Portugal tem apenas 2,63 trabalhadores por cada reformado, alerta Conferência Verlingue Expertise

  • ECO Seguros
  • 24 Maio 2026

A III Conferência Verlingue Expertise juntou especialistas em Lisboa para analisar os desafios do envelhecimento da população e os impactos da longevidade na sustentabilidade das pensões.

A III Conferência Verlingue Expertise, realizada em Lisboa, teve como foco a longevidade, numa altura em que Portugal está “entre os três países mais envelhecidos do mundo” e caminha para um cenário em que poderá existir pouco mais de um trabalhador por pensionista. Especialistas de vários setores debateram os desafios económicos, sociais e humanos associados à longevidade e a urgência de antecipar risco nesta conferência que contou com a participação de representantes do Instituto da Segurança Social, Universidade Católica Portuguesa, Adecco, CUF e Caixa de Previdência dos Advogados e Solicitadores (CPAS), bem como com o patrocínio da AIG, Generali Tranquilidade, MetLife e Multicare (Fidelidade).

Miguel Morgado, Professor no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, fez o discurso de encerramento da conferência.

Pedro Corte Real, presidente do Instituto da Segurança Social, revelou que existem atualmente cerca de 2,63 ativos por cada reformado em Portugal, numa tendência de redução progressiva que ameaça a sustentabilidade do sistema público de pensões. A solução, defendeu, passa por uma abordagem integrada entre os três pilares da reforma – público, ocupacional e individual – aliada a um maior investimento em literacia financeira e em soluções privadas de poupança e proteção.

No mundo do trabalho, os efeitos do envelhecimento já se fazem sentir de forma concreta. Alexandra Andrade, Country Manager da Adecco Portugal, destacou que atualmente coexistem até cinco gerações em simultâneo no mercado laboral, tornando a gestão de talento mais complexa e exigente. Com os profissionais a valorizarem cada vez mais benefícios não salariais ligados à segurança e ao bem-estar, num contexto de carreiras mais longas e incertas.

Já Alexandra Cordeiro, Health da Verlingue Portugal, defendeu uma mudança de paradigma nas organizações que avance da gestão reativa do sinistro para uma cultura preventiva que integre saúde física, mental e financeira. Esta abordagem, argumentou, reduz o absentismo, aumenta a produtividade e torna as organizações mais resilientes face a uma força de trabalho multigeracional.

Os riscos invisíveis da longevidade mereceram igualmente destaque. Pedro Mota Soares, vice-presidente da CPAS, alertou para a vulnerabilidade crescente dos trabalhadores independentes, frequentemente excluídos das redes de proteção tradicionais. Já Céline Abecassis-Moedas, da Universidade Católica Portuguesa, defendeu modelos de educação intergeracional em que as gerações mais jovens transmitem conhecimento às mais seniores, respondendo às novas dinâmicas sociais e laborais.

A dimensão humana e política da longevidade esteve no centro da sessão de encerramento. Miguel Morgado, da Universidade Católica Portuguesa, afirmou no seu discurso de encerramento que viver mais só representa progresso se estiver associado a qualidade de vida, proteção e antecipação do risco, sendo por isso necessário repensar os modelos de proteção e apoio ao longo da vida.

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