Tempestades atiram Altri para prejuízos de 7,3 milhões de euros no primeiro trimestre

Receitas caem 21,3% e EBITDA afunda 81,6% entre janeiro e março. Soares de Pina descreve um “contexto particularmente exigente” para a papeleira, embora já vislumbre "sinais encorajadores" de retoma.

A Altri ALTR 1,00% registou prejuízos de 7,3 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano, o que compara com lucros de 7,6 milhões que tinha registado no mesmo período do ano passado e de 9 milhões de euros nos três meses anteriores.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o grupo indica que o principal fator a afetar a rentabilidade foram as intempéries no final de janeiro e durante o mês de fevereiro, que incidiram sobretudo na região Centro e que “levaram a um ambiente operacional muito desafiante com disrupções de várias naturezas”.

O EBITDA atingiu 5,4 milhões de euros, um valor 81,6% inferior ao registado no período homólogo e 78,2% inferior ao dos últimos três meses do ano passado. Pressionadas por um volume de vendas inferior e pela evolução desfavorável do preço líquido da pasta em euros, as receitas totais tropeçaram 21,3% para 160,2 milhões de euros.

“O primeiro trimestre do ano decorreu num contexto particularmente exigente para a Altri e para o setor em geral. As condições climatéricas muito adversas registadas em Portugal com a sucessão de tempestades na envolvente das nossas bioindústrias, associadas a extensivas perturbações logísticas e a um enquadramento de mercado ainda desafiante para o setor da pasta de papel, tiveram um forte impacto, quer na nossa atividade operacional, quer nos volumes produzidos e vendidos e, naturalmente, nos resultados do grupo”, descreve o CEO José Soares de Pina.

Como consequência das tempestades, sobretudo da depressão Kristin com ventos acima dos 200 quilómetros por hora que afetaram a atividade operacional das unidades industriais, detalha que a Biotek parou 11 dias e a Celbi um dia – em ambos os casos tiveram ainda mais três dias com volumes de produção condicionados –, enquanto a fábrica da Caima teve um dia de paragem e outros seis com perturbações na capacidade produtiva.

A papeleira explica ainda que foi obrigada a adotar medidas para minimizar o impacto na receção de matérias-primas e no fornecimento a clientes, dadas as restrições nos principais portos perto das fábricas, nas estradas e na ferrovia, tendo suportado custos logísticos acrescidos, “algum aumento” nos consumos de energia por causa da instabilidade nas fábricas e uma menor produção de energia, também associada à conclusão da reparação definitiva da turbina da Celbi.

Confia em “recuperação significativa da rentabilidade”

Na nota enviada aos investidores, a empresa que passou a ter João Bento como chairman e Vítor Bento a liderar as remunerações indica que no final de março e início de abril, a “normalidade operacional encontrava-se praticamente reposta, com exceção de algumas restrições ferroviárias”, antecipando que os dados do segundo trimestre deverão mostrar uma “recuperação significativa da rentabilidade” em comparação com o arranque do ano.

José Soares de Pina diz que o grupo manteve “uma forte disciplina financeira e operacional, procurando mitigar os impactos externos através de uma continuada gestão rigorosa de custos, eficiência industrial, apesar de todas as disrupções da cadeia logística”. Em paralelo, o CEO relata “sinais encorajadores de recuperação em alguns dos principais mercados, nomeadamente ao nível da procura, bem como de uma melhoria gradual dos preços nos mercados internacionais”.

Entrámos no segundo trimestre com um enquadramento operacional mais estabilizado e com níveis de atividade dentro da normalidade, o que nos permite antecipar uma evolução mais favorável da performance operacional e económica ao longo dos próximos meses.

José Soares de Pina

CEO da Altri

A subida da dívida líquida do grupo de 329 milhões de euros no final de 2025 para 348,4 milhões no fim de março de 2026 é explicada pela Altri sobretudo pelo “aumento já expectável” no nível de investimento relacionado com projetos de diversificação como a reconversão da fábrica de Vila Velha de Ródão para produzir fibras para a indústria têxtil e a unidade de scale-up industrial da atividade da AeoniQ), conjugado com um nível de cash flow operacional inferior. Este nível de dívida equivale a um rácio de dívida líquida/EBITDA de 5 vezes.

O investimento líquido total realizado pelo Grupo Altri no primeiro trimestre de 2026 ascendeu a 14,9 milhões de euros, acima dos 9,9 milhões de euros que tinha aplicado no mesmo período do ano passado. Este valor, pormenoriza no comunicado enviado ao regulador, inclui 12,1 milhões de euros referentes a investimentos classificados como ESG, isto é, 81% do total.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Tempestades atiram Altri para prejuízos de 7,3 milhões de euros no primeiro trimestre

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião