Exclusivo Optimal mira Pandur e vai testar drone intercetor Pitbull na Ucrânia

A empresa de Alcabideche que atua no setor da produção de compósitos quer colocar a sua proteção balística nos Pandur do Exército Português. Vai testar na Ucrânia o seu primeiro drone Optimal.

Em fase de instalação da proteção balística na NRP Escorpião da Marinha Portuguesa, o grupo Optimal quer levar a sua proteção balística de materiais compósitos para outros ramos das forças armadas, tendo na mira o processo de Mid-Life Upgrade (MLU/ atualização de meia-vida) dos Pandur do Exército Português. A empresa portuguesa vai ainda testar em breve o seu primeiro drone próprio, o Pitbull, nos céus da Ucrânia.

A empresa portuguesa, que atua na produção de compósitos para o setor de Defesa e Espaço, está na fase final da execução do contrato para a instalação de proteção balística para as metralhadoras Browning da NRP Escorpião, uma lancha de fiscalização da Marinha Portuguesa. Um contrato de 29.334,59 euros, em que 23.849,26 euros correspondem ao valor do fornecimento, concorrendo com a Shamrock e a BeyondComposite, segundo informação publicada no Portal Base.

Navio Escorpião no Rio Tejo

“Estamos com algumas equipas destacadas para a execução dessa instalação, ou seja, isso está a decorrer. Obviamente, que a seguir teremos ainda a fase final de provas, de aceitação por parte da Marinha”, adianta Guilherme Bastos, responsável comercial do Optimal Group, ao ECO/eRadar.

O projeto é o primeiro fechado pela companhia no setor da proteção balística com uma força militar, mas não quer que seja o único. A solução desenvolvida pela Optimal Protection — o braço do grupo Optimal para o setor de Defesa — cumpre os requisitos STANAG, um standard NATO que define os níveis de proteção balística para os ocupantes de veículos blindados. O standard vai de um a seis níveis de proteção, tendo a solução da empresa o nível 4, o que significa que é capaz de ‘resistir’ ao embate de munições de uma semiautomática colocada em cima de um tanque.

“O STANAG nível 4 é o nível requerido pelo potencial contrato do MLU do Pandur, que está em curso”, aponta Guilherme Bastos. Um dossiê para o qual a empresa olha com “interesse”.

“A nível de proteção balística, o MLU do Pandur é um potencial contrato no qual temos interesse e, de facto, é um processo que está em curso. Não temos, obviamente, nenhuma informação a nível de quando se adjudicará uma potencial proposta”, diz.

Optimal, fábrica de componentes compósitos, em Alcabideche.Hugo Amaral/ECO

Em novembro do ano passado, o Governo aprovou a realização da despesa com o programa de modernização da frota do sistema de armas Viatura Blindada de Rodas PANDUR II 8 × 8, designado por Mid-Life Upgrade.

Os 123 Pandur do Exército estão em operação há 17 anos e, com este processo MLU, deverão estender a sua vida útil por mais 15 anos, garantindo ainda a sua interoperabilidade com os padrões da NATO. Para isso, o Governo deu luz verde “até ao montante máximo global de 283 406 300,00 euros, ao que acresce o imposto sobre o valor acrescentado (IVA) à taxa legal em vigor, com financiamento nas verbas da Lei de Programação Militar”, pode ler-se em Diário da República, com os gastos a serem feitos entre 2025 e 2033.

É nesse processo — no qual o Governo admite “oportunidade de envolvimento da indústria nacional” —, que a Optimal quer participar. Sem avançar grandes detalhes por questões de confidencialidade, a empresa quando questionada pelo ECO/eRadar para quando antecipava uma indicação sobre o seu eventual envolvimento neste processo admite que “possivelmente no segundo semestre” já terá “uma perceção melhor, mais concreta se vamos avançar ou não com esse contrato”.

Drone Pitbull testa asas na Ucrânia

Produtora anual de mais de três mil fuselagens de drones, em material compósito para clientes que depois adicionam o seu payload, a Optimal tem a ambição de colocar no mercado um drone próprio, como tinha avançado em março ao ECO/eRadar. Esse drone já tem nome, Pitbull, e vai testar a suas asas na Ucrânia.

“A Optimal iniciou com engenharia, depois passou para engenharia e produção, e hoje estamos a desenvolver o pilar de produto. E aí que entra a solução dos drones, que são plataformas complementares, é importante frisar isso, às dos nossos clientes”, diz Guilherme Bastos.

Temos um drone mais recente, estamos ainda na fase de testes, um drone intercetor. É um drone que está a ser muito fomentado e desejado no setor da Defesa, em todos os ambientes críticos operacionais, porque são drones relativamente de baixo custo, que podem intercetar outros produtos de alto valor agregado“, detalha o responsável comercial do grupo.

“É um drone intercetor e que vai preencher um gap que hoje o mercado na Ucrânia em específico não tem”, diz, sem mais detalhes sobre as capacidades do equipamento.

“Estamos a planear brevemente testá-lo no ambiente crítico na Ucrânia, justamente para que tenhamos um feedback da linha da frente do nosso produto”, adianta. Mas também querem testar este drone no ARTEx, o exercício operacional do Exército Português, que decorre em setembro, no campo militar de Santa Margarida, em Constância, e que este ano realiza-se em simultâneo como HEIDI-OPEX, o exercício operacional da Agência de Defesa Europeia.

Optimal, fábrica de componentes compósitos, em Alcabideche. Sala de prensa.Hugo Amaral/ECO

Para este drone, a empresa “ainda não tem um contrato em mãos, mas tem feito uma abordagem comercial com vários potencial players” e estes, tanto do mercado nacional, Europa e EUA, têm revelado interesse no equipamento, refere Guilherme Bastos, sem adiantar mais pormenores.

“Já temos capacidade para produzi-lo em larga escala. Já temos aqui alguns lotes de produção reservados para essa produção”, admite. “Vamos supor que nas próximas semanas tenhamos a validação e aceitação do produto e consigamos ter já o produto final 100% da maneira e com os critérios que consideramos relevantes, temos um a dois meses para fazer todo o setup da linha de produção e a partir do segundo mês desse lead time já conseguimos entregar 100 unidades por mês”, adianta.

Guilherme Bastos não revela valores de faturação do setor de defesa, mas admite que está a ganhar peso na companhia que trabalha na produção de compósitos para o setor do Espaço, mas também automóvel.

“O setor de defesa, para o Optimal Group como um todo, representa uma parcela significativa a nível de percentual de faturação”, diz. Prevemos que “até o final do ano haja aqui um crescimento em relação ao ano passado mas ainda não conseguimos precisar a nível de percentuais.”

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