Carneiro reage às buscas: “Tudo farei para que a legalidade seja defendida”
José Luís Carneiro garante que o PS vai cooperar com a Justiça e adiantou que a informação que tem sobre a 'Operação Imergente' é "muito escassa". Diz também que ainda não falou com os suspeitos.
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, garantiu esta quinta-feira que tudo fará para que a “legalidade” seja defendida e promovida em todos os níveis do PS. “Quero garantir que tudo farei que a legalidade seja defendida e promovida em todos os níveis de responsabilidade do PS seja a nível local, seja a nível nacional”, disse, em declarações nos Passos Perdidos, no Parlamento.
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Em causa estão as buscas levadas a cabo durante esta quinta-feira pela Polícia Judiciária (PJ) em câmaras municipais, freguesias em Lisboa, Mafra, Oeiras e Coimbra e na sede do PS no âmbito da “Operação Imergente“. O inquérito tem por objeto principal “a investigação de factos relativos a adjudicações por autarquias, cujo valor global ascende a dois milhões de euros” e ainda a “emissão de faturas para recebimento indevido, por dois suspeitos, de quantias de partido político“, segundo o Ministério Público.
José Luís Carneiro insistiu que o PS colaborará “de forma leal” com a investigação e afirmou que o partido já cooperou durante as diligências realizadas ao longo da manhã. “Cooperaremos, como aliás fizemos durante a manhã, com as autoridades judiciárias para que todos os factos sejam cabalmente apurados”, declarou.
Cooperaremos, como aliás fizemos durante a manhã, com as autoridades judiciárias para que todos os factos sejam cabalmente apurado.
O secretário-geral socialista defendeu ainda que, caso venham a ser apurados ilícitos criminais, os responsáveis devem responder perante a Justiça. “Se houver cometidos crimes, todos os responsáveis devem naturalmente ser responsabilizados pelos mesmos”, afirmou.
José Luís Carneiro procurou associar a posição do PS à defesa do Estado de Direito e ao respeito pela atuação das autoridades judiciais. “Esse é o nosso dever em defesa daqueles que são os princípios basilares do Estado de Direito Democrático”, afirmou, acrescentando que “defender o Estado de Direito Democrático é colocar do lado das autoridades para garantir que a legalidade é cumprida em todos os níveis de responsabilidade”.
O líder socialista sublinhou várias vezes que dispõe apenas de informação limitada sobre a investigação e remeteu para os dados já conhecidos publicamente através da comunicação social. “Os factos conhecidos até agora são escassos”, afirmou, acrescentando existir “escasso conhecimento dos factos e da sua extensão e dos seus responsáveis”.
Perante esse cenário, José Luís Carneiro considerou prematuro retirar conclusões políticas ou comentar eventuais responsabilidades individuais. “Temos de aguardar as diligências das autoridades, cooperar com elas e procurar que todos os factos sejam apurados”, declarou, quando questionado pelos jornalistas se confirma a detenção do seu diretor de comunicação, Duarte Moral.
José Luís Carneiro disse não ter falado com nenhum dos envolvidos e recusou pronunciar-se sobre situações concretas sem conhecimento detalhado dos factos. “Não pude falar com os visados”, afirmou, acrescentando que as únicas informações de que dispõe são “aquelas que são do domínio público, por intermédio da comunicação social”.
O líder socialista reiterou também que não pretende fazer comentários precipitados enquanto decorrem as diligências. “Não me quero pronunciar sem poder falar com os visados”, afirmou.
José Luís Carneiro defendeu ainda a autonomia da atuação judicial e disse que compete às autoridades decidir o momento adequado para a realização das diligências. “As autoridades judiciárias devem desenvolver o seu trabalho, como sempre disse, no momento que consideram oportuno”, declarou.
Os arguidos da “Operação Imergente” são suspeitos da prática dos crimes de prevaricação, participação económica em negócio, peculato, abuso de poderes, burla qualificada, falsificação de documento e fraude fiscal qualificada, precisou o DIAP Regional de Lisboa. A PJ anunciou que existem cinco detidos e 37 arguidos.
O caso já levou à suspensão do mandato pelo socialista Miguel Coelho de deputado à Assembleia Municipal de Lisboa, na sequência de investigações sobre adjudicações, inclusive na Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, dizendo que se defenderá “com a consciência tranquila”.
De acordo com a CNN, um dos detidos é Duarte Moral, assessor de José Luís Carneiro e que exerceu funções em gabinetes de António Costa. Uma informação que o secretário-geral se escusou a confirmar.
(Notícia atualizada às 15h20)
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