BPCE admite que GamaLife é uma “maneira possível” para vender seguros no Novobanco

CEO do BPCE veio a Lisboa para inaugurar um novo escritório do Natixis em Portugal. Nicolas Namias admitiu que comprar uma seguradora é uma "maneira possível" para vender seguros no Novobanco.

O BPCE quer trazer para Portugal o modelo de bancassurance que tem em França e o CEO do grupo francês, Nicolas Namias, admitiu que a aquisição da GamaLife é uma “maneira possível” para alcançar esse objetivo com o recém-adquirido Novobanco.

“Nunca faço comentários”, afirmou o francês na inauguração do novo escritório do Natixis em Lisboa sobre a notícia de que o BPCE estaria na fase final para comprar a seguradora GamaLife (ex-BES Vida), segundo o Jornal Económico.

“Mas o que posso dizer é que o que fazemos em França. Somos uma seguradora e produzimos produtos e soluções de seguro para os nossos clientes bancários, é o que se chama em França de bancassurance. Nós queremos fazer e replicar isso aqui em Portugal”, explicou.

Nicola Namias adiantou que o plano para o Novobanco é “ter produtos de seguro para vender junto dos clientes bancários”. “Há muitas maneiras de o fazer. Descobri esta manhã no jornal uma forma possível”, disse aos jornalistas.

Recorde-se que o Novobanco tem um acordo de exclusividade para a distribuição de seguros vida com a GamaLife até 2039.

Além do BPCE, também a Generali e o BFF estavam na corrida pela seguradora.

Natixis mira 4.000 trabalhadores em Portugal

O Natixis Portugal, que pertence ao grupo francês, já tem um centro de competências no Porto, desde 2017, onde trabalham cerca de 3.300 trabalhadores. É mesmo uma das entidades do setor financeiro com mais pessoal, mas pretende contratar mais.

Vamos atingir 4.000 em 24 a 30 meses”, referiu Etienne Huret, líder da operação em Portugal.

Para já há cerca de 200 vagas, acrescentou Huret, frisando que a abertura do escritório em Lisboa não representa qualquer ameaça para o centro que tem a Norte. Já Nicola Namias explicou que a presença na capital portuguesa irá dar “maior proximidade” a talento qualificado e a um ecossistema tecnológico dinâmico.

“Portugal precisa destes projetos”

A cerimónia de corta-fitas do novo escritório, localizado no Oriente Green Campus, no Parque das Nações, também contou com a presença do presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, e ainda do ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento. “Portugal precisa destes projetos”, salientou o ministro.

“Ainda temos uma economia com baixa produtividade, baixa competitividade e baixo PIB potencial. Este é o tipo de projetos que temos vindo a atrair nos últimos anos e vamos continuar a atrair. Não é só a escala e o impacto direto mas a forma como transformam a economia”, destacou.

Miranda Sarmento disse que desde o primeiro momento em que Nicolas Namias lhe deu conta do interesse do BPCE no Novobanco que “era bem-vindo” e que não se oporia a um negócio que agora considera ser “um exemplo para a Europa”.

“Sempre que vou ao Eurogrupo, todas as reuniões falamos em como os bancos precisam de crescer. Mas quando um banco tenta comprar outro banco noutro país, o governo diz não. Temos vários casos”, relatou.

(notícia atualizada às 18h42)

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