Lucros da Sonae sobem 11% no arranque do ano. Continente fatura 1,7 mil milhões até março
Em “mais um forte trimestre” para o grupo da Maia, destaca a CEO Cláudia Azevedo, o resultado do Continente foi puxado pelo aumento dos volumes e beneficiou do calendário da Páscoa e promoções.
A Sonae SON 0,20% lucrou 47 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano, o que significa uma subida de 11% face ao valor obtido em igual período do ano passado. Um registo obtido com “crescimento dos negócios nacionais e internacionais, ganhos de eficiência e solidez financeira”, sublinha a companhia.
Na ressaca de um “ano extraordinário” em que o conglomerado da Maia obteve receitas históricas acima de 11 mil milhões, nas palavras da CEO Cláudia Azevedo, o volume de negócios consolidado cresceu acima de 7% e superou 2,7 mil milhões de euros. Um recorde trimestral impulsionado pelos negócios de retalho, com crescimento orgânico e expansão do parque de lojas.
Descrevendo “contributos sólidos” de todas as operações de retalho e um “crescimento robusto” nas vendas que “mais do que [compensou] o impacto da alienação da MO e da Zippy, concretizada no verão do ano passado, o comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) indica que o EBITDA progrediu de 250 para 284 milhões, com a margem a melhorar de 9,8% para 10,4%.
Entre janeiro e março, a dívida líquida consolidada diminuiu em 163 milhões de euros face a igual período do ano passado, fixando-se agora em 1,7 mil milhões de euros, num movimento que beneficiou da “robusta” geração dos fluxos de caixa. O loan-to-value reduziu adicionalmente para 13%, reforçando o percurso de desalavancagem e a solidez do balanço do grupo, acrescenta.
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"O grupo Sonae reforçou ainda mais a sua solidez financeira durante o trimestre, alcançando um máximo de vendas e uma melhoria significativa da rentabilidade, com a margem de EBITDA subjacente a aumentar de 8,5% para 9,3%.”
“A Sonae iniciou 2026 com mais um forte trimestre, apresentando resultados sólidos e reforçando a resiliência e a qualidade das suas empresas. Em todos os nossos negócios, continuámos a combinar crescimento, disciplina operacional e execução estratégica, fortalecendo ainda mais as nossas posições de mercado e a capacidade de criação de valor de longo prazo”, aponta Cláudia Azevedo, frisando a “melhoria significativa da rentabilidade” neste período, com a margem de EBITDA subjacente a aumentar de 8,5% para 9,3%.
Continente reclama ganho de quota no retalho alimentar
Nos primeiros meses deste ano, o negócio de retalho alimentar da MC voltou a ser o porta-aviões do grupo nortenho, com um peso de 63% na faturação global. Enquanto a concorrente Jerónimo Martins, dona do Pingo Doce, advertiu para clientes “prudentes” no consumo alimentar para explicar o recuo de 7% nos lucros trimestrais, o Continente diz ter consolidado a “posição de liderança” e ganho quota de mercado nos formatos físico e online, mesmo reconhecendo o “contexto altamente competitivo, marcado pela contínua expansão da maioria dos operadores”.
Com o impulso principal a ser dado pelo aumento de volumes, explica o grupo na nota aos investidores, a faturação no retalho alimentar cresceu 8% em termos homólogos para 1,7 mil milhões de euros, tendo beneficiado igualmente de um “efeito de mix positivo decorrente de um calendário da Páscoa favorável e do calendário promocional”.
No segmento de saúde e beleza, em que atua com as marcas Wells, Druni (já tem também cinco lojas em Portugal) e Arenal, as vendas progrediram 11,5% para 437 milhões de euros. No retalho de eletrónica, a Worten assentou nas categorias core (eletrónica e eletrodomésticos) a subida de 8,9% neste indicador, fechando o trimestre com receitas de 352 milhões e mais uma dezena de lojas da sua marca de reparação iServices: três em Portugal e sete fora do país.
Naquele que tem sido um dos principais focos de investimento nos últimos tempos – acaba de comprar mais um trio de lojas de pet care na Noruega –, através da Musti obteve vendas líquidas de 139 milhões de euros (+16%) no retalho de produtos e cuidados para animais de estimação. Estes números da empresa de origem nórdica, que soma agora 513 localizações (incluindo lojas e clínicas veterinárias) beneficiaram já do contributo da aquisição da rede da ZU em Portugal, que é liderada pelo neto de Belmiro de Azevedo.
Fundo imobiliário com Crédito Agrícola compra 40% no ArrábidaShopping e GaiaShopping
Por outro lado, suportado pelo “sólido desempenho operacional dos serviços e do portefólio europeu de centros comerciais” em que a taxa de ocupação se manteve próxima da plena ocupação (99%), o resultado líquido da Sierra baixou para 20 milhões de euros até março.
Neste setor, entre as principais novidades está a compra por parte do fundo imobiliário CA Mais Capital – constituído em parceira com o Crédito Agrícola – de uma participação de 40% no ArrábidaShopping e no GaiaShopping, ambos localizados em Vila Nova de Gaia.
Finalmente, a Nos obteve receitas consolidadas de 460 milhões de euros, quase 2% acima do período homólogo, assentes no “forte desempenho” do segmento de IT e de cinema e audiovisuais, “mais do que compensando uma ligeira redução no segmento de telecomunicações, parcialmente impactadas por efeitos temporários relacionados com condições meteorológicas”.
Nas contas consolidadas da Sonae, o contributo da operadora através do método da equivalência patrimonial ascendeu a 20 milhões no primeiro trimestre.
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