“Um líder empático não é necessariamente um líder que não olha para resultados”
Joana Proença de Carvalho acha "impensável" que hoje se aplique ditado "trabalho é trabalho, conhaque é conhaque", mas atira que não pode faltar aos líderes foco nos resultados.
Houve uma fase em que “pouca preocupação” havia, da parte dos líderes, com o que as pessoas sentiam. O ditado “trabalho é trabalho, conhaque é conhaque” estava, então, em voga, e a prática mais comum era (tentar) que os problemas pessoais ficassem mesmo à porta do escritório. No novo episódio do podcast “Trinta e oito vírgula quatro”, Joana Proença de Carvalho atira, contudo, que hoje tal é impensável. A empatia e humanidade são competências exigidas aos líderes atuais, ainda que o foco nos resultados não possa ser descurado, atira.
“Hoje, cada vez mais, a um líder pede-se empatia, humildade, humanidade, competências que há 20 anos não se pediam. E a capacidade de adaptação e resiliência são críticas para a liderança hoje“, frisa a partner country manager para Portugal da Ackermann, uma das principais consultoras internacionais especializadas em recrutamento executivo.
-
Joana Proença de Carvalho, Managing Partner da Ackermann, em entrevista ao podcast do ECO "Trinta e Oito vírgula Quatro" Hugo Amaral/ECO -
Joana Proença de Carvalho, Managing Partner da Ackermann, em entrevista ao podcast do ECO "Trinta e Oito vírgula Quatro" Hugo Amaral/ECO -
Joana Proença de Carvalho, Managing Partner da Ackermann, em entrevista ao podcast do ECO "Trinta e Oito vírgula Quatro" Hugo Amaral/ECO -
Joana Proença de Carvalho, Managing Partner da Ackermann, em entrevista ao podcast do ECO "Trinta e Oito vírgula Quatro" Hugo Amaral/ECO
“Um líder empático não é necessariamente um líder que não olha para resultados, e vice-versa. Houve uma fase em que pouco havia de preocupação com o que as pessoas sentiam. Isso hoje é impensável, mas não nos pode levar a falta de orientação para os resultados. Se não houver resultados, não há empresas e não há trabalho“, continua a responsável.
Por outro lado, Joana Proença de Carvalho garante que o cenário de discriminação etária no mercado de trabalho tem estado a mudar (“felizmente, para melhor”, adianta), sendo que há empresas que já chegam à Ackermann sem “nenhum tema com a idade”.
“Dizem, aliás, que precisam de cabelos brancos na organização“, sublinha a partner country manager.
Além disso, Joana Proença de Carvalho revela que hoje vê uma preocupação dos executivos com a formação contínua maior do que via há 20 anos. “A geração 50+ de executivos está a fazer um investimento forte em formação em Portugal e foram tipicamente em gestão, governance e Inteligência Artificial“, detalha.
Sobre a Inteligência Artificial, no que diz respeito especificamente à sua aplicação ao recrutamento executivo, a responsável explica que hoje estas ferramentas tecnológicas são usadas para fazer a triagem e comparação de currículos, mas a pesquisa, assegura, continua a ser feita por humanos.
Também as entrevistas continuam a ser feitas por humanos, no segmento executivo. “Há todo um conjunto de competências e experiências que não são passíveis de constar de um currículo. Só são passíveis de ser avaliadas em várias conversas“, salienta.
“Flexibilidade e autonomia são fundamentais para [mitigar] stress“

Também neste episódio do podcast “Trinta e oito vírgula quatro”, participa Liliana Dias, fundadora e managing partner da Bound Health, consultora na área da saúde organizacional, que deixa o recado de que, por mais benefícios e programas de bem-estar que uma empresa ofereça, “o que conta é o que a pessoa está a fazer todos os dias“. “E isso os gestores ainda não têm a verdadeira noção“, declara a especialista.
Liliana Dias alerta ainda que também as microempresas podem “ter uma cultura de trabalho altamente resiliente“.
“Não precisa de ter um programa ou acompanhamento psicológico universal, porque desenha bem os processos de trabalho, a sua cultura tem os valores críticos e consegue criar um ambiente onde as pessoas conseguem crescer, desenvolver-se e pedir o que eventualmente lhes está a faltar. Não tem que ser só pela escala”, salienta a fundadora da Bound Health.
A especialista acrescenta que a flexibilidade e a autonomia são dois fatores fundamentais para proteger as pessoas do impacto da stress no trabalho.
“A literatura é muito clara. Quanto maior a perceção de autonomia e de influência que a pessoa tem no seu contexto de trabalho, mais capacidade tem de gerir as exigências, mesmo que tenha muito trabalho e seja um trabalho muito complexo cognitiva e emocionalmente”, frisa.
Liliana Dias diz ainda que não basta ter a flexibilidade só com uma política. “É importante que seja algo cumprido. Isto implica uma lógica de olharmos para outputs de trabalho, e não para tempo disponibilizado“, assevera a mesma.
O “Trinta e oito vírgula quatro” é um podcast quinzenal com entrevistas a decisores, líderes e pensadores sobre os temas mais quentes do mercado de trabalho. Numa década, a duração média estimada da vida de trabalho dos portugueses cresceu dois anos para 38,4. É esse o valor que dá título a este podcast e torna obrigatória a pergunta: afinal, se empenhamos tanto do nosso tempo a trabalhar, como podemos fazê-lo melhor.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
“Um líder empático não é necessariamente um líder que não olha para resultados”
{{ noCommentsLabel }}