“A cooperação é a chave” para inovar o setor naval europeu
Líderes de grupos navais europeus debateram no AED Days como inovar a indústria marítima na Europa e quais os desafios associados na cooperação entre empresas do setor.
“A Europa deve estar unida, é o único caminho a seguir. Deve criar um ecossistema, sem competição, que aumente a cooperação”, atirou GianLuca Usai, country manager Naval Vessels Division da italiana Fincantieri — uma das empresas na corrida para vender fragatas ao Estado português — durante o painel “Maritime Readiness – Innovation, Industrial Cooperation and Operational Challenges”, que decorreu esta quinta-feira no AED Days, no Estoril.
E não é o único a defender essa posição. Para Harm Kappen “a cooperação entre empresas”, tanto públicas como privadas, “é a chave” para acelerar o desenvolvimento de produção do setor naval, justificando que as empresas ao firmarem parcerias “criam confiança. “É como um investimento, que pode trazer benefícios no futuro”, disse o diretor comercial da Damen Shipyards Group, estaleiro dos Países Baixos que está a construir, na Roménia, o NRP D. João II, o ‘porta-drones’ para a Marinha Portuguesa.
Para Louis Deltour, business development director de Drones, Autonomous and Collaborative Systems do Naval Group, se as empresas do setor se apenas trabalharem com “um requisito 100% doméstico”, poderá “fechar algumas portas” a parceiros estrangeiros. “É importante haver oportunidade de discutir” entre empresas de outros setores e de outros países europeus, não apenas a nível nacional, de forma a promover a cooperação dentro do bloco europeu, defendeu.
“Na Europa, a cooperação ainda é um desafio” alertou Gerrit van Tillborg, diretor do departamento Above Water Systems PRT Naval da Thales. Gerrit vincou que o bloco europeu tem de “definir muito bem como trabalhar em conjunto”, sublinhando que “as relações governamentais ajudam” neste processo de cooperação providenciando “estabilidade na cadeia de fornecimento”.
Gian Luca defendeu que o Velho Continente precisa de “incluir as Forças Armadas” neste processo, impulsionado a cooperação militar entre países, além da cooperação entre empresas marítimas privadas. O executivo da Fincantieri vincou que uma empresa “não deve tentar fazer tudo” sozinha, mas deve focar-se em desenvolver “algo de alto nível, de alta qualidade” e depois “partilhar a operação” com outros grupos europeus para alcançar o objetivo final.
Nesse sentido, Louis Deltour acredita que a Europa tem de se unir para “acelerar a inovação” e, desse modo, responder às necessidades de investimento em equipamentos navais.
Harm Kappen salientou que o continente conseguirá alcançar a “tecnologia adequada” para melhorar as suas frotas apenas através da cooperação entre os produtores de equipamentos militares navais europeus. Contudo, o diretor comercial da empresa neerlandesa alertou que, para alcançar a cooperação — desejada pelos quatro elementos do painel — “a indústria precisa de se readaptar alinhada com a reconfiguração” das marinhas da Europa.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})
“A cooperação é a chave” para inovar o setor naval europeu
{{ noCommentsLabel }}