Uma década de calvário burocrático depois, Lionesa inicia expansão de 60 milhões de euros
Autarca de Matosinhos admite entraves burocráticos. Presidente da CGD diz acreditar num “retorno económico positivo” do empreendimento, com criação de postos de trabalho "diferenciados".

Foram precisos dez anos de calvário para desbloquear o projeto de expansão para sul do Lionesa Business Hub (LBH), em Matosinhos, um investimento de 60 milhões de euros, financiado pela Caixa Geral de Depósitos (CGD). A condicionar o avanço, entraves burocráticos e “regulamentos” exigidos, reconheceu a autarca de Matosinhos, Luísa Salgueiro, a propósito do projeto que o banqueiro Paulo Macedo diz “acreditar” que “terá um “retorno económico positivo”, com atração de empresas e criação de “mais postos de trabalho diferenciados”.
Se tudo correr sobre rodas, em junho de 2028 a Lionesa “terá mais 47 mil metros quadrados de área de construção” com três novos edifícios, dois deles com escritórios — 50% deles já estão reservados — e um terceiro imóvel com 104 apartamentos, como avançou Pedro Pinto, administrador do grupo Lionesa, à margem da sessão de apresentação deste projeto da autoria do arquiteto A. Burmester.
Este crescimento do ecossistema empresarial — onde já funcionou uma antiga fábrica de sedas –, permitirá adicionar mais 3.000 empregos aos atuais 7.000 com trabalhadores provenientes de mais de meia centena de nacionalidades. Entre as 120 empresas instaladas constam a FedEx, a Oracle e a Vestas, e Pedro Pinto espera atrair muitas mais no futuro projeto que apresentou esta sexta-feira.
Mas passou uma década desde que o administrador do LBH anunciou a expansão, com os “sonhos dos empresários” a esbarrarem nos “regulamentos” que os municípios aplicam, como explicou a presidente da Câmara de Matosinhos, durante a sessão de apresentação do projeto.
“O doutor Pedro Pinto tem pressa em ver as coisas acontecerem, porque é o dinheiro que está em causa. O tempo é uma dificuldade, os regulamentos são outra dificuldade, mas creio que temos conseguido ultrapassar” todas as vicissitudes, justificou Luísa Salgueiro; argumentado com a necessidade de “cumprimento dos requisitos legais” a reboque da complexidade e burocracia dos processos.
“O licenciamento urbanístico é muito complexo; nós aplicamos vários regulamentos, consultamos várias entidades e foi preciso ouvir a cultura, a reserva ecológica, a CCDR [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional]; foi preciso a ERedes intervir”, advogou a socialista Luísa Salgueiro.
[O promotor] “tem pressa em ver as coisas acontecerem, porque é o dinheiro que está em causa. O tempo é uma dificuldade, os regulamentos são outra dificuldade, mas creio que temos conseguido ultrapassar.
“Portanto, são muitas entidades com soberania neste território, e da concertação de todas há sempre um processo moroso, complexo, burocrático que para os empresários é difícil de compreender”, clarificou, respondendo às várias contestações ao longo dos anos da parte do administrador da Lionesa. Já em março de 2024, Pedro Pinto afirmava ao ECO/Local Online esperar há já alguns anos pelo licenciamento do projeto de expansão para Sul, vincando que “as obras já deveriam ter começado há um ano”. Nessa ocasião, o empresário contabilizava os custos do projeto em 40 milhões de euros, que dois anos depois tiveram um disparo de 50%, atingindo os 60 milhões de euros.
Desde então, muita tinta correu até a relação entre a Lionesa e o município deixar de azedar. Nesta sexta-feira, o administrador e a autarca mostraram-se unânimes quanto à relevância deste projeto para a região. Luísa Salgueiro até destacou o facto de “a Lionesa contribuir decisivamente para o PIB, crescimento económico, criação de emprego e captação de talento que é tão difícil o país conseguir”. Aproveitou para assinalar que Matosinhos é o “quinto maior município em termos de economia no país”.
Igualmente Paulo Macedo reforçou a opinião da autarca em conversa com o ECO/Local Online: “A senhora presidente [da câmara] disse que o impacto seria muito relevante. Nós achamos que vai ter um retorno positivo e estamos, sobretudo, animados por se tratar de um projeto de longo prazo“.
“Este é um projeto muito importante para a região, em termos de transformação da paisagem, mas também, como tivemos a oportunidade de ouvir, do número crescente de empresas que se vêm instalar, dos postos de trabalho que serão criados, não de salários baixos, mas de pessoas muito diferenciadas e que obviamente também podem ganhar melhor”, realçou o presidente da CGD ao ECO/Local Online à margem da cerimónia.
A expansão do LBH não ficará por aqui; vai crescer para Norte, como o ECO já tinha anunciado, com o objetivo de contribuir para um estilo de vida ativo no ecossistema empresarial. Ainda sem projeto “aprovado”, como o administrador avançou esta sexta-feira, serão construídos novos equipamentos destinados à prática desportiva e de lazer, que incluem campos de padel e sports club.
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