Cultura e jornalismo como formas de fazer pontes e pensar a sociedade
Arranque do Festival ECO ficou marcado pelas intervenções de António Costa e de Margarida Balseiro Lopes, ministra da Cultura.
- O Festival ECO, que decorre esta quarta-feira no CCB em Lisboa, marca o arranque das celebrações do 10.º aniversário do ECO com um festival de ideias, cultura, encontros e jornalismo ao vivo, reunindo leitores, parceiros e protagonistas de diferentes áreas num encontro que cruza economia, política, cultura, liderança e inovação.
“A cultura deixou há muito de ser vista como periférica e isolada do resto da sociedade”, afirmou a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, falando na abertura do Festival ECO. Para a responsável, “falar de cultura é também falar de desenvolvimento, atrair talento, criar emprego qualificado e valorizar territórios e comunidades. A cultura é hoje também um setor estratégico“, reforçou.
Margarida Balseiro Lopes afirma que “investir na cultura é investir na capacidade de pensar o futuro do país”.
Esta foi, aliás, uma ideia que cruzou a sua intervenção com a de António Costa, diretor do ECO, que salientou o papel que o jornalismo tem a desempenhar na nossa sociedade.
“A cultura não vive à margem da economia, da transformação social, ou como um país se afirma internacionalmente, pela sua criatividade”, salientou. Porém, “a cultura deve ser mais próxima, mais acessível e mais presente na vida de todas as pessoas”. Porque, sustenta, tem o papel de “reforçar a coesão territorial”, contribuir para a “internacionalização da criação artística portuguesa”, é um ativo “estratégico para projeção externa do país”, e para isso é necessário “remover barreiras e tornar a cultura acessível a todos”.
A ministra da Cultura, aproveitou o conceito do Festival ECO, que junta responsáveis de áreas muito diferentes, para lembrar que “este é um espaço de encontro e perspetivas de áreas que foram pensadas, durante muito tempo, de forma separada”. E nesta época de “transformações profundas e aceleradas”, nos âmbitos da tecnologia, economia, sociedade e da cultura, isso “altera a forma como comunicamos, trabalhamos, consumimos informação e agimos no espaço público”. “Os grandes desafios do nosso tempo não podem ser compreendidos de forma isolada”, rematou. “O desenvolvimento do país não se constrói de forma fragmentada, mas sim criar pontes, perspetivas diferentes, de diálogo”.
“Um festival de jornalismo, é o que nos propomos ter aqui hoje neste dez anos”, afirmou o diretor do ECO, António Costa, num dia em que pessoas de várias áreas diferentes “nos vão ajudar a pensar o país e cruzar temáticas”.

“Ouvimos que a IA vai ser a mote do jornalismo e de tudo”, disse António Costa, mas está otimista: “O valor do jornalismo não mudou”, ainda que a economia do jornalismo esteja a mudar. “A distribuição deixou de ter o atrito que tinha há uma década. Produzir informação tornou-se mais simples e mais rápido”.
O que não mudou é que “confiança continua a ser o valor crítico para a afirmação do jornalismo e dos jornalistas. Por isso é que continuo a ser otimista”, afirmou o diretor do ECO. “Há desafios mas creio que para uma marca de informação a credibilidade e a confiança é o valor crítico”, reformou, assinalando também a importância de um jornalismo independente. “Não há democracia sem um jornalismo independente”.
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