Estrela da Amadora pede perdão de 20 milhões para evitar exclusão da Liga

Clube da Amadora avançou com um plano de recuperação para evitar a exclusão das competições profissionais. Pede um perdão que ascenderá a 20 milhões de euros. Investidores internacionais na mira.

ECO Fast
  • O Estrela da Amadora solicitou um perdão de 90% da sua dívida, que ultrapassa 25 milhões de euros, para evitar exclusão das competições.
  • O clube enfrenta dificuldades financeiras devido a investimentos elevados e pressões de credores internacionais, incluindo uma reclamação de 5,7 milhões do Flamengo.
  • A reestruturação levará o Estrela a diversificar receitas, havendo a expectativa de gerar 14 milhões de euros nas próximas temporadas, metade com a venda de jogadores.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

O Estrela da Amadora está a pedir aos credores um perdão de 90% da sua dívida, que supera os 25 milhões de euros. No plano de recuperação que submeteu esta semana no tribunal de Sintra, o emblema dramatiza a sua situação: sem este balão de oxigénio, pode ser excluído das competições profissionais.

A CFEA – Club Football Estrela, SAD argumenta que está em “situação económica difícil”, sem dinheiro em caixa para fazer face às suas responsabilidades dentro dos prazos, mas acredita estar ainda numa situação recuperável.

Segundo explica no PER, este quadro de dificuldades deveu-se não só aos investimentos elevados no estádio (comprou o recinto em 2023 por 2,6 milhões) e no reforço do plantel, mas também à pressão de credores internacionais ligados ao futebol. Fala mesmo numa “reclamação agressiva e em prazo reduzido de quantias de elevada materialidade” destes credores que “colocaram em risco a manutenção nas competições desportivas e a renovação do plantel”.

Um desses credores é o Flamengo. O clube brasileiro reclama 5,7 milhões de euros ao Estrela e já avançou com ações nos tribunais portugueses.

O Estrela diz que pode vir a estar impedido de inscrever jogadores junto da FIFA, o que impossibilitará o licenciamento pela Liga Portuguesa de Futebol para participar em competições profissionais.

O PER visa, justamente, responder a tudo isto: “Funciona, neste contexto, como instrumento de estabilização que consubstancia acordo formal de diferimento dos pagamentos e consequente regularização, a qual é reconhecida pelos regimes regulatórios desportivos (UEFA e Liga Portugal) como fundamento para considerar que não há fundamento, por esta via, para aplicação de sanções”.

Refundado em 2011, após a falência do histórico emblema dois anos antes, o ‘novo’ Estrela prepara-se para a quarta época seguida no principal escalão do futebol português.

Apoiantes do Estrela da Amadora, entoam cânticos de apoio durante o jogo da Primeira Liga de Futebol entre o Estrela da Amadora e o Santa Clara, realizado no Estádio José Gomes, na Amadora, 07 de fevereiro de 2026.JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Perdão de 20 milhões

Com dívidas superiores a 25 milhões de euros, o PER prevê medidas de reestruturação que vão penalizar sobretudo outros clubes, agentes de futebol, outros fornecedores e ainda os acionistas e administradores do clube, incluindo o presidente Paulo Lopo.

Em relação aos trabalhadores, Autoridade Tributária e Segurança Social, o Estrela compromete-se a pagar 100% do capital. Os funcionários receberão 42 mil euros nos próximos três anos (36 meses). Já as dívidas ao Fisco e Segurança Social, no valor de quatro milhões, serão saldadas no prazo de dez anos (120 meses).

Já os credores comuns e subordinados vão receber apenas 10% dos seus créditos. Ou seja, vão ter de perdoar 19,2 milhões de euros e os pouco mais dois milhões de euros a que terão direito serão pagos ao longo de seis anos. O Estrela alega que o perdão de 90% é “estritamente necessário” para poder cumprir as obrigações com o Estado e trabalhadores e preservar um “nível mínimo de investimento desportivo necessário à preservação do ativo económico”.

Explorar estádio para diversificar receitas

A renegociação do passivo vai permitir demonstrar que não tem dívidas em incumprimento junto da UEFA e da Liga, essencial para poder inscrever jogadores e participar nas competições profissionais.

A estratégia do PER passa ainda por intensificar a exploração do Estádio José Gomes através da comercialização de lugares cativos, camarotes, área corporate, hospitalidade e eventos não desportivos. O Estrela quer diversificar as fontes de receitas para estar menos dependente do desempenho desportivo de cada época.

O emblema antecipa receitas na ordem dos 14 milhões de euros nas próximas temporadas, sendo que metade corresponderá a resultados com a venda de jogadores.

O jogador do Estrela da Amadora, Bernardo Schappo (E), disputa a bola com o jogador do Santa Clara, Gabriel Silva, durante o jogo da Primeira Liga de Futebol entre o Estrela da Amadora e o Santa Clara, realizado no Estádio José Gomes, na Amadora, 07 de fevereiro de 2026.JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Alemães com investimento de 40 milhões

Esta reestruturação surge numa altura em que a SAD detida por Paulo Lopo está na mira de investidores internacionais, e que inclui alguns jogadores e ex-jogadores de futebol conhecidos, como os alemães Thomas Muller e Mats Hummels e o suíço Yan Sommer.

Segundo o jornal A Bola, estará em cima da mesa um investimento de 45 milhões de euros. “Para já, não tenho nada a dizer sobre esse assunto. O que sei é que o Estrela da Amadora é um dos clubes mais apetecíveis da Liga e é normal que apareçam interessados”, disse Paulo Lopo citado pelo jornal desportivo.

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