Smart quer reinventar a mobilidade urbana elétrica

  • ECO
  • 28 Maio 2026

Bernardo Villa, diretor-geral da Smart em Portugal é o convidado do décimo quarto episódio da nova temporada do podcast ECO Auto sobre o futuro da mobilidade, parceria entre o ECO e o Mundo Automóvel.

Bernardo Villa, licenciado em economia, tem uma longa carreira no setor automóvel com responsabilidades nas áreas de vendas e marketing. Há 25 anos integrou a equipa de projeto que fez o lançamento da Smart em Portugal, sendo atualmente o líder da marca no nosso país.

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Neste episódio ECO Auto, Bernardo Villa reflete sobre a forma como a mobilidade está a mudar e traça uma visão muito objetiva sobre a evolução da indústria automóvel e sobre a forma como a própria Smart se reinventou para responder a um novo tempo. “O automóvel está a atravessar uma das maiores transformações da sua história”.

Mais do que uma mudança tecnológica, trata-se de uma mudança cultural, industrial e social, onde a digitalização, a eletrificação e os novos modelos de mobilidade estão a redefinir a relação entre as pessoas, as cidades e o automóvel.

Segundo Bernardo Villa, os últimos anos aceleraram uma transformação profunda na sociedade, impulsionada pela pandemia e pela instabilidade geopolítica e económica. Nesse contexto, o automóvel tornou-se inevitavelmente mais tecnológico, mais digital e cada vez mais dependente do software. “Hoje temos praticamente um telemóvel com rodas”, resume.

Bernardo Villa, diretor-geral da Smart em Portugal

Essa visão ajuda a perceber o novo posicionamento da Smart, uma marca que foi pioneira na mobilidade urbana e que decidiu, ainda em 2019, tornar-se totalmente elétrica, antecipando uma mudança que hoje domina toda a indústria e que marcou uma mudança estrutural da marca. A parceria entre a Mercedes-Benz e a Geely surge como um dos pilares dessa transformação, combinando design e qualidade europeia com a capacidade tecnológica e industrial do universo chinês.

A Smart procurou manter o ADN disruptivo que sempre caracterizou a marca, mas adaptando-o a uma nova geração de consumidores mais digitais, mais conectados e mais exigentes em termos tecnológicos. A marca cresceu para novos segmentos, mantendo uma abordagem focada na inovação, no software e numa experiência cada vez mais integrada entre o digital e o físico.

Sobre o #2, futuro sucessor do histórico Smart ForTwo, Bernardo Villa revela que fará a sua estreia no Salão de Paris e considera que revela o regresso às origens da Smart. A ideia passa por “recuperar o conceito de mobilidade urbana compacta, mas agora com uma nova base tecnológica, plataformas elétricas avançadas e capacidades digitais muito superiores às da geração original”.

O objetivo da marca passa também por democratizar o acesso à mobilidade elétrica urbana, com um posicionamento competitivo que poderá aproximar-se dos 20 mil euros, entrando num segmento que hoje enfrenta uma concorrência muito mais intensa do que no início da história da Smart.

O conceito de automóvel definido por software, como as atualizações “over-the-air” estão a mudar completamente a relação entre fabricantes e consumidores e adianta, “os automóveis passam a evoluir depois de saírem do concessionário, recebendo novas funcionalidades”, melhorias de desempenho e atualizações remotas, tal como acontece hoje com os smartphones.

Na prática, significa ciclos de desenvolvimento mais rápidos, produtos mais dinâmicos e uma relação mais próxima entre marcas e utilizadores e conclui que o carro deixa de ser um produto estático e passa a ser uma plataforma tecnológica em permanente evolução.

Bernardo Villa considera que Portugal tem acompanhado de forma positiva o crescimento da infraestrutura de carregamento e destaca a importância da capilaridade da rede para acelerar a adoção dos elétricos, sublinhando que o verdadeiro desafio já não está apenas na autonomia das baterias, mas sobretudo na velocidade de carregamento. É precisamente onde a evolução tecnológica ganha relevância, “com plataformas de 800 volts, os novos modelos conseguem tempos de carregamento extremamente reduzidos, aproximando cada vez mais a experiência elétrica da conveniência de um automóvel convencional.”

Apesar de reconhecer a enorme evolução tecnológica já existente no domínio da automação, Bernardo Villa mostra-se prudente relativamente à massificação da condução totalmente autónoma nos próximos dez anos, sobretudo na Europa.

A questão tecnológica poderá ser resolvida, mas permanecem desafios éticos, legais e infraestruturais que continuam por ultrapassar, mas admite que a mobilidade do futuro será cada vez mais partilhada, integrada e intermodal, sobretudo em ambiente urbano. Modelos de utilização flexível, car sharing e soluções on-demand deverão ganhar relevância “embora o ritmo dessa transformação dependa também da evolução dos transportes públicos e da adaptação das cidades”.

O Podcast ECO Auto resulta de uma parceria com o Mundo Automóvel e está disponível no Spotify e na Apple Podcasts.

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