Americanos da SRAM investem 57 milhões em nova fábrica em Coimbra
Segunda fábrica em Coimbra, para a produção de componentes para bicicletas, conta com um apoio de 16,9 milhões do Estado português.
A multinacional norte-americana SRAMPORT vai investir 57,5 milhões de euros na criação de uma nova fábrica em Coimbra, para a produção de componentes para bicicletas, com um apoio de 16,9 milhões do Estado, avançou ao ECO fonte oficial do Ministério da Economia. O investimento prevê a criação de 527 novos postos de trabalho.
“O contrato de investimento assinado esta sexta-feira, 29 de maio, entre a AICEP, em representação do Estado Português, e a empresa SRAMPORT refere-se ao projeto que visa a criação de uma nova unidade industrial, em Coimbra, para a produção de um conjunto alargado de componentes para bicicletas”, explicou a mesma fonte ao ECO.
“O apoio financeiro do Estado português ao projeto no âmbito deste Contrato de Investimento ascende a cerca de 16,9 milhões de euros, sendo atribuído pela AICEP ao abrigo do Regime Contratual de Investimento e financiado por fundos nacionais”, acrescentou a mesma fonte.
Este regime de incentivos visa apoiar os investimentos em setores estratégicos, ao abrigo do Quadro Temporário de Crise e Transição, com um orçamento estimado de mil milhões de euros, suportado pelo Orçamento do Estado, receitas próprias da AICEP e saldos de receitas próprias dos organismos da área governativa da economia, “exceto os provenientes de saldos de reembolsos de beneficiários de fundos europeus, bem como em fundos europeus, em função da sua elegibilidade e da natureza dos investimentos”.
A multinacional norte-americana pretende com esta fábrica “replicar o cluster de empresas, concentrando em Coimbra toda a produção de todos os componentes de bicicletas, exceto os quadros”, lê-se na ata da Câmara Municipal de Coimbra de 10 de abril. Nessa mesma minuta é sublinhado que a fábrica já está licenciada.
A opção dos americanos foi deslocalizar parte da produção que tinham em Taiwan para Coimbra. Aliás, na reunião de Câmara já referida, o vereador José Manuel Silva referiu que “Coimbra está a beneficiar da instabilidade existente, atualmente, no Oriente com as tensões entre a China e Taiwan”.
O vereador disse ainda que “é necessário aproveitar todas as oportunidades para atrair investimento para o concelho, beneficiando da diversificação do investimento da empresa ‘mãe'”.
“O grande pólo da empresa é em Singapura e que têm várias fábricas espalhadas pelo interior da China que produzem diferentes componentes, tendo inclusivamente toda uma rede de empresas subcontratadas, mas agora o objetivo é, em Coimbra, controlar toda a cadeia, produzindo todos os componentes, exceto os quadros”, lê-se na mesma ata.
Este investimento vai beneficiar da suspensão do PDM de Coimbra, porque a empresa colocou em risco o investimento dados os elevados custos que estavam a ser exigidos em termos de parque de estacionamento. A presidente de câmara Ana Abrunhosa, na mesma reunião revelou que “a empresa alterou o projeto porque tinham grandes problemas com o parque de estacionamento que lhes estava a exigir de investimento o mesmo que um piso industrial por causa das regras “castradoras” do PDM de Coimbra”.
“A Câmara Municipal, no primeiro licenciamento, obrigava” a SRAMPORT a “fazer toda uma avenida e uma rotunda”, por isso a decisão de Ana Abrunhosa foi “que este será um dos primeiros investidores que irá beneficiar da suspensão do PDM”.
Durante a manhã desta sexta-feira, decorreu um Encontro de Fornecedores – “SRAM Portugal Supplier Conference” – que tinha prevista a participação de 250 participantes (os principais fornecedores internacionais envolvidos na instalação da nova fábrica da SRAM em Coimbra) e que por isso contou com uma “redução excecional de 20% de isenção do pagamento de 5.141,20 euros (acrescido de IVA)”.
A SRAM está envolvida numa agenda mobilizadora – a AM2R-Agenda Mobilizadora para a Inovação Empresarial no Setor das Duas Rodas.
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