Força Aérea prefere F-35 americanos aos caças europeus

Estudo interno mediu 20 critérios técnicos e colocou em primeiro lugar o norte-americano F35A Lightening II, da Lockheed Martin. Negócio para substituir os F-16 pode valer até 5.000 milhões de euros.

Os principais fabricantes mundiais de ­aviões de combate preparam-se para disputar um contrato com o Estado português para vender entre 14 a 28 caças — um negócio que deve valer entre 3 mil milhões e 5 mil milhões de euros — para substituir os F-16.

A decisão não está tomada e ainda nem sequer foi aberto um concurso público, mas a preferência da Força Aérea Portuguesa (FAP), de acordo com um estudo que realizou internamente mediante 20 critérios técnicos, é pelo norte-americano F35A Lightening II, da Lockheed Martin, o mesmo fabricante dos F-16.

Em segundo lugar terá ficado o Gripen E, produzido pelos suecos da Saab, numa análise em que também foram avalia­dos o Eurofighter Typhoon, da Airbus, e o Rafale francês, da Dassault Aviation. No entanto, este relatório, citada pelo Expresso (acesso pago), mantém-se sob reserva e ainda não chegou aos decisores políticos, segundo o gabinete do ministro da Defesa, Nuno Melo.

A preferência da Força Aérea por este caça para substituir os F-16 em fim de vida não de agora. Já em 2024, o então chefe de Estado-Maior da Força Aérea, Cartaxo Alves — hoje Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas — tinha em entrevista manifestado a preferência deste ramo da Armada pelos caças da Lockheed Martin.

E na passada quinta-feira, durante uma intervenção no AED Days, antecedendo um painel que reunia as empresas que já se posicionaram para concorrer a essa aquisição — a Lockheed Martin, a sueca Saab e o consórcio Eurofigther — o Tenente-Coronel, João Caldas, vice-chefe do Estado-Maior da Força Aérea, voltou a evidenciar a preferência da Força Aérea Portuguesa por este caça na construção do que chamou a estratégia “quinta geração” e “quinto domínio operacional” (o Espaço, onde as FAP está a trilhar caminho) das FAP. A referência aos caças era, de resto, visível em vários slides onde o nome dos caças e a sua silhueta estava presente na apresentação e a expressão quinta-geração e interligação NATO frisada.

Detalhe da apresentação feita pelo Tenente-Coronel, João Caldas, vice-chefe do Estado-Maior da Força Aérea, no AED Days onde é visível a referência aos F-35.

A relação das FAP com a Lockheed Martin tem sido longa. Atualmente, são os caças desta fabricante que são operados, desde a década de 90, por este ramo da Armada.

O que diz o ministro da Defesa e as FAP

O ECO/eRadar questionou as FAP sobre quais os parâmetros do estudo interno realizado, bem como se a apresentação do vice-chefe do Estado-Maior da Força Aérea, onde os F-35 são referidos, decorria dessa análise. Fonte oficial da FAP, não comenta o tema, remetendo-o para a Defesa. “O tema está no domínio político”, diz apenas.

“O processo ainda não começou e, portanto, tudo o que temos são especulações”, reagiu Nuno Melo, ministro da Defesa, quando questionado esta sexta-feira pelos jornalistas, à margem da cerimónia do Dia das Operações de Paz e Humanitárias, que decorreu no Forte do Bom Sucesso, em Lisboa.

“As capacidades em concreto podem ser europeias, como podem estar do outro lado do Atlântico. Há um conjunto de circunstâncias que têm de ser avaliadas e o Governo, num momento próprio, tomará essa decisão, porque essa decisão é da tutela, quanto a isso não haja nenhuma dúvida”, referiu o ministro da Defesa.

“Tudo tem que ser avaliado: tem que ser avaliado na dimensão militar, tem que ser avaliado no contexto geopolítico, mas isso é teoria geral, vale para tudo, não tem que ver com uma capacidade em concreto”, disse ainda.

 

(última atualização às 16h55)

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