Vitor Cunha deixa Kreab Portugal. “Vou largar a comunicação empresarial”, garante

"Mudar de vida é mudar de vida, não é abrir uma empresa ao lado", garante o até agora administrador da Kreab (ex-grupo JLM). Voltar ao jornalismo é uma hipótese.

Vítor Cunha, que em dezembro vendeu a sua participação acionista no grupo JLMA, mas que se manteve como CEO do grupo, vai deixar a Kreab Portugal. A informação foi avançada pelo próprio ao +M.

Ao fim de 22 anos, decidi mudar de vida. Vou deixar a comunicação empresarial”, garante. “Tenho vontade de fazer coisas diferentes, quem sabe voltar ao jornalismo”, admite o até agora administrador do grupo do dono da JLM&A – que adotou a designação Kreab Portugal – e da M- Public Relations, frisando o agradecimento a João Líbano Monteiro, à JLM&A e também à Kreab, a nova dona das agências.

Foram 22 anos de atividade contínua, muitos deles na gestão. Estou legitimamente cansado“, admite, acrescentando que para mudar de área, o passo tem que ser dado agora, “em tempo útil”.

Quanto ao futuro, Vítor Cunha diz ter vontade de voltar a fazer jornalismo. “É uma ideia para amadurecer“, reforça, não tendo nada fechado nesse sentido. “Vou ver as possibilidades. O jornalismo mudou e eu também. Há novas formas de comunicar, de criar histórias, de fazer reportagens e entrevistas“, comenta, passando um próximo passo por recuperar a carteira profissional, daqui a seis meses.

A hipótese de continuar a fazer comunicação é a única totalmente rejeitada. “É objetivamente impossível levar clientes. Contratualmente impossível. Mas não vou continuar a fazer comunicação empresarial, pelo que o problema nem se coloca. Mudar de vida é mudar de vida, não é abrir uma empresa ao lado“, reforça em conversa com o +M,

Ao vender os 22% que detinha no grupo, Vítor Cunha começou por se manter como administrador. “Não antecipo mudanças“, dizia em fevereiro, em entrevista ao +M, Peje Emilsson, fundador da Kreab.

O Eugenio Martínez Bravo garantirá a utilização de todos os recursos globais da Kreab, mas uma das razões da aquisição foi a gestão muito boa da JLM&A. Nas operações, às vezes as pessoas recebem novos desafios, mas temos uma tradição de pessoas que voltam à Kreab duas ou três vezes. É uma relação de longo prazo de respeito pelas pessoas. Fiquei fascinado com as equipas de Lisboa e do Porto e, em março, irei a Angola e Moçambique para sentir de perto o que está a acontecer”, prosseguia.

Questionado diretamente sobre a permanência de Vítor Cunha, Peje Emilsson respondeu que normalmente o período padrão obrigatório é de seis ou 12 meses. “Se alguém sair para um grande concorrente — algo que quase nunca aconteceu — podemos ser um pouco mais duros, mas, de resto, as pessoas não se seguram com contratos, mas sim com confiança. No entanto, é preciso ter bons contratos. Na realidade, é a confiança a longo prazo que faz as coisas funcionarem”, concluiu.

Vítor Cunha iniciou a sua trajetória profissional como jornalista, profissão que desempenhou durante mais de 14 anos. Foi redator e editor nas secções de economia, sociedade e política. Mais tarde, foi diretor-adjunto dos semanários “O Independente” e “Euronoticias”. Colaborou também em várias publicações e blogs como a revista mensal de discussão “Atlântico” ou o diário “i”. Integrou a JLM&A em 2004, na qual se manteve como administrador até agora.

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