Mota-Engil financia-se em 110 milhões de euros em obrigações junto de mais de 5 mil investidores
O empréstimo obrigacionista a cinco anos da construtora contou com uma procura 1,16 vezes acima da oferta, com 40% dos investidores a aplicarem mais de 10 mil euros nas novas obrigações da Mota-Engil.
- A Mota-Engil voltou ao mercado obrigacionista, conseguindo uma procura de 127,5 milhões de euros para uma emissão de 110 milhões, demonstrando forte interesse dos investidores.
- A operação incluiu a troca de obrigações com vencimento em 2026 por novas com maturidade em 2031, permitindo à empresa adiar pressões de refinanciamento por cinco anos.
- Os novos títulos, que carregam uma taxa de cupão de 4,6%, estão ligados a indicadores de segurança no trabalho, refletindo um compromisso com a sustentabilidade até 2030.
A maior construtora nacional voltou ao mercado obrigacionista para o retalho e os investidores responderam com entusiasmo. A Mota-Engil, liderada por Carlos Mota Santos, encerrou esta quarta-feira o seu mais recente empréstimo obrigacionista com uma procura válida total de 127,5 milhões de euros para uma oferta de 110 milhões, junto de mais de 5 mil investidores.
O apetite foi suficiente para a empresa mais do que duplicar o montante inicial da emissão (fixado primeiramente em 50 milhões de euros) até ao teto de 110 milhões que a administração tinha reservado como opção de crescimento.
“O resultado foi bastante satisfatório, particularmente sobre o ticket de partida”, refere José Carlos Nogueira, CFO da construtora na apresentação dos resultados, salientando que esta operação confere à Mota-Engil “mais e melhor ambição e responsabilidade”, além de permitir à administração da empresa “reiterar a nossa ambição dos nossos objetivos anunciados há umas semanas no Capital Markets Day, e que os resultados do primeiro trimestre confirmaram e reafirmam.”
O empréstimo obrigacionista teve por base uma operação de subscrição de Obrigações Mota-Engil 2031 e uma operação de troca das Obrigações Mota-Engil 2026 pelas novas, que se traduziu na seguinte repartição de valores:
- 98 milhões de euros foram captados diretamente junto de novos investidores através da oferta de subscrição das Obrigações Mota-Engil 2031;
- 9,48 milhões de euros foram provenientes da oferta de troca, em que detentores das antigas obrigações com vencimento em dezembro de 2026 entregaram esses títulos em troca das novas obrigações com maturidade em maio de 2031;
- 2,5 milhões de euros foram assegurados pela garantia de colocação parcial prestada pelo Banco Finantia.
Na prática, a operação de troca permitiu à Mota-Engil “trocar” dívida que vencia ainda este ano por dívida com prazo mais longo, uma manobra clássica de gestão de balanço que adia pressões de refinanciamento por cinco anos.
Segundo o prospeto da operação, o montante global da operação servirá para a Mota-Engil “dar continuidade à expansão internacional” do grupo, sem que exista uma ordem de prioridade de utilizações definida.
Os dados da Euronext revelam ainda que 5.028 investidores compraram as novas obrigações da construtora, uma base de investidores alargada.
Contudo, o escalão que concentrou mais investidores individuais foi o de investimentos entre 10.250 a 50.000 euros, com 1.812 subscritores na oferta de subscrição e 195 na oferta de troca, representando cerca de 40% do total de participantes. Já os grandes investidores, com montantes acima de 50.250 euros, somaram apenas 318 e 25 participantes, respetivamente, em cada uma das ofertas.
As novas obrigações, denominadas “Obrigações Ligadas à Sustentabilidade Mota-Engil 2026-2031”, carregam uma taxa de cupão fixa de 4,6% ao ano, com reembolso previsto para 22 de maio de 2031, com os títulos a serem admitidos à negociação na bolsa nacional esta sexta-feira.
José Carlos Nogueira revela que o pricing do cupão (4,6%) foi “muito mais influenciado pela taxa mids wap a 5 anos e não tanto pelo risco da Mota-Engil”, com o CFO da construtora a notar que “o risco de Mota-Engil foi melhorado em 30 pontos base face à operação anterior.”
A designação “ligadas à sustentabilidade” dos títulos pressupõem que as obrigações estejam indexadas a um indicador de desempenho de segurança no trabalho, com uma meta de redução do índice de frequência de acidentes (LTIFR) para cinco até ao final de 2030, refere o prospeto das obrigações.
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