A ambição para um país que não se resigne ao bife com batatas fritas
Talento não chega. Do futebol às empresas, da arte à cozinha, o Festival ECO mostrou que transformar equipas e mercados exige cultura, ambição e coragem para combater a acomodação e fazer diferente.
- O Festival ECO, que decorre esta quarta-feira no CCB em Lisboa, marca o arranque das celebrações do 10.º aniversário do ECO com um festival de ideias, cultura, encontros e jornalismo ao vivo, reunindo leitores, parceiros e protagonistas de diferentes áreas num encontro que cruza economia, política, cultura, liderança e inovação
Quando um festival junta diálogos improváveis entre gestores e um treinador de futebol feminino, uma designer de interiores, uma atriz, uma empresária ou uma chef, a conversa sai fora da caixa, mas há um fio comum que junta histórias de vida marcadas por ambição, determinação e uma visão sobre um Portugal que pode ser maior.
Escolha o ECO como fonte preferida no Google
Há um país onde se quebram preconceitos de género. “O Francisco e eu temos desafios muito semelhantes. Ele é um homem num desporto mais masculino a liderar uma equipa feminina. E eu sou líder numa indústria que era maioritariamente masculina. Há aqui aprendizagens e muitos elos de ligação entre os dois”, disse Ana Figueiredo, a CEO do MEO, que desafiou para a conversa no Festival ECO Francisco Neto, treinador da seleção portuguesa de futebol feminino.

Há caminho feito, mas muito ainda por fazer. O selecionador nacional afirmou que tem sido “difícil mudar a mentalidade das pessoas” relativamente ao futebol feminino. Além de quebrar preconceitos, é preciso quebrar ideias enraizadas na cultura das empresas, para construir “equipas de alta performance“, sempre com a ambição de ser líder, diz a gestora. Ajuda ter referências.
“Há 20 anos, as mulheres que jogavam futebol não tinham referências. Diziam que queriam ser o Figo ou o Baía e agora temos a Jéssica Silva, a Kika Nazareth e a Carole Costa”.
A chave está na cultura
Chegar mais longe obriga a um “permanente desconforto”, a “combater a acomodação”, que é também “o mais difícil” dentro das empresas, diz Ana Figueiredo. Para isso é fundamental ter “a cultura certa”. E qual é ela? “Disciplina, competência, ambição”.
José Rui Meneses e Castro, co-CEO e fundador do MAP Group, uma empresa de construção e engenharia com apenas 13 anos, também puxou pelo inconformismo. “Não nos podemos acomodar. Não podemos aceitar que a complacência entre dentro de nós. Temos de continuar a ser challengers” e garantir que “a inovação é permanente”.

Para Francisco Neto, a cultura é também “o que nos sustenta quando não temos resultados, e não temos sempre resultados”. É também indissociável de um ambiente de trabalho saudável.
A cultura enquanto expressão artística e património intelectual também não pode ser descurada. “Teatro, música ou artes são como o pão. É uma questão de sobrevivência, é uma questão de respirar e perceber que o mundo não é só negativo”, exaltou a atriz e encenadora Susana C. Gaspar, desafiada por Luís Pinho, country director da Helexia, a falar da descarbonização enquanto arte. Para o gestor há um paradigma sobre a sustentabilidade que está “culturalmente a mudar”.

Um bife com batatas fritas “memorável”
A chefe Marlene Vieira contou à plateia que só descobriu a cozinha portuguesa quando foi para Nova Iorque, há mais de duas décadas. “Lá percebi que a nossa cozinha é muito especial”, disse, assumindo a ambição de elevar a culinária nacional. Para isso, é preciso “criar uma experiência memorável” a quem pede um simples bife com batatas fritas. “A gastronomia faz parte da cultura e faz evoluir o país”, declarou.
Ser diferente é outra forma de ser memorável. A designer de interiores Nini Andrade Silva, que foi desafiada para a conversa por José Rui Menezes e Castro, sentou-se no palco com um adereço, para que não a esqueçam. “Assim vão pensar: é a do chapéu”.

A designer de interiores diz que não segue “nada”. “Não sigo tendências, se é tendência já não quero. Isto não é para acabar rápido. É para criar tendências, o que é mesmo muito importante”, refere a madeirense.
Quem acreditou no país foi a empresária Roberta Medina. “A primeira regra no grupo é que nada é impossível. Quando surgiu a provocação de fazer Portugal, a gente não acreditava”, explicou. No entanto, “encontrar pessoas dentro das empresas que acreditavam no sonho que a música podia transformar”, permitiu concretizar o “objetivo de construir um Rock in Rio” diferente. A confiança no futuro é inabalável: “Daqui a cinco anos, vai ser sem dúvida o evento de referência do verão europeu”.

Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
A ambição para um país que não se resigne ao bife com batatas fritas
{{ noCommentsLabel }}