plena turbulência nos mercados de dívida, Portugal obteve um financiamento de curto prazo no valor de 1,537 mil milhões de euros, mas viu os custos subirem para o valor mais elevado em ano e meio.

Em plena turbulência nos mercados globais de dívida, Portugal foi aos mercados esta quarta-feira para obter um empréstimo de 1,537 mil milhões de euros em Bilhetes do Tesouro a 12 meses e pelos quais pagou uma taxa de 2,613%.

O custo disparou face ao anterior leilão comparável, realizado em março, quando teve de suportar juros de 2,307% por títulos com o mesmo prazo, apesar de a procura dos investidores ter superado os 3,2 mil milhões de euros, mais do dobro do financiamento obtido pelo IGCP.

É preciso recuar a setembro de 2024, há mais de ano e meio, para um leilão a 12 meses com um custo superior para os cofres da República, de acordo com os dados disponibilizados pela agência que gere a dívida pública liderada por Pedro Cabeços.

Juro dos bilhetes a 12 meses disparam

Fonte: IGCP

Esta operação de financiamento teve lugar num quadro de forte instabilidade nos mercados obrigacionistas internacionais perante os receios dos investidores com as pressões inflacionárias por conta da escalada dos preços da energia, na sequência da guerra no Irão. Receios que levaram a uma venda massiva de obrigações em todo o mundo, catapultando os juros para máximos históricos em vários países. Nos EUA, por exemplo, a yield das treasuries a 30 anos cruzou a barreira dos 5% pela primeira vez desde a crise financeira de 2008.

O Eurostat adiantou esta quinta-feira que a inflação na Zona Euro acelerou para 3% em abril, com os preços a serem impulsionados pela energia.

“Neste enquadramento, os mercados têm revisto em alta as expectativas quanto à evolução das taxas diretoras dos bancos centrais. Essa perspetiva traduz-se em taxas de juro mais elevadas, tanto nos prazos curtos como nos prazos médios, criando as condições para que o atual leilão registasse custos de financiamento superiores aos observados anteriormente”, observa Filipe Silva, Diretor de Investimentos do Banco Carregosa.

Perante a escalada dos preços, os investidores antecipam que o Banco Central Europeu (BCE) venha a subir os juros diretores em 25 pontos face já na próxima reunião de 11 de junho. E até final do ano deverá ter de aumentá-los por mais duas ocasiões para controlar a inflação.

Nos EUA, com os preços no produtor a subirem 6%, a Reserva Federal (Fed) também será forçada uma subida de juros ainda este ano, numa inversão dramática face às expectativas de cortes que dominavam o início do ano (e do Presidente Donald Trump).

(notícia atualizada às 11h40 com comentário de Filipe Silva, Diretor de Investimentos do Banco Carregosa)

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