Salário médio nos ‘contact centers’ supera fasquia dos mil euros pela primeira vez

Estudo divulgado pela APCC mostra que incidência dos contratos sem termo nos 'contact centers' atingiu o valor mais elevado dos últimos anos em 2025, com mais de metade dos trabalhadores nos quadros.

Os salários praticados no setor dos contact centers têm tido um “crescimento gradual e consistente” em Portugal e, em 2025, o ordenado bruto médio mensal dos operadores superou mesmo a fasquia dos mil euros. O retrato é traçado num novo estudo da Associação Portuguesa de Contact Centers (APCC), que revela também que nesse ano a incidência de contratos sem termo atingiu o valor mais elevado desde 2022.

“As remunerações no setor continuam a aumentar de forma sustentada. Este ano, o aumento médio situa-se nos 4,1%, ultrapassando, pela primeira vez, os mil euros“, lê-se no estudo, que é divulgado esta terça-feira.

Entre os vários setores de atividade, é o dos transportes e viagens que regista um ordenado bruto médio mensal dos operadores mais elevado (1.063 euros), seguindo-se a assistência em viagem (1.030 euros) e a banca e outras instituições financeiras (1.028 euros). Já o comércio (retalho e distribuição) aparece na base dessa tabela, com um salário bruto médio dos operadores a rondar os 931 euros.

No que diz respeito aos supervisores, o novo estudo indica que a remuneração base destes trabalhadores passou de 1.312 euros para 1.344 euros. Também neste ano a assistência em viagem e os transportes e viagens são das atividades mais competitivas, como mostra o gráfico abaixo.

Esta edição do estudo da APCC inclui também, pela primeira vez, indicadores relativos à remuneração média de técnicos de qualidade e formação (1.271 euros) e coordenadores (1.727 euros), “permitindo uma visão mais completa da estrutura salarial”.

Quanto ao subsídio de refeição, a APCC destaca que também aqui tem havido um aumento da média, ano após ano, de 7,31 euros em 2023 para 7,6 euros em 2024 para 8,02 euros em 2025.

“Os valores médios mais elevados registaram-se na assistência em viagem (11,03 euros). Os valores menores, abaixo dos sete euros, estão no turismo e na Administração Pública e setor social“, é detalhado.

Mais de metade já está nos quadros

O setor dos contact centers fechou o ano de 2025 com mais de metade dos trabalhadores com contrato de trabalho sem termo (isto é, nos quadros), observa o novo estudo da Associação Portuguesa de Contact Centers.

“Em 2025, verificou-se um aumento da percentagem de contratos sem termo, que atingiu 55,8% — o valor mais elevados desde 2022 –, reforçando a perceção de elevada estabilidade no setor”, lê-se na análise agora divulgada.

Entre os demais trabalhadores, cerca de 40% dos trabalhadores estão com contratos a termos (26,9% a termo incerto e 12% a termo certo) e 5% estão com contratos de prestação de serviços e trabalho temporário.

A APCC acrescenta que a rotatividade nos contact centers estabilizou nos 23,5% em 2025, “abaixo claramente dos valores de anos anteriores, que chegou a estar próximo de 50%”. “O mesmo sucede com a antiguidade média, que estabilizou nos 53 meses“, é indicado.

Já quanto ao modelo de trabalho, há a realçar que o modelo híbrido (com combina dias remotos, com dias presenciais) tem crescido, sendo que, em paralelo, têm decrescido os regimes totalmente presenciais e totalmente remotos. “O modelo híbrido consolida-se como principal forma de organização do trabalho”, é garantido.

Por fim, olhando para a satisfação dos trabalhadores, a APCC salienta que os índices mantêm-se elevados (passou de 77% em 2024 para 78% em 2025). No entanto, o absentismo teve um ligeiro aumento após uma descida clara em 2024. “Passou agora de 7,8% para 8,3%, ainda longe dos valores a rondar os 10% de anos anteriores”, frisa a associação.

Um setor em “transformação estrutural”

O estudo agora conhecido dá conta também que 2025 marcou “o início de uma transformação estrutural no setor” dos contact centers, com uma aposta forte na inteligência artificial (IA).

“Este é o primeiro ano em que se começam a notar mudanças de fundo nos contact centers, mas ainda não é totalmente claro o rumo que esta transformação vai fazer neste setor, algo que será mais evidente nos próximos anos”, lê-se na análise divulgada pela APCC.

Em maior detalhe, os motivos para a adoção de tecnologia associada a IA concentram-se em dois grandes grupos, “crescentemente importantes”: relação com o cliente e redução de custos/ganhos de eficiência.

“As maiores dificuldades com a IA são ainda a integração de sistemas, mas com valores que têm vindo a diminuir gradualmente:
67% (-5%). Os custos de implementação e a segurança e privacidade são também significativos“, remata a APCC.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Salário médio nos ‘contact centers’ supera fasquia dos mil euros pela primeira vez

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião