Administração da Lusa propõe aumento salarial de 280 euros em quatro anos
A proposta de novo acordo de empresa foi apresentada na tarde desta quinta-feira. Entretanto, os trabalhadores receberam um aumento de 56,58 euros, com retroativos a janeiro.
O conselho de administração da Lusa denunciou esta quinta-feira o acordo de empresa, que estava em vigor desde 2009, e apresentou esta tarde aos sindicatos e à comissão de trabalhadores uma proposta para um novo acordo que rege a relação entre empresa e trabalhadores. Entre as medidas previstas, que entram agora em fase negocial, está o aumento de 70 euros/mês ou 3,2% – quando mais vantajoso para o trabalhador – nos próximos quatro anos, num total de 280 euros/mês, e a subida do subsídio de transporte em 11 euros, para o equivalente ao valor do passe familiar (80 euros), lê-se num comunicado da administração, ao qual o +M teve acesso.
“O objetivo desta proposta para um novo Acordo de Empresa é capacitar os recursos da Lusa face aos desafios atuais e futuros, através de uma solução mais estrutural, em vez de medidas casuísticas“, justifica a administração liderada por Joaquim Carreira.
“As medidas agora propostas pretendem dotar a empresa de uma maior capacidade de atração de novos talentos, um maior poder de retenção de recursos humanos e sua capacitação e também de um maior reconhecimento do mérito profissional”, prossegue o comunicado, acrescentando que “uma política de avaliação regular, com distribuição de prémios, que espelhe uma evolução atrativa e compensatória, são fatores indispensáveis que não se encontram adequadamente refletidos no atual Acordo de Empresa”.
Entretanto, nos salários deste mês, os trabalhadores da Lusa que recebem até 2.631,62 euros vão ser aumentados em 56,58 euros, com retroativos a janeiro. Nos salários superiores, o aumento é de 2,15%.
“O investimento de 5 milhões de euros, agora aprovado pelo Governo para a Lusa no âmbito do aumento do capital social, visa a modernização tecnológica e a valorização dos nossos recursos humanos, permitindo o reforço da nossa presença nacional e internacional”, justifica ainda o comunicado.
Deste montante, três milhões serão aplicados na modernização tecnológica e os restantes dois milhões em recursos humanos. Neste campo, estará a ser estudado um plano de rescisões voluntárias, mas também o reforço da rede regional e internacional de jornalistas.
Esta manhã, recorde-se, o JN avançou, e o +M confirmou que o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, autorizou a agência Lusa a aumentar os salários dos seus trabalhadores, “nos termos aplicáveis ao setor empresarial do Estado”.
“Esta decisão surge num momento particularmente importante para a Agência, antes da aprovação do Plano de Atividades e Orçamento para 2026 e das negociações salariais”, avançava fonte do gabinete do ministro da Presidência ao +M .
A notícia surge uma semana depois do dia de greve dos trabalhadores da Lusa a 20 de maio, devido “ao desacordo com os estatutos da agência”.
Sindicatos contestam denuncia do acordo de empresa
Entretanto, o Sindicato dos Jornalistas, Sindicato dos Trabalhadores do Setor de Serviços
e o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Centro-Sul e Regiões Autónomas já contestaram o a denuncia do acordo de empresa. “O conselho de administração assumiu de forma expressa aos sindicatos que só haverá um aumento de 70 euros em 2026 ou outro valor que venha a resultar das negociações se e quando houver entendimento em relação ao novo Acordo de Empresa”, o que consideram “uma chantagem inaceitável sobre os trabalhadores”.
“Esta estratégia visa condicionar aumentos a alterações do AE que podem durar anos, fingindo negociar um Caderno Reivindicativo quando, afinal, aplica a atualização mínima sem nunca dar conta disso aos sindicatos ou sem fazer qualquer negociação“, prosseguem, concluindo que afinal, em vez da “‘valorização histórica’ falada pelo ministro da Presidência, “‘histórico’ é uma empresa pública tão importante como a Lusa fazer a denúncia do Acordo de Empresa, no que pode ser entendido como um ato político que objetivamente não procura a paz social”.
*Notícia atualizada com a posição dos sindicatos
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