BP despede chairman por “sérias preocupações” com “governação, supervisão e conduta”
Nomeado há menos de um ano, Albert Manifold foi destituído por "unanimidade", devido a "sérias preocupações" relacionadas com "normas de governação, supervisão e conduta".

- A BP demitiu Albert Manifold do cargo de chairman devido a "sérias preocupações" sobre normas de governação e conduta, com efeito imediato.
- O Financial Times sugere que a abordagem excessiva de Manifold no controle das operações foi vista como problemática por colegas, levando à sua destituição.
- Ian Tyler assume a presidência interina, enquanto a BP continua a avançar com a transformação sob a liderança da nova CEO, Meg O'Neill.
A administração da petrolífera BP anunciou esta terça-feira que decidiu “remover” de funções o chairman Albert Manifold, na sequência de “sérias preocupações” relacionadas “com importantes normas de governação, supervisão e conduta”. A decisão tem “efeito imediato” e foi tomada “por unanimidade”, de acordo com um comunicado.
Não é conhecido o teor exato das preocupações que foram suscitadas junto da administração da BP e que levaram à destituição. Mas o Financial Times dá uma pista: “A abordagem prática de Manifold foi considerada excessiva por vários colegas, que viam no nível de controlo que exercia como mais próximo do de um presidente executivo”, escreve o jornal britânico. As ações da BP estão a tombar 4,61% na bolsa de Londres, para 525,62 pence.
Citada num comunicado, Amanda Blanc, diretora sénior independente da empresa, declara que o gestor “ajudou a trazer um foco e um ritmo bem-vindos à transformação da BP”. “No entanto, o conselho ficou surpreendido e desapontado ao tomar conhecimento de problemas de supervisão e de conduta na governação que considera inaceitáveis e, por isso, tomou medidas decisivas”, acrescenta.
Manifold tinha sido nomeado para o cargo em julho do ano passado, sucedendo a Helge Lund, que presidiu o conselho de administração durante seis anos. A destituição acontece, assim, menos de um ano depois da tomada de posse, e poucos meses depois de a empresa ter nomeado Meg O’Neill como CEO, a primeira mulher a ocupar o cargo. O’Neill apoiou a decisão, segundo o FT.
Ian Tyler, que era administrador não-executivo, assume agora o cargo de chairman interino. “O conselho de administração e a equipa de liderança têm plena convicção na direção estratégica que definimos, e a empresa está a avançar rapidamente para a concretizar. A BP está a construir um histórico de forte desempenho operacional subjacente e um foco rigoroso na disciplina financeira — tudo em busca do crescimento do valor e dos retornos para os acionistas”, diz o chairman interino, citado na mesma nota.
Acrescenta ainda que “o conselho ficou muito impressionado com Meg O’Neill desde que assumiu o cargo de CEO”. “Possui uma vasta experiência no setor e em operações, bem como uma visão clara da direção e das oportunidades para a empresa. Ela já tomou medidas ousadas para simplificar e fortalecer a organização, como o anúncio da transição para um modelo upstream/downstream claramente definido. Sob a sua liderança, estamos a construir uma BP mais simples, mais forte e mais valiosa”, insiste.
Este é o segundo escândalo de governance a afetar a BP nos últimos anos. Em 2023, Bernard Looney, então CEO, viu-se forçado a apresentar a demissão, depois de ter sido divulgado que omitiu relacionamentos amorosos com colegas.
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