Ventura acusa Carneiro de explicações “infantilizadas” sobre as buscas no PS
O líder do Chega exige esclarecimentos ao secretário-geral do PS: "Era importante que o Partido Socialista não se escondesse e também não fosse protegido".
O presidente do Chega, André Ventura acusou esta quinta-feira o secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, de dar explicações “infantilizadas” sobre as buscas realizadas pela Polícia Judiciária à sede nacional do PS, a várias câmaras municipais e freguesias de Lisboa, Mafra, Oeiras e Coimbra, no âmbito da denominada “Operação Imergente”.
Ventura considerou que o PS está a tentar desvalorizar a dimensão política do caso e exigiu esclarecimentos adicionais sobre o envolvimento de dirigentes, autarcas e assessores ligados ao partido. “O único esclarecimento que deu foi que não tem nada a ver com o Partido Socialista e que isto é uma coisa que apenas se dirige a trabalhadores. Parece-me uma coisa infantilizada, que não reflete a realidade e é um desrespeito pelo país este tipo de esclarecimento”, afirmou.
“Era importante que o Partido Socialista não se escondesse e também não fosse protegido, para não termos um país que funciona sempre com meias responsabilidades para uns ou total responsabilidade para uns e só meia responsabilidade para outros”, atirou.
Em causa estão as buscas levadas a cabo durante esta quinta-feira pela Polícia Judiciária (PJ) em câmaras municipais, freguesias em Lisboa, Mafra, Oeiras e Coimbra e na sede do PS no âmbito da “Operação Imergente“. O inquérito tem por objeto principal “a investigação de factos relativos a adjudicações por autarquias, cujo valor global ascende a dois milhões de euros” e ainda a “emissão de faturas para recebimento indevido, por dois suspeitos, de quantias de partido político”, segundo o Ministério Público.
O líder do Chega sustentou que as buscas à sede nacional socialista demonstram que a investigação atinge diretamente o partido e não apenas elementos individuais. “É evidente que visam o PS, porque senão não eram na sede do PS e não eram uma série de dirigentes do PS com o centro vital na sede do PS”, declarou.
Ventura destacou ainda o facto de entre os visados estar Duarte Moral, um assessor próximo de José Luís Carneiro, que trabalhou anteriormente com António Costa. “Há aqui autarcas, há aqui um assessor do próprio José Luís Carneiro, que foi assessor de António Costa também, e que tem amplas responsabilidades na estratégia de comunicação do Partido Socialista”, disse.
O presidente do Chega afirmou que o caso revela a existência de uma alegada rede organizada de poder autárquico ligada aos socialistas. “É especialmente grave pela extensão de visados que tem dentro de uma rede de poder, neste caso autárquico, mas que tem ramificações também a nível nacional”, afirmou. Ventura considerou ainda que poderá estar em causa “uma teia de poder autárquico, permanente, estabilizado, organizado e criminoso”.
Apesar das críticas, André Ventura insistiu que a investigação não significa automaticamente culpa criminal dos envolvidos e defendeu o respeito pela presunção de inocência. “Isto não quer dizer, evidentemente, que nenhuma destas pessoas sejam culpadas, definitivamente”, afirmou, defendendo, contudo, uma investigação célere “pelos fundamentos de interesse público” do caso.
O líder do Chega considerou ainda que José Luís Carneiro tem o dever político de assumir responsabilidades enquanto líder do partido. “Nós não somos líderes dos partidos só para os momentos bons. Somos, nos momentos bons e nos momentos em que é preciso exigir responsabilidade e assumir responsabilidade”, declarou.
Ventura criticou também aquilo que considera ser um tratamento desigual dado ao PS face a outras forças políticas. “O que eu estava a apelar é que não haja uma bitola diferente quando é outro partido ou quando é o Partido Socialista. E parece que quando é o Partido Socialista há sempre uma espécie de manta protetora”, acusou.
O presidente do Chega alertou ainda para o impacto de casos desta natureza na perceção pública sobre corrupção em Portugal. “Quando isto acontece, é mais um grau ou dois que descemos no ranking da perceção da corrupção que há em Portugal e que já é bastante gravoso”, afirmou.
Ventura defendeu também que a justiça deve atuar rapidamente para evitar que o processo se arraste durante anos. “A justiça deve atuar de forma rápida, independente, evidentemente, mas com a possibilidade de chegarmos rapidamente a conclusões sobre isto e não ficarmos agora 10 anos ou 15 anos sem saber qual é o tipo de responsabilidade que aqui tem que ser efetivada”, declarou.
A Polícia Judiciária (PJ) realizou, esta quinta-feira, buscas, na sede do PS, em câmaras e freguesias socialistas de Lisboa, Mafra, Oeiras e Coimbra, no âmbito da “Operação Imergente”. A investigação está relacionada com suspeitas ligadas a adjudicações, utilização de dinheiro público e eventuais crimes de corrupção envolvendo estruturas autárquicas e dirigentes socialistas.
Em reação ao caso, José Luís Carneiro afirmou anteriormente que o PS irá cooperar com as autoridades judiciais e afastou qualquer envolvimento institucional do partido nas suspeitas investigadas.
(Notícia atualizada às 18h24)
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Ventura acusa Carneiro de explicações “infantilizadas” sobre as buscas no PS
{{ noCommentsLabel }}