Dia Mundial da Energia. Da energia mais consumida à mais barata, conheça algumas curiosidades

Neste que é o Dia Mundial da Energia, saiba algumas curiosidades sobre a energia que é consumida em Portugal e na Europa.

O consumo de energia, em Portugal e na Europa, ainda tem os produtos petrolíferos como protagonistas, e o transporte rodoviário é o grande consumidor. Mas a eletricidade está a impor-se e, em Portugal, as energias limpas dominam esta frente. Já olhando para a fatura da energia, Portugal compara bem com a média da União Europeia em relação aos preços da eletricidade, exceto no gás que chega à casa dos consumidores. Conheça alguns dos números que marcam a energia em Portugal, neste que é o Dia Mundial da Energia.

Petróleo ainda é a fonte de energia mais consumida, em Portugal e na Europa

Um retrato detalhado que o Eurostat lançou este ano sobre a energia na União Europeia revela que, em 2024, os produtos petrolíferos, onde se inclui a gasolina e o gasóleo, representaram 37% do consumo final de energia, seguidos pela eletricidade (23%) e do gás natural (20%). Em quarto lugar, fica o uso direto de renováveis, ou seja, quando estas não são transformadas em eletricidade, e se usa lenha, energia solar térmica, energia geotérmica ou biogás para aquecimento de espaços ou produção de água quente. Este uso ocupa uma fatia de 12%.

Portugal está acima da média europeia no uso de produtos petrolíferos e de eletricidade, mas bastante abaixo no uso de gás natural. Já em comparação com os dois motores económicos da Europa, Alemanha e França, consome mais produtos petrolíferos, enquanto na eletricidade ultrapassa a Alemanha mas está ligeiramente abaixo de França, quase taco a taco. Já em relação ao gás, é o nono país que menos o usa, sendo portanto menos dependente deste gás fóssil que o geral da Europa, e que França e Alemanha em particular.

Transporte rodoviário é o maior consumidor de energia

Em 2024, de acordo com os mesmos dados do Eurostat, na UE, os diferentes setores da economia tiveram as seguintes quotas no consumo final de energia:

  • 31% do consumo de energia foi atribuído aos transportes (ferroviário, rodoviário, aviação doméstica e navegação interior), com o transporte rodoviário (maioritariamente automóveis e carrinhas) a representar quase a totalidade desta quota.
  • 27% foi utilizado pelos agregados familiares nas casas dos cidadãos, com o aquecimento ambiente a representar dois terços deste consumo.
  • 25% destinou-se à indústria, sendo os setores químico e petroquímico o maior subsetor, representando um quinto da energia neste grupo.
  • 13% foi consumido pelos serviços comerciais e públicos, sendo o comércio grossista e retalhista o maior subsetor, também responsável por um quinto da energia utilizada neste setor.
  • 3% coube à agricultura, silvicultura e pescas.

Em Portugal, o transporte rodoviário é o setor que mais energia consome (5,880 ktep — medida de energia que equivale a mil toneladas equivalentes de petróleo), seguido da indústria (4.856 ktep) e, finalmente, quase taco a taco, o setor residencial (2.943 ktep) e os serviços (2.493 ktep), de acordo com dados da Direção Geral da Energia, relativos a 2023.

Consumo em Portugal bate recordes

Em 2025, o consumo de energia elétrica em Portugal atingiu os 53,1 terawatts-hora, 3,2% acima do registado no ano anterior, ou 2,3% considerando a correção dos efeitos da temperatura e número de dias úteis. Este foi o consumo anual mais elevado de sempre no sistema elétrico nacional, ultrapassando em 1,7% o anterior máximo histórico, que datava de 2010, os 52.2 TWh.

O consumo de energia elétrica em Portugal atingiu os 53,1 terawatts-hora. Este foi o consumo anual mais elevado de sempre no sistema elétrico.

No mesmo ano, o consumo de gás natural também aumentou, embora não tenha atingido níveis recorde. Situou-se nos 45 TWh, um crescimento de 11% face ao ano anterior, mas ficando ainda 8% abaixo do consumo registado em 2023. A subida do ano passado decorreu de um maior uso de gás natural para produzir eletricidade, que disparou 93% para os 13,8 TWh, embora, novamente, tenha ficado abaixo dos níveis de 2023. Já no que diz respeito ao consumo de gás para os restantes usos, fora a produção de eletricidade, desceu ao nível mais baixo desde 2009.

Mais de 80% da eletricidade consumida em Portugal é renovável

Em 2025, 82,5% da eletricidade consumida em Portugal teve como origem fontes renováveis, de acordo com o portal de dados da REN – Redes Energéticas Nacionais. Deste total, 40,3% veio de fonte hídrica, 29,4% veio de fonte eólica, 7,9% de fonte solar e 5% de biomassa. A única fonte de energia não renovável por detrás da eletricidade consumida nas casas foi o gás natural, que ocupa uma fatia de 10,9%.

Preços da eletricidade e gás em Portugal abaixo da média europeia. Exceção é o gás para as casas

Os preços da eletricidade em Portugal estão abaixo da média europeia tanto para os consumidores domésticos como industriais, e o mesmo acontece com os preços do gás consumido pela indústria. Só o preço do gás que chega à casa dos consumidores portugueses é que compara mal com a média do bloco, sendo mesmo o sexto mais caro. Estes dados, relativos ao primeiro semestre de 2025, são partilhados pelo Eurostat, na edição de 2026 do boletim “A Energia na Europa”.

 

Ainda assim, olhando à comparação entre gás e eletricidade, os consumidores industriais pagam mais do dobro pela mesma quantidade de energia se optarem por usar eletricidade em detrimento do gás. A mesma tendência se verifica no caso dos consumidores domésticos: os 12,7 euros por 100 kWh, que ultrapassam a média europeia, são ainda assim quase metade dos 23,9 euros que os domésticos pagam pela mesma quantidade de energia. No entanto, uma ressalva: sendo que os consumidores industriais são taxados de acordo com as emissões poluentes de que são responsáveis, o uso de gás, no balanço final, pode não compensar — e muitas vezes não compensa mesmo.

Pobreza energética diminui, mas ainda é um problema

De acordo com os últimos dados do Observatório Nacional da Pobreza Energética, de 2024, 699 mil a 1,7 milhões de pessoas viviam em situação de pobreza energética. Isto traduz-se em 15,7% da população não conseguir manter a casa adequadamente aquecida, e 29,9% da população a vive em habitações não confortavelmente frescas durante o verão.

No caso das pessoas com dificuldade em manter a casa quente, o objetivo para 2030 é reduzir a fatia a 10%, e no caso das pessoas que têm dificuldade em arrefecer as casas, pretende-se que no final da década tenham diminuído para 20% da população.

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