Turismo é um motor económico, mas enfrenta desafios estruturais, alerta presidente da AHP
O presidente da Associação da Hotelaria de Portugal, Bernardo Trindade, defendeu que o turismo se tornou um dos principais motores económicos e sociais do país, mas alertou para vários desafios.
Na 9.ª edição da Advocatus Summit, o presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Bernardo Trindade, defendeu que o turismo se tornou um dos principais motores económicos e sociais do país, mas alertou para um conjunto de desafios estruturais que podem condicionar o futuro do setor.
Bernardo Trindade sublinhou a transformação registada nas últimas duas décadas, referindo que o país passou de uma oferta concentrada em poucos destinos para uma cobertura muito mais alargada. “Em qualquer lugar deste país, dos 308 concelhos, nós temos um sítio para dormir, para comer, para degustar e para experienciar coisas”, afirmou, na abertura do painel “Turismo: Valorizar o território, proteger o crescimento”.
Sobre a relação entre o turismo e o território, defendeu uma maior integração entre residentes e visitantes. “Turismo é território. Os locais para serem visitados, em primeiro lugar, têm que ser vividos”, disse, sublinhando a necessidade de reduzir tensões e preconceitos entre comunidades locais e o setor.

Bernardo Trindade defendeu ainda uma maior transparência na utilização das taxas turísticas, referindo que estes fundos devem ser visíveis no quotidiano das cidades. “Este equipamento, esta vassoura, este equipamento de limpeza foi pago pela taxa turística”, afirmou, exemplificando a ideia de que até os serviços urbanos devem ser comunicados como parte do retorno do turismo às comunidades.
Outro dos temas mais críticos foi o das acessibilidades aeroportuárias, tendo o presidente da AHP sido particularmente duro na avaliação do sistema atual. “O país falha todos os dias”, numa crítica dirigida às dificuldades estruturais nos aeroportos de Lisboa, Porto e Algarve. Apesar de reconhecer melhorias pontuais, como o reforço de efetivos policiais, alertou para o impacto negativo de novos sistemas de controlo fronteiriço.
No plano laboral, destacou a crescente dependência de mão-de-obra estrangeira. “Nós já não nos bastamos a nós próprios hoje em dia e temos que ter mão-de-obra estrangeira”, afirmou, sublinhando o peso estrutural da imigração no setor.
Alertou também para os efeitos da instabilidade global no setor turístico, referindo que o contexto internacional influencia diretamente a procura. “Estamos em guerra, noutras geografias é certo, mas aquilo que nós sentimos indiscutivelmente é isto, para o turismo… a indústria da paz é essencial”, afirmou. Segundo Bernardo Trindade, a incerteza leva a reservas mais tardias e aumenta a volatilidade da procura, o que pode afetar preços, companhias aéreas e, em última instância, o rendimento disponível das famílias.
Por fim, destacou o risco de desequilíbrio em Lisboa, onde se prevê um forte aumento da capacidade hoteleira. “Isto significa menos ocupação e menos capacidade de poder repercutir no preço final”, explicou, sublinhando que o crescimento da oferta, sem equilíbrio com a procura e com as acessibilidades, pode pressionar a rentabilidade do setor. Como solução, defendeu uma maior coordenação nas políticas de licenciamento e uma aposta estratégica no aumento da estadia média dos turistas.
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