Governo dá luz verde a duas universidades públicas em Leiria e Porto

  • ECO
  • 21 Maio 2026

Luís Montenegro anunciou a criação de duas novas universidades públicas em Leiria e no Porto, que resulta da reconfiguração dos atuais institutos politécnicos das duas cidades.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou esta quinta-feira a criação de duas novas universidades públicas, a Universidade de Leiria e do Oeste e a Universidade Técnica do Porto, através da reconfiguração dos atuais institutos politécnicos destas regiões, “algo que já não acontecia desde os anos 80” segundo garantiu. O Governo decidiu ainda integrar a Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril na Universidade Nova de Lisboa.

Estas medidas saíram do Conselho de Ministros que decorreu em Pombal, incluindo também a aprovação de um novo modelo de bolsas de estudo que, segundo Montenegro, vai ajudar cada jovem a “aproveitar todo o seu potencial” assim como vai “aprofundar a justiça social no sistema de ensino”.

Na prática, explanou durante uma intervenção no Instituto Politécnico de Leiria, este regime vai possibilitar “ter uma política de ação social que não deixa ninguém para trás, e que não prejudica, por razões económicas ou geográficas, premiar o mérito das pessoas”.

Admitindo que muitos estudantes portugueses enfrentam dificuldades económicas ao ingressarem no ensino superior, Montenegro vincou o papel do Governo para ajudar a ultrapassar essas situações, nomeadamente através de novos alojamentos universitários.

O Estado pode resolver isto, dando as condições de alojamento. Daí o investimento fortíssimo, mas dando também todo o apoio social para que a pessoa e a família não fique privada de aproveitar todo o seu potencial”, vincou.

O líder do Governo afirmou ainda que os portugueses precisam de interiorizar algo muito importante: “Quando um de nós não aproveita todo o seu potencial, perdemos todos, não apenas aquela pessoa”, frisando que esta estratégia vai garantir “igualdade de oportunidades e capacitar o país para ser mais competitivo”.

Luís Montenegro referiu igualmente que “a decisão de criação de duas novas universidades públicas dá uma dimensão de como o país entra num novo período, que culmina com a valorização, em concreto, destes dois institutos politécnicos para poderem ter na mesma o ensino politécnico e ensino universitário”.

A transformação dos institutos politécnicos de Leiria e do Porto foi solicitada pelas próprias instituições em 2025, e já tinha sido aprovada em Conselho de Ministros em fevereiro, sendo agora formalizada a criação das duas universidades.

Referindo-se aos danos que as intempéries provocaram em Leiria, o primeiro-ministro adiantou que “a decisão também está inscrita no PTRR [Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência]” e que o objetivo não passa por “repor a situação anterior”, mas sim, em “garantir a reposição da situação com maior capacidade, recuperando, dando resiliência e dando um potencial transformador para o futuro”.

Montenegro lançou um apelo às instituições de ensino superior no sentido de serem “fortes academicamente”, na ligação com as empresas e no “valor acrescentado que dão à sociedade”; assim como, aferiu, “nos movimentos de parceria e sinergia que são passíveis de se desenvolverem a escala nacional e internacional”.

O Governo pretende que Portugal ganhe escala e dimensão, de modo a garantir que tanto os institutos superiores como os portugueses formados consigam “ombrear no contexto nacional e sobretudo até no contexto internacional”.

O Instituto Politécnico de Leiria já reagiu ao anúncio da criação da Universidade de Leiria e Oeste, considerando tratar-se de “um marco histórico para a instituição e para o território” assim como o reconhecimento de décadas de mérito académico, maturidade organizacional e compromisso com o desenvolvimento regional”.

Este é “o início de um novo ciclo institucional” que vai ao encontro do desígnio do politécnico de reforçar o seu papel como motor de conhecimento, inovação e desenvolvimento económico da região.

“A aprovação formal da criação da Universidade de Leiria e Oeste representa o reconhecimento de um percurso institucional sólido, construído ao longo de 45 anos com base na qualidade, na inovação e numa ligação profunda à comunidade”, assinalou o presidente do Instituto Politécnico de Leiria, Carlos Rabadão, citado num comunicado.

A pretensão do politécnico de se transformar numa universidade já não é de agora. Em abril de 2025 a instituição formalizou o pedido à tutela, tendo por base o estudo ‘Prospetiva 2035 – Três Cenários para o Futuro de Leiria e Oeste’. Desenvolvido pela Estrutura de Missão para o Desenvolvimento do Ecossistema Leiria e Oeste (EM@IPLeiria), este estudo concluía que a criação de uma universidade constituía um fator decisivo de desenvolvimento económico, social e territorial.

“Assumimos esta nova etapa com sentido de responsabilidade, conscientes de que o estatuto universitário implica maior exigência científica, maior impacto social e um compromisso ainda mais profundo com o desenvolvimento sustentável, a inovação e a qualificação das pessoas”, assegurou Carlos Rabadão.

Na reunião, o Governo decidiu também reforçar em 53% o financiamento da ação social no ensino superior, estimando que o valor médio das bolsas chegue a 2.600 euros anuais com as novas regras.

(notícia atualizada pela última vez às 17h11 com mais informação)

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