Troca de ataques fragiliza otimismo sobre acordo de paz e faz subir preço do petróleo

Apetite pelo risco desce com novos ataques americanos e iranianos, levando petróleo a subir e ações e ouro a recuarem.

ECO Fast
  • O cessar-fogo no Médio Oriente permanece instável, com ataques aéreos entre o Irão e os Estados Unidos a intensificarem-se, elevando os preços do petróleo.
  • Os preços do barril de Brent subiram 2,75% para 95,88 dólares, refletindo a fragilidade da situação entre os dois países e a pressão nos mercados.
  • A incerteza sobre a reação dos consumidores aos preços elevados da energia poderá impactar a rentabilidade das empresas na segunda metade do ano.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

O cessar-fogo no Médio Oriente continua frágil com Irão e Estados Unidos a trocarem ataque aéreos ao mesmo tempo que tentam chegar a entendimento que permita a reabertura do crucial Estreito de Ormuz. Esta quinta-feira, em reação à escalada de ataques, os preços de petróleo sobem e os da ações sobem, com os investidores a afastarem-se de ativos de risco.

“O apetite pelo riscou diminuiu, com o petróleo a ser impulsionado por novos (mas limitados) ataques dos EUA ao Irão”, afirmaram os analistas do Lloyds Bank.

A Guarda Revolucionária Islâmica anunciou que atacou uma base aérea norte-americana, na sequência do que descreveu como um ataque norte-americano ocorrido de madrugada perto do aeroporto de Bandar Abbas, segundo noticiou a agência Tasnim. Advertiu ainda que qualquer repetição do que designou como “agressão” suscitaria uma resposta “mais decisiva”.

As forças armadas dos EUA lançaram novos ataques no Irão contra uma instalação militar que, segundo as autoridades, representava uma ameaça para as forças americanas e para o tráfego marítimo comercial no Estreito de Ormuz, disse uma autoridade norte-americana à Reuters.

O ambiente nos mercados “mudou completamente nas últimas horas, com o petróleo a recuperar e as ações em queda, depois de os EUA terem levado a cabo mais uma série de ataques defensivos e imposto sanções que impedem o Irão de lucrar com o tráfego no Estreito de Ormuz”, referiram os analistas do Deutsche Bank,

O preço do barril de Brent sobe 2,75% para 95,88 dólares cada, isto após ter caído 5,31% na quarta-feira para mínimos de um mês nos 94,29 dólares. Por sua vez, a cotação do barril de crude WTI ganha 2,11% para 90, 79 dólares.

A subida dos preços do petróleo põe em evidência a fragilidade da atual situação de “nem paz, nem guerra” entre os Estados Unidos e o Irão

Simon-Peter Massabni

Diretor de desenvolvimento de negócios da XS.com

Na Ásia, a incerteza retirou algum fôlego ao bull run provocado pelo setor tecnológico nos mercados bolsistas, com o japonês Nikkei a registar uma queda de 1,4%, enquanto as ações sul-coreanas no índice Kospi caíram 3,2%. O índice mais abrangente da MSCI para as ações da Ásia-Pacífico, excluindo o Japão registou uma queda de 2,1%.

As bolsas europeias seguiram a deixa das asiáticas, com o abrangente Stoxx Europe 600 a recuar 0,66%. Companhias aéreas sensíveis aos preços da energia, como a Air France e a Ryanair perdem cerca de 2%.

“Se olharmos para o que as empresas fizeram com os seus lucros, não houve alterações reais nas orientações. A grande incerteza é como o consumidor reagirá aos preços mais elevados da energia na segunda metade do ano», afirmou James Rutland, gestor de fundos da Invesco à Reuters. “Mas, até ao momento, ainda não vimos qualquer impacto real na rentabilidade das empresas, mas tenho a certeza de que haverá algum”.

O índice britânico FTSE lidera as perdas com uma descida de cerca de 1%, com as principais praças europeias no ‘vermelho’, incluindo a de Lisboa, a cair 0,38% depois de ter aberto em alta.

Ouro em mínimos de dois meses

Entre outros ativos, o preço do ouro cai para o nível mais baixo dos últimos dois meses com o alimentar de preocupações com o aumento da inflação e obscurecendo as perspetivas para as taxas de juro. A onça de ouro ‘spot desce 1,5%, para 4.391 dólares por onça.

O dólar americano registou uma ligeira subida na quinta-feira, depois de ter atingido o seu nível mais alto desde o início de abril. O índice do dólar, um indicador do seu valor em relação a um cabaz das principais moedas estrangeiras, sobe 0,11%, para 99,33, depois de ter atingido os 99,546 durante as negociações na Ásia, o valor mais elevado desde 7 de abril.

Foco na inflação dos EUA

A atenção volta-se agora para os dados relativos às despesas de consumo pessoal (PCE) dos EUA, que incluem o indicador de inflação preferido pela Reserva Federal (Fed). Os analistas esperam que os custos mais elevados dos combustíveis elevem o PCE global para um máximo de três anos de 3,8%, enquanto a inflação subjacente deverá subir 0,3% para 3,3% em termos anuais, bem acima da meta de 2% da Fed.

Esta aceleração tem levado mais decisores da Fed a apelar à abandonada da sua tendência para a flexibilização, ou mesmo a preparar-se para um aumento das taxas de juro.

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