Stress no crédito privado não é “risco sistémico”, mas seguradoras e fundos de pensões não estão livres de perigo
Apesar da baixa exposição do crédito privado no setor financeiro da Zona Euro, BCE alerta que seguradoras e fundos de pensões podem ser afetados por efeitos de segunda ordem.
As instituições financeiras da Zona Euro têm uma “exposição limitada” aos mercados de crédito privado, que nos últimos meses têm estado sob stress. Ainda assim, o Banco Central Europeu (BCE) avisou que alguns setores estão mais expostos a uma eventual deterioração do sentimento do mercado, nomeadamente as seguradoras e os fundos de pensões.
A turbulência nos mercados de crédito privado têm afetado sobretudo os EUA, mas agravaram os receios em relação à estabilidade financeira em geral, tendo em conta as ligações opacas do setor com o setor financeiro mais tradicional.
Porém, salienta o BCE num capítulo do Relatório de Estabilidade Financeira publicado esta terça-feira, “as instituições financeiras da Zona Euro parecem ter uma exposição direta limitada ao crédito privado”. “Isto torna improvável que o crédito privado, isoladamente, possa ser uma fonte de instabilidade financeira sistémica neste momento”, acrescenta o supervisor financeiro.
Ainda assim, a região não está totalmente livre de impactos negativos e alguns setores podem estar mais expostos de uma forma indireta, com o BCE a avisar ainda que a falta de regulamentação sobre a dimensão e concentração das exposições pode afetar o sentimento do mercado.
“Num cenário adverso, as companhias de seguros e os fundos de pensões, em particular, poderão enfrentar perdas de reavaliação mais significativas em efeitos de segunda ordem, devido a impactos mais amplos nos empréstimos alavancados, obrigações de alto rendimento e ações”, explicou o BCE.
A exposição geral da Zona Euro é pequena e está concentrada em algumas grandes instituições. A exposição das seguradoras foi estimada em 211 mil milhões de euros e dos fundos de pensões em 52 mil milhões.
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