Mota-Engil nunca tinha lucrado tanto num primeiro trimestre. Brasil ‘entrega’ novo máximo de encomendas
Puxado por minas em África e retoma na América Latina, grupo arrancou o ano com lucros a subirem 31%, para 35 milhões de euros. Carteira já equivale a 3,6 anos de atividade na engenharia e construção.
- A Mota-Engil registou um resultado líquido recorde de 35 milhões de euros no primeiro trimestre, com um crescimento de 31% face ao ano anterior.
- O grupo destacou um aumento de 11% na faturação em África, enquanto a Europa enfrentou uma queda de 29% devido a atrasos em projetos relevantes.
- A empresa prevê um crescimento da faturação entre 10% a 15% até 2026, apoiado por uma carteira de encomendas recorde de 16,9 mil milhões de euros.
Nunca a Mota-Engil EGL 0,67% tinha lucrado tanto num primeiro trimestre do ano. O grupo de engenharia e construção alcançou um resultado líquido de 35 milhões de euros entre janeiro e março, o que equivale a uma subida de 31% em relação ao mesmo período do ano passado.
No trading update enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), em que assinala “o melhor desempenho de sempre num primeiro trimestre”, o grupo reporta uma subida de 2% no volume de negócios para 1.394 milhões de euros, e um EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de 234 milhões (+10%) com melhoria da margem para 17%.
O grupo liderado por Carlos Mota Santos destaca o crescimento de 11% da faturação em África, impulsionado pelo desempenho no segmento de engenharia industrial (+19%) e que o coloca como “o maior operador de contract mining em todo o continente africano”.
Na Europa, a atividade encolheu 29%, para 90 milhões de euros, “em linha com o mercado e impactado por atrasos na consignação, concurso e adjudicação de projetos relevantes em Portugal”, embora espere uma “aceleração” até final do ano. Já o volume de negócios na América Latina progrediu para 573 milhões (+3%), puxado pelo México e Brasil.
“O volume de negócios resiliente reflete o sucesso da estratégia comercial e uma capacidade de execução disciplinada, sendo expectável uma aceleração da atividade ao longo de 2026, suportada pela velocidade cruzeiro das operações em África, pela retoma da execução na América Latina, particularmente no México e no Brasil, e pelo desbloqueamento de projetos em Portugal”, resume.
Na nota aos investidores, a Mota-Engil confirma o guidance para 2026: faturação a crescer a dois dígitos (10–15%), suportada pela “execução da carteira de encomendas recorde e pela retoma de projetos de grande dimensão e de longo ciclo nos mercados core”; margem EBITDA “estruturalmente resiliente ao nível de 2025”; margem líquida à volta dos 3%; e rácio dívida líquida / EBITDA inferior a 2 vezes.

No plano estratégico “Focus 2030”, que foi apresentado a 11 de março, a companhia inscreveu a ambição de elevar as receitas anuais para nove mil milhões de euros. Prevê aumentar a margem líquida do negócio dos 3% para os 4% até ao final da década, alcançar um resultado líquido de 360 milhões e entregar 30% a 50% dos lucros aos acionistas.
Esta quarta-feira vai ser anunciado o resultado do empréstimo obrigacionista dirigido aos investidores do retalho, em que mais do duplicou o montante inicial para 110 milhões de euros. A operação financeira vai permitir à construtora nortenha reembolsar um empréstimo que vence no final do ano no valor de 40,1 milhões e ainda obter financiamento fresco para apoiar o crescimento da atividade.
Carteira de encomendas equivale a 3,6 anos na engenharia e construção
Depois dos contratos avaliados em 1,5 mil milhões de euros celebrados nos primeiros três meses do ano — e ainda sem incluir nestas contas a obra de 114 milhões na Linha do Minho entregue pela IP –, a carteira de encomendas ascende agora a 16,9 mil milhões de euros. Um novo recorde na história do grupo e que equivale a 3,6 anos de atividade no negócio de engenharia e construção.
Neste segmento, os mercados core representam 76%, com uma exposição diversificada entre México (20%), Angola (17%), Brasil (14%), Portugal (11%) e Nigéria (8%), Por outro lado, destaca o peso da engenharia industrial (19%) na carteira de encomendas e o facto de “incluir, cada vez mais, contratos de infraestruturas plurianuais e contratos de longo prazo, suportando a visibilidade do volume de negócios no longo prazo, uma rendibilidade resiliente e a conversão de caixa”.
Entre as principais adjudicações desde o final do ano estão o túnel submerso de Santos-Guarujá (1.255 milhões de euros), uma concessão em regime de PPP no Brasil; o contrato de 113 milhões com a Petrobras no mesmo país, para serviços ligados a sistemas submarinos de produção de petróleo na Bacia de Campos; e o acordo de exclusividade com a Trafigura, sua parceira no Lobito, avaliado em 100 milhões, para a comercialização e venda de créditos de carbono no Malawi.
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