Mota-Engil prevê que primeiras centrais de biometano estejam a funcionar este ano
As cinco instalações, – Coimbra e Aveiro (ERSUC), Leiria (Valorlis), Amarsul (Seixal) e Valorsul (Amadora) – preveem um total de produção de até 170 GWh em 2026.
As cinco primeiras instalações de produção de biometano sustentável por via da purificação de biogás, projeto da Mota-Engil Ambiente e Energia, deverão estar a funcionar este ano, disse esta terça-feira, em Coimbra, o administrador executivo (CEO) da empresa.
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As cinco instalações, integradas em estações de tratamento de resíduos já existentes – Coimbra e Aveiro (ERSUC), Leiria (Valorlis), Amarsul (Seixal) e Valorsul (Amadora) – representam, segundo a Mota-Engil Ambiente e Energia, um potencial de valorização de 600 mil toneladas anuais de resíduos urbanos biodegradáveis e respetiva conversão em biometano, para injeção na rede nacional de gás, num investimento total de 25 milhões de euros.
Na sessão desta terça-feira, que contou com a participação do secretário de Estado Adjunto e da Energia, Jean Barroca, e incluiu uma visita ao local, nas instalações da ERSUC em Coimbra, onde a central de produção de biometano será instalada, Hugo Pereira, CEO da Mota-Engil Ambiente e Energia, classificou o investimento como “um primeiro passo relevante para o país”.
“Mas também um passo distinto nesta atividade (…) São precisos mais projetos, são precisas mais iniciativas para criar este mercado [do biometano]”, afirmou. Segundo dados divulgados esta terça, as cinco unidades do projeto “Biometano – Economia Circular ao Serviço da Descarbonização” preveem um total de produção de até 170 GWh (Gigawatt-hora) em 2026.
No entanto, e ainda segundo Hugo Pereira, a Mota-Engil Ambiente e Energia está já a trabalhar em outros cinco projetos para o horizonte 2027-2030 (um no Norte, dois no Centro, um no Sul e outro no Alentejo), que permitirão, daqui por quatro anos, atingir os 500 GWh.
Em declarações à Lusa sobre o investimento de 25 milhões de euros, Hugo Pereira frisou que se trata de “investimento da Mota-Engil para desenvolvimento deste setor. Faz parte da nossa estratégia de crescer neste setor do biometano, começámos por estes projetos e temos outros agora em vista”.
“É um investimento já relevante, estamos a dar passos firmes e sólidos e penso que vamos ser bem-sucedidos”, acrescentou. Apoiado pelo Fundo Ambiental, através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), em 8,39 milhões, o projeto das cinco primeiras unidades de purificação de biogás – um processo através do qual o dióxido de carbono e os contaminantes são retirados – permitirá, segundo a empresa promotora, “a primeira injeção de biometano à escala na rede nacional de gás natural”.
“Trata-se de uma mudança estrutural na forma como o biogás gerado a partir da fração orgânica dos resíduos é valorizado em Portugal, estimando-se um volume anual de biogás valorizado de cerca de 20,3 milhões de metros cúbicos”, adiantou. Na sua intervenção, o secretário de Estado Adjunto e da Energia lembrou que 9% do consumo em 2030 “terá de ser de biometano, através destas moléculas verdes injetadas na nossa rede, e 18% até 2040”, objetivo que Jean Barroca classificou de ambicioso.
O governante admitiu que “do ponto de vista da energia, muitas vezes, estes projetos não são, por si só, viáveis financeiramente”, exigindo, argumentou, que “a tarifa pague parte do investimento inicial”.
“E foi por isso que se fez esse despacho, que pede à Direção-Geral de Energia e Geologia que faça o estudo de qual é a estrutura tarifária que permita suportar este tipo de projetos no futuro”, declarou.
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