Estado investiu 115 milhões nos laboratórios colaborativos nos últimos cinco anos
Estado investiu 115 milhões de euros nos laboratórios colaborativos nos últimos cinco anos, resultando em 92,2 milhões de euros de receita fiscal, segundo um estudo da Porto Business School.
Portugal tem 41 laboratórios colaborativos (CoLABs) de norte a sul do país e, no ano passado, geraram 75 milhões de euros em valor acrescentado, de acordo com o estudo de impacto socioeconómico dos Laboratórios Colaborativos em Portugal, apresentado esta quinta-feira na Porto Business School.
“Destes 75 milhões de euros, 36 milhões são imputados diretamente, o que significa que, por cada euro de valor acrescentado que os CoLABs trazem à economia, o impacto multiplica-se em 2,1”, contabiliza Filipe Grilo, head of applied research da Porto Business School. Entre 2021 e 2025, os laboratórios colaborativos geraram 261,6 milhões de euros em valor acrescentado bruto.
O estudo mostra ainda que, nos últimos cinco anos, o Governo atribuiu 115 milhões de euros aos laboratórios colaborativos. “Neste período, a receita fiscal gerada pela atividade económica associada aos CoLABs e que regressou ao Estado foi de cerca de 92,2 milhões de euros”, acrescentou Filipe Grilo. Só em 2025, os CoLABs geraram cerca de 26,5 milhões de euros em receita fiscal.
Ao nível do emprego, os laboratórios colaborativos sustentaram 2.178 empregos diretos e indiretos entre 2021 e 2025. Filipe Grilo destacou ainda que “os recursos humanos cresceram 70% em cinco anos”, enquanto as “receitas cresceram 132%” no mesmo período. Entre os trabalhadores, o segmento que mais cresce é o dos não doutorados.
O responsável reforçou que os laboratórios colaborativos não estão a competir com as empresas, mas sim a “acrescentar espaço”, justificando que “os CoLABs respondem a falhas de mercado em zonas onde quase não existia atividade económica”.
“Seria importante que deste estudo saíssem medidas disruptivas e inovadoras, porque Portugal tem de melhorar esta componente”, afirmou José Esteves, dean da Porto Business School, sublinhando que o país “tem capacidade para crescer”.
Por fim, José Esteves manifestou o desejo de que o “estudo não fique só na gaveta e chegue aos decisores”. O dean da Porto Business School considera que Portugal tem “excelentes cientistas e excelentes centros de investigação a nível mundial”, mas alerta que o “sistema é muito fragmentado, com muitos nichos”, defendendo que o país “tem de ter o desafio e a capacidade de conseguir competir lá fora”.
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