Para amar ou odiar. Este é o Luce, o primeiro elétrico da Ferrari

ECO,

O primeiro elétrico da Ferrari vai custar 550 mil euros, tem 5 lugares e uma autonomia de 530 quilómetros, Chega no quarto trimestre de 2026. Os investidores não gostaram.

A Ferrari já apresentou o Luce, o primeiro automóvel da marca italiana totalmente elétrico. Com ele, a fábrica de Maranello pretende alargar a base de clientes da marca de luxo. O modelo será vendido por 550 mil euros e as entregas estão previstas para o último trimestre deste ano.

A apresentação gerou grande expectativa mediática, mas não entusiasmou os investidores. As ações da Ferrari caíram 7,7 % nas primeiras negociações de terça-feira, em Milão. As reações públicas ao design, observadas nas redes sociais, também foram desfavoráveis.

Além de ser o primeiro carro totalmente elétrico da marca, o Luce é também o primeiro Ferrari com cinco lugares, tem quatro portas e bagageira de 600 litros.

Um salto em frente, diz a Ferrari

Benedetto Vigna, presidente executivo da Ferrari, disse à CNN que o modelo é o resultado de 5 anos de trabalho. Nos vídeos de apresentação do Luce, disponíveis no site da marca, acrescentam que os primórdios do desenvolvimento se encontram em 2009 com mudanças elétricas requeridas pelos carros de Fórmula 1.

Ao Financial Times, o presidente executivo afirmou que, quando a tecnologia dá um salto e que o desenho também tem de acompanhar essa mudança. “Quando se utiliza uma tecnologia que dá um salto em frente, o design também tem de dar um salto em frente”, afirmou o presidente executivo da Ferrari, Benedetto Vigna, em Roma, na apresentação do carro.

O desenvolvimento contou com a participação de Jony Ive, antigo responsável de design da Apple, e da LoveFrom, o coletivo fundado em 2019 com Marc Newson. O resultado tem linhas minimalistas, uma estrutura em forma de concha e uma silhueta marcada pelo vidro.

A própria Ferrari descreveu o desenho como “polarizador”. Enrico Galliera, diretor de marketing e comercial da Ferrari, disse ao Financial Times que a intenção foi levar ao mercado algo completamente novo e capaz de dividir opiniões.

Marc Newson, citado pelo jornal britânico, afirmou que o Luce tinha de resistir ao teste do tempo. O interior combina comandos físicos, botões e mostradores com um painel tátil, numa solução diferente da abordagem mais digital de fabricantes como a Tesla e alguns grupos chineses de elétricos.

O modelo tem quatro motores elétricos, um por roda, e entrega mais de 1.000 cavalos. Segundo a Ferrari, o Luce atinge uma velocidade máxima superior a 310 km/h, pesa mais de 2,2 toneladas e, a informação que todos os condutores de elétricos precisam: tem uma autonomia de 530 quilómetros.

Quem já viu (e ouviu) o carro nota que a Ferrari procurou responder a uma das principais críticas aos elétricos no segmento dos desportivos de luxo: a ausência do som de combustão. O Luce amplifica vibrações naturais do sistema elétrico para preservar parte da experiência sonora associada à condução de um Ferrari, diz a CNN.

Enrico Galliera disse à televisão norte-americana que, entre os clientes da marca, há compradores que procuram algo completamente diferente, para usar em diferentes momentos da vida. Ao FT, o responsável acrescentou que o cliente-alvo do Luce é alguém que já possui um automóvel elétrico. Aliás, na apresentação do Luce ficou claro que a Ferrari quer chegar a uma público diferente dos seus clientes tradicionais – metade dos convidados para o evento de lançamento não conduzia um Ferrari, quando em apresentações anteriores a proporção de potenciais novos clientes ficava geralmente entre 10 % e 20 %.

Quem é o cliente do Luce?

Benedetto Vigna defendeu que a Ferrari tem de acompanhar a mudança tecnológica com responsabilidade. O gestor apontou o interesse de um empreendedor tecnológico norte-americano na casa dos 30 anos como sinal da tentativa de captar compradores que ainda não estavam no universo da marca. A idade média dos clientes da Ferrari é de 52 anos, segundo o Financial Times.

A Ferrari também vê no Luce uma oportunidade para reforçar a presença em mercados como a China, onde os elétricos estão mais difundidos e os automóveis a gasolina de grande cilindrada enfrentam impostos elevados, analisa a CNN.

Benedetto Vigna garantiu ainda que o modelo será rentável desde o lançamento, mostrando que os fabricantes ocidentais também podem construir elétricos competitivos. Uma crítica que tem perpassado toda a indústria nos últimos anos.

O lançamento do Ferrari Luce acontece num momento de maior cautela no segmento dos elétricos de luxo. A Porsche reduziu as suas ambições neste mercado e a Lamborghini abandonou mesmo o plano de lançar o seu primeiro elétrico até 2030.

A Ferrari também tem hoje metas mais modestas de eletrificação, baixando para 20% em 2030 a percentagem de carros elétricos produzidos em Maranello. É metade do objetivo inicial, mantendo-se, no entanto, o plano de chegar aos 40 % em híbridos.

 

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