Mota-Engil está confiante de que ganhará batalha judicial nos EUA contra a Muddy Waters

A Mota-Engil e o seu CEO foram arrastados para um tribunal no Texas pelo fundo Muddy Waters por difamação. CFO garante existir tranquilidade e confiança de que a justiça lhe dará razão.

A Mota-Engil e o seu presidente executivo, Carlos Mota Santos, estão a ser processados num tribunal do Texas pela Muddy Waters Capital LLC, um fundo norte-americano especializado em apostas na queda de empresas cotadas.

A ação cível, intentada a 19 de dezembro do ano passado, acusa Carlos Mota de difamação, com base em declarações que o CEO terá proferido numa entrevista ao jornal Expresso em dezembro de 2024, nas quais alegadamente descreveu de forma incorreta as posições curtas que o fundo assumiu sobre as ações da Mota-Engil.

Na prática, a Muddy Waters apostou que as ações da construtora iam cair, Carlos Mota disse algo sobre essa aposta, e o fundo norte-americano considerou que o que foi dito causou danos reputacionais e económicos suficientes para avançar com um processo. Os valores da indemnização reclamada ainda não foram quantificados.

Temos a convicção e a confiança que daqui não poderá sair coisa diferente do que ser dada razão à Mota-Engil, desde logo porque o objetivo que deu origem ao processo tem pouco a ver com a Mota-Engil e tem muito pouco aderência.

José Carlos Nogueira

CFO da Mota-Engil

Para a construtora nacional, que celebra 80 anos em 2027, este processo está longe de ser uma preocupação. “Seguimos o procedimento jurídico normal. Temos a convicção e a confiança que daqui não poderá sair coisa diferente do que ser dada razão à Mota-Engil, desde logo porque o objetivo que deu origem ao processo tem pouco a ver com a Mota-Engil e tem muito pouco aderência”, referiu José Carlos Nogueira, CFO da Mota-Engil, esta quarta-feira no decorrer da apresentação dos resultados do empréstimo obrigacionista de 110 milhões de euros a cinco anos, que contou com uma procura 1,16 vezes acima da oferta.

O executivo da construtora acrescentou ainda que o grupo “confia na justiça nacional e internacional” e espera que o processo “se conclua o mais depressa possível”. A Mota-Engil já contestou a ação e requereu o seu indeferimento liminar, mas o tribunal ainda não decidiu.

O próprio prospeto do empréstimo obrigacionista, aprovado pela CMVM em abril deste ano, é obrigado por lei a incluir o processo como fator de risco, admitindo que “o desfecho desfavorável” do litígio “poderá impactar adversamente o Grupo Mota-Engil nos seus lucros, posição financeira e resultados operacionais”.

A Muddy Waters não é um adversário qualquer: é um dos fundos de short selling mais conhecidos do mundo, com um historial de campanhas públicas e agressivas contra empresas cotadas em vários mercados.

Para os mais de 5 mil obrigacionistas que subscreveram os novos títulos de dívida da empresa de Carlos Mota, o processo no Texas surge como uma das notas de rodapé de um prospeto que também lista guerras, tarifas, instabilidade política em África como riscos ao investimento.

O documento refere, por exemplo, que “o Grupo Mota-Engil detém, no segmento do Ambiente, uma operação em Omã que, embora pouco significativa em termos relativos, se encontra numa zona diretamente afetada pelo conflito em curso.”

Contudo, em resposta ao ECO, José Carlos Nogueira refere que, “apesar de ser uma operação com alguma maturidade (o contrato renovou-se recentemente), é uma operação muito pouco significativa, com o volume de negócios a não atingir os 5 milhões de euros por ano.”

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