Aumento dos custos e mais concorrência pressionam contas da Meo

Operadora liderada por Ana Figueiredo viu o EBITDA derrapar 7,3% no arranque do ano e as receitas a travar. Empresa já sente "pressão inflacionista".

A Meo começou o ano afetada por vários efeitos negativos, incluindo o aumento dos custos e a redução da receita média por cliente de telecomunicações, num contexto de maior concorrência no setor, mas também o impacto da depressão Kristin. O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) diminuiu 7,3% no primeiro trimestre, enquanto o crescimento das receitas abrandou para 0,9% no período.

Em comunicado, a CEO da Meo, Ana Figueiredo, destaca “o ciclo de transformação estrutural profundo” da empresa, que está a “evoluir de operador de telecomunicações para uma plataforma integrada de serviços digitais, capaz de liderar a próxima fase de crescimento do setor”.

Num contexto de elevada pressão competitiva e disrupção do mercado, entregámos receitas de 703 milhões de euros, com crescimento face ao ano anterior, sustentado na diversificação do nosso modelo e na capacidade de capturar novas fontes de valor”, acrescenta a gestora.

Em termos financeiros, no primeiro trimestre, o EBITDA da Meo fixou-se em 226 milhões de euros, menos 7,3% do que no mesmo período de 2025. A queda está associada à Altice Labs e à “perda progressiva” do negócio de subcontratação da rede móvel, numa altura em que a concorrente Digi continua a transitar gradualmente os clientes da antiga Nowo, que subcontratava rede à Meo, para a sua própria rede móvel (a Digi adquiriu a Nowo em agosto de 2024).

Todavia, mesmo sem esses efeitos, o EBITDA teria caído 4,3%, penalizado pela redução da receita média por cliente “e pelo aumento de custos, nomeadamente pela pressão inflacionista sobre serviços terceiros”, explica a Meo na nota divulgada esta quinta-feira.

As receitas no período fixaram-se em 703 milhões de euros, mais 0,9% do que em 2025 e um claro abrandamento face ao crescimento reportado então pela operadora do grupo Altice. Para este resultado foi determinante o aumento de 1,7% das receitas de consumo, impulsionadas pelo negócio da venda de energia, que mitigou parcialmente a pressão sobre a receita média por utilizador, e pela estagnação das receitas dos serviços empresariais.

Este desempenho não resulta de fatores conjunturais. É o reflexo de uma estratégia deliberada: expandir o perímetro do negócio, acelerar a inovação e construir um portefólio resiliente, capaz de crescer para além do core telco tradicional.

Ana Figueiredo

CEO da Meo

Olhando para os vários segmentos de negócio da Meo, o consumo totalizou 380 milhões em receitas no trimestre, mais 1,7% em termos homólogos. A empresa fechou março com cerca de 4,5 milhões de serviços fixos ativos, mais 1% (45 mil adições líquidas a esta base de clientes), enquanto no móvel a base de clientes pós-paga cresceu 4,3% (mais 133 mil clientes).

Na senda da diversificação das receitas, a Meo continua também focada em desenvolver um portefólio de clientes de energia, reportando agora um aumento das receitas com o Meo Energia de quase 42% no trimestre. Existiam no final de março 236 mil famílias com energia da empresa, contra 169 mil no final de março de 2025. “Este crescimento foi sustentado por um desempenho comercial robusto, assente em planos tarifários inovadores e em ofertas integradas de telecomunicações e energia, bem como por uma estratégia eficaz de cross selling no ecossistema Meo”, assume a empresa.

Ana Figueiredo, CEO da MeoHugo Amaral/ECO

Do lado dos serviços empresariais, as receitas totalizaram 323 milhões de euros, o mesmo montante reportado no primeiro trimestre de 2025. A empresa sublinha, porém, que excluindo o impacto da quebra de negócio da Altice Labs e da subcontratação de rede móvel, as receitas teriam crescido 3,4%. Em termos operacionais,

Em relação ao investimento, observou-se um aumento de 5,5%, para 106 milhões de euros. Este incremento resulta da “expansão e modernização” das redes e infraestruturas da operadora.

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