Contra Trump e capaz de fazer mexer o PIB. Bad Bunny estreia-se esta terça-feira em Portugal

Lina Santos,

"Imediatamente se sente o impacto na hotelaria, alojamento local, restauração e comercio", diz ao ECO o diretor-geral do Turismo de Lisboa sobre o impacto de Bad Bunny na cidade.

Bad Bunny no concerto de BarcelonaEPA/ Alejandro Garcia

Já chegou a Lisboa e tirou fotografias com fãs, com o capuz e os óculos escuros a esconder o rosto. Benito Antonio, ou melhor, Bad Bunny sobe esta terça-feira ao palco no Estádio da Luz para o primeiro de dois concertos em Portugal. Quarta-feira há mais.

O presidente da câmara de Lisboa, Carlos Moedas, deu as boas-vindas ao cantor porto-riquenho nas suas redes sociais e não é de estranhar. A autarquia aplaude a existência destes eventos. “Imediatamente se sente o impacto na hotelaria, alojamento local, restauração e comércio”, diz António Valle, diretor-geral do Turismo de Lisboa, ao ECO Avenida.

Ainda não há dados relativos à taxa turística e outros dados, mas a experiência diz que “as pessoas que vêm para um concerto não vêm para estar dois dias, também é uma oportunidade para dar a conhecer o destino, vêm para estar em média uma semana”, diz.

Cerca de 120 mil pessoas estarão na cidade para estes concertos e, destas, 45 mil são estrangeiras, de acordo com os primeiros dados que chegaram a António Valle. São espanhóis, na sua maioria, mas também norte-americanos e sul-americanos. E embora o Turismo de Lisboa não tenha ainda do seu lado dados concretos sobre o efeito económico, “a experiência internacional mostra que o turismo musical tem um gasto superior ao turismo tradicional de city break“, explica.

Além do impacto económico, “espectáculos como os de Bad Bunny também têm impacto na reputação do destino Lisboa”, assegura o diretor-geral do Turismo de Lisboa. “Têm um impacto na marca internacional”, diz, e acrescenta: “Depois de Lisboa ter sido reconhecida como o primeiro destino de congressos da Europa, à frente de Paris e Barcelona, reforça a capacidade da cidade como capital europeia de cultura, projeta a cidade junto de novos mercados turísticos, nomeadamente América Latina, e aproxima-nos da economia criativa”.

Segundo as suas estimativas, o retorno mediático destes concertos é comparável a 15 a 30 milhões de euros em investimento publicitário, espalhados por todos os conteúdos em torno de Bad Bunny em Lisboa que vão ser publicados nos próximos dias em todas as plataformas. “Mais do que um espectáculo musical é um fenómeno turístico, económico, mediático e gera valor duradouro para a imagem de Lisboa, cada vez mais uma cidade cultural global”.

Residência em Porto Rico, digressão pelo mundo

Lisboa é a segunda cidade europeia da digressão mundial de Bad Bunny e começa algo desfasada da realidade com estes versos de La Mudanza: “Daqui ninguém me tira, daqui não me mexo”.

Depois de uma longa residência de 30 datas no coliseu de San Juan em Porto Rico, a que chamou No Me Quiero Ir de Aquí, entre 11 de julho e 20 de setembro, Bad Bunny começou em novembro o seu périplo mundial. Primeiro, América do Sul, depois, Austrália. A 22 de maio aterrou em Barcelona, seguiu depois para Madrid e outras cidades europeias – Dusseldorf, Arnhem, Paris, Londres, Marselha, Paris, Estocolmo, Varsóvia, Milão e, finalmente, Bruxelas a 22 de julho.

A Debí Tirar Más Fotos World Tour termina mais de um ano depois de ter começado a sexta digressão da sua carreira, a maior até ao momento. Pelo meio, cantou no espetáculo do intervalo da Super Bowl e esteve na Met Gala.

Aos 32 anos, Benito António Martínez Ocasio entrou no olimpo dos artistas que, como Taylor Swift, entram num país e deixam pegada económica.

Em Porto Rico, depois de nove concertos exclusivos para os residentes locais, calcula-se que o impacto atinja os 200 milhões de dólares (171,7 milhões de euros), escreve o Expansión, citando uma organização local, a Discover Porto Rico, que diz que Bad Bunny terá conseguido impulsionar o PIB do país em 0,15%.

A mesma organização adverte que esta é uma estimativa conservadora, pois contabiliza apenas “os pacotes de hotel reservados pela produtora do concerto e não inclui quem fica alojado em hotéis ou alojamentos arrendados por conta própria”. Segundo a Moody’s Analytics, o valor dos gastos indiretos poderá chegar aos 400 milhões de dólares (343 milhões de euros). Isto durante uma época considerada baixa neste território, com quedas no número de visitantes entre 25% e 45% e o preço dos hotéis a cair 50%.

Bad Bunny nunca disse que estes espetáculos se destinavam a revitalizar a economia do país, mas sem uma única data nos EUA, os fãs norte-americanos foram ‘obrigados’ a deslocar-se para Porto Rico. Nos seus concertos começou a ser habitual ver caras muito conhecidas. De LeBron James a Kylian Mbappé, passando por Penélope Cruz e Javier Bardem.

Desta vez, e ao contrário do que se passou no passado, Bad Bunny não pisou os EUA. “As pessoas dos Estados Unidos poderiam vir aqui para ver o espetáculo. Os latinos e porto-riquenhos dos Estados Unidos também poderiam viajar para cá, ou para qualquer parte do mundo”, afirmou à revista i-D. “O ICE podia estar fora [do local do concerto]”, disse.

Esta frase (e o apoio a Kamala Harris) bastaram para que a existência de Bad Bunny importunasse Donald Trump. Na noite do Super Bowl, enquanto Bad Bunny atuava, o presidente dos EUA escrevia: “Absolutamente terrível, um dos piores, DE SEMPRE! Não faz sentido, é uma afronta à Grandeza da América, e não representa os nossos padrões de sucesso, criatividade e excelência. Ninguém entende uma palavra do que este tipo diz…”.

Se ninguém entende, pouca gente se importa. Se há recorde que Benito Antonio tem batido é o de primeiro artista latino que enche estádios. Incluindo Portugal. Deste lado do Atlântico, não restam bilhetes para nenhum dos concertos. Esgotaram em questão de horas quando foram postos à venda há um ano.

O concerto desenrola-se em dois espaços, um cenário principal e um cenário secundário, la casita, o lugar onde costumam estar celebridades e convidados especiais, e que também se pôde ver na atuação no Super Bowl. As portas do Estádio da Luz abrem às 17h00, Chuwi apresenta-se às 20h00 e o concerto de Bad Bunny começa às 21h00. A Live Nation, que organiza os concertos tinha proibido a entrada de garrafas de água no recinto, mas reverteu esta terça-feira a decisão.

Este foi o alinhamento do espetáculo em Barcelona, que, previsivelmente, será o mesmo em Lisboa.

  • LA MuDANZA
  • Callaita
  • Bamboleo
  • PIToRRO DE COCO
  • WELTiTA (con Chuwi)
  • TURiSTA
  • BAILE INoLVIDABLE
  • NUEVAYoL
  • La Casita
  • VeLDÁ
  • Tití me preguntó
  • Neverita
  • Si veo a tu mamá
  • VOY A LLeVARTE PA PR
  • Me porto bonito
  • No me conoce
  • Bichiyal
  • Yo perreo sola
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