Petróleo, gás e até eletricidade grossista: Regulador antecipa aumento dos preços no segundo trimestre

O regulador espera agravamento nos preços de mercado do petróleo, gás natural e gás natural liquefeito, mas também nos preços grossistas da eletricidade.

A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) assinala que, no primeiro trimestre deste ano, os preços do petróleo, gás natural e gás natural liquefeito subiram todos na ordem dos 30% face ao trimestre anterior. Já em relação ao mesmo trimestre do ano passado, apenas o petróleo teve essa tendência. Olhando para o curto prazo — isto é, para os próximos três meses –, o regulador espera um agravamento nos preços de mercado do petróleo, gás natural e gás natural liquefeito, mas também da eletricidade.

O segundo trimestre deste ano traz uma subida especialmente acentuada no gás natural liquefeito, de 45,5%. Na eletricidade, a maior subida está prevista para o primeiro trimestre do próximo ano face ao período homólogo: os preços deverão disparar 75,5%.

Na última edição do Boletim das Commodities, publicado esta sexta-feira, o regulador assinala que, até ao conflito entre os EUA/Israel e o Irão, o barril de Brent apresentou uma tendência estável de preço, na ordem dos 69 dólares por barril. Este é o contrato que serve de referência na Europa e é negociado em Londres.

Contudo, a partir de 28 de fevereiro de 2026, “observa-se uma trajetória ascendente significativa”, que culminou num valor máximo de 126 dólares no final de março – a menos de 20 dólares do máximo histórico desta commodity, que foi registado em 2008, quando o barril tocou os 141 dólares. Em cadeia — ou seja, comparando os meses entre janeiro e março com os três que antecederam, o barril de petróleo valorizou 27,1%, de 63,7 dólares para 81 dólares.

Um cenário semelhante é observado no gás. “As cotações do gás natural nos hubs europeus foram igualmente condicionadas pelo conflito no Irão”, observa a ERSE. O contrato holandês, o Title Transfer Facility (TTF), subiu entre trimestres de uma média de 30 euros por megawatt-hora para 40 euros, um agravamento de 33,4%. No caso do GNL, os preços determinados pelo regulador europeu para o sul da Europa (ACER South) passaram de 28,8 euros para 37,1 euros, um salto de 28,8%. Já em termos homólogos, o alívio oscilou entre 3,4%, para o gás holandês, e 7,3%, para o GNL.

Próximos três meses são de preços mais altos

olhando aos próximos meses, o esperado é que o barril de Brent apresente preços superiores, em 8,7%, embora no primeiro trimestre do próximo ano se deva sentir um alívio de cerca de 6% face a este primeiro trimestre.

No gás natural, tanto entre abril e junho como no primeiro trimestre do próximo ano, projetam-se subidas, de 32% e 19,9%, respetivamente. O gás natural liquefeito, que tem apenas previsões em relação ao negociado no Japão, mostra o maior agravamento esperado entre os combustíveis fósseis: deve ficar 45,5% mais caro no próximo trimestre, face ao primeiro deste ano. Já no início do próximo ano, deve negociar 24,1% acima do preço que apresentou entre janeiro e março.

Eletricidade encarece com Irão e dispara no próximo ano

O pólo português para a compra grossista de eletricidade apresentou um alívio muito acentuado nos preços do primeiro trimestre de 2026, de 42,8%, face ao trimestre anterior. Em termos homólogos, a quebra é ainda maior, de 52%. O primeiro trimestre do ano terminou com um preço médio de 40,8 euros por megawatt-hora. Ainda assim, “o preço deste produto aumentou com o início do conflito no Irão”, escreve a ERSE.

Contudo, este cenário deve alterar-se nos próximos meses. Com base nos preços dos contratos futuros, a ERSE indica que entre abril e junho os preços da eletricidade em Portugal deverão subir 6,3%. Já no primeiro trimestre do ano que vem, a diferença é muito mais acentuada: os preços da eletricidade deverão ficar 75,5% mais caros do que nos três meses que marcaram o arranque de 2026, atingindo dos 75 euros por megawatt-hora.

Pedro Amaral Jorge, presidente do OMIP, entidade gestora do mercado de futuros da eletricidade, afirma que não é possível saber-se ao certo o motivo para a eletricidade estar a ser comprada, para o início do próximo ano, a um preço tão superior. Contudo, indica que uma explicação possível é que os traders estejam a antecipar que vai ser necessário queimar mais gás para a produção de eletricidade no próximo inverno, encarecendo os preços.

Consumo deveria aumentar, mas impacto da guerra está por apurar

No primeiro trimestre de 2026, verificou-se uma “redução substancial” na produção em resultado do encerramento do estreito de Ormuz pelo Irão, indica a ERSE. Em resultado da escassez da produção de petróleo e da subida dos preços nos mercados internacionais, “verifica-se igualmente uma redução do consumo mundial, embora menos acentuada”.

Já o futuro, é mais incerto, já que o regulador cita as previsões da Agência de Energia norte-americana mas acredita que estas ainda não tenham contemplado os efeitos do conflito. Para já, prevê-se um acréscimo de 1% no próximo trimestre.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Petróleo, gás e até eletricidade grossista: Regulador antecipa aumento dos preços no segundo trimestre

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião