Miguel Cardoso Pinto x Joana Pitanga. Pintar murais em empresas para colorir mentes
Miguel Cardoso Pinto, líder da EY-Parthenon, e Joana Rodrigues, ilustradora e muralista conhecida como Pitanga, debateram no Festival ECO o tema: “Se o mundo fosse um mural, o que seria?”.

- O Festival ECO, que decorre esta quarta-feira no CCB em Lisboa, marca o arranque das celebrações do 10º aniversário do ECO com um festival de ideias, cultura, encontros e jornalismo ao vivo, reunindo leitores, parceiros e protagonistas de diferentes áreas num encontro que cruza economia, política, cultura, liderança e inovação
Liberdade artística dentro de uma empresa tradicional, como uma auditora, gera imaginação, paixão e criatividade entre os profissionais. Foi o que concluiu a EY, depois de desafiar a ilustradora e muralista Joana Rodrigues, mais conhecida como Pitanga, a criar um mural colorido nas paredes do seu novo escritório, em Lisboa. “Era uma vez” é um tributo ao encontro entre mundos, à fusão de cores, histórias e vivências.
O mesmo que foram os palcos do Festival ECO. No principal, do CCB, o líder da EY-Parthenon Portugal disse que o trabalho da artista para a Big Four foi a forma de “trazer a paixão de casa para o escritório”.
“Acreditamos que há uma ligação muito forte da criatividade com a arte e que essa ligação traz resultados relevantes. É fácil atrair talento, o difícil é despertar a criatividade das pessoas quando vão trabalhar”, explicou Miguel Cardoso Pinto.
E a ilustradora está a colher frutos. Joana Pitanga admitiu que foi contactada por outras empresas, clientes da EY, por terem gostado da sua obra exposta na Alcântara. “Não é uma empresa pioneira em ter presente a arte urbana nos seus edifícios, mas é uma empresa que aposta mesmo muito na arte”, tanto que a expõe em vários andares, salientou.
“É um escritório lindíssimo onde tiveram o cuidado de proporcionar bem-estar aos seus colaboradores e de ter presente esta questão da arte, não só a pintura, mas também a escultura e a arquitetura”, elogiou.
Tudo tem uma explicação. Segundo o líder da EY-Parthenon em Portugal, Miguel Cardoso Pinto, “a arte (sejam livros ou música) tem a capacidade de ligar emoções e sentimentos” e “despertar curiosidade ou algo de novo no que as pessoas fazem”, portanto “ver murais” e estar em contacto com “outras obras de arte obrigam as pessoas a olhar para o mundo e a pensar de forma diferente”.
As composições artísticas num contexto corporativo funcionam como “provocações e estímulos” para que os trabalhadores se sintam “envolvidos no espaço onde passam grande parte do seu tempo”.
“Trazer arte urbana para dentro de uma instituição é algo que o nosso país não aposta tanto. Uma obra na rua é para todos, para quem passa e para todas as faixas etárias, mas quando estamos a trabalhar indoor o público é quem habita o espaço”, concluiu a ilustradora e muralista, que ainda “faz tudo à antiga”.
Os perfis
- Miguel Cardoso Pinto é o líder da EY-Parthenon, a divisão de consultoria de gestão estratégica da EY, em Portugal, Angola e Moçambique. Há mais de 20 anos que trabalha enquanto consultor estratégico, sendo que antes de entrar para a Big Four foi diretor da Strategos Ibéria. Pai de três filhos, é apaixonado por livros e música, adepto de rugbi e, mais recentemente, iniciou-se na prática de triatlo.
- Joana Rodrigues, mais conhecida como Pitanga, nasceu em Almada e é uma artista plástica portuguesa ligada à ilustração, pintura mural, street art e customização. Depois de trabalhar em agências de design, iniciou em 2012 um percurso independente marcado por murais coloridos, live painting e colaborações com marcas como Vans, Adidas e O Boticário.
O momento de humor
Miguel Cardoso Pinto protagonizou um momento mais cómico durante o debate para mostrar que é normal e positivo apreciar peças artísticas, mas não precisamos de nos deixar consumir por elas ou pela necessidade de estar em todos os museus, ver todos os filmes no cinema, assistir às peças de teatro que acabaram de entrar em cena. “Quando vamos ao Louvre, por vezes, quando vemos tanta arte, ao fim de meia hora já só queremos ir beber uma cerveja lá fora”, brincou o consultor.
O momento de tensão
Joana Pitanga deixou a audiência com um ‘frio na barriga’ quando contou que, ao passear na rua, se deparou com uma sua obra em Lisboa que foi vandalizada. Ainda assim, a ilustradora e muralista admitiu que apreciou o graffiti que fizeram por cima do seu trabalho, porque a obra acabou por ficar “como se fosse o fundo”.
“Até achei que estivesse organizado e bonito”, confessou a artista. Tentando perceber a motivação dos vândalos, Joana Pitanga conjeturou que aquele fosse um “local icónico” para grafiters e, como a câmara municipal o entregou a outro género de arte, acharam que o espaço que pertencia à gente dali havia sido apropriado.
A ideia para o futuro
A mensagem deste painel que ficou para os próximos tempos foi direcionada para as empresas: sigam o mesmo exemplo e invistam na arte dentro de espaços considerados mais institucionais, porque “a arte é mesmo para todos”. Porém, é necessário que as equipas de gestão incluam esse desígnio nos seus planos estratégicos ou orçamentos. Segundo o líder em Portugal da EY-Parthenon em Portugal, na consultora liderada por Miguel Farinha houve “um alinhamento grande entre a liderança e os movimentos de criatividade”.
As frases
Trazer arte urbana para dentro de uma instituição é algo que o nosso país ainda não aposta tanto.
As pessoas sentem-se mais ligadas por um propósito do que um emprego ou fazer uma tarefa.
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