Lactogal investe 100 milhões por ano para duplicar faturação até 2030
Dona da Mimosa quer duplicar o volume de negócios até 2030 com aposta em aquisições na Península Ibérica, novos produtos e modernização industrial.
A Lactogal está a reforçar a estratégia de crescimento com o objetivo de duplicar o volume de negócios até 2030, suportada por um investimento anual que ronda os 100 milhões de euros, avançou o presidente do grupo, José Marques.
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“Para duplicar o volume de negócios temos que fazer investimentos e, nos últimos anos, temos estado próximos dos 100 milhões de euros por ano. Foi esse o valor investido no ano passado e é essa também a expectativa para este ano, incluindo a aquisição de novas empresas que reforcem o negócio na Península Ibérica”, afirmou ao ECO o líder do grupo, à margem da conferência “Cimeira do Leite”, que decorreu na terça-feira no Pavilhão Rosa Mota, no Porto.
Para duplicar o volume de negócios temos que fazer investimentos e, nos últimos anos, temos estado próximos dos 100 milhões de euros por ano. Foi esse o valor investido no ano passado e é essa também a expectativa para este ano, incluindo a aquisição de novas empresas que reforcem o negócio na Península Ibérica.
O investimento anual do grupo surge como peça central da estratégia de expansão, que assenta tanto no crescimento orgânico como em aquisições, com especial enfoque no mercado ibérico. A Península Ibérica é, segundo José Marques, o principal eixo de desenvolvimento da empresa nesta fase, ainda que a Lactogal mantenha presença relevante em mercados externos.
O líder do grupo — que detém marcas como a Mimosa, Castelões, Agros, Gresso, Matinal, Vigor, Milhafre dos Açores e Pleno — sublinhou que a Lactogal exporta atualmente cerca de 500 milhões de euros para África e Ásia, mas reforçou que o foco estratégico está concentrado na região ibérica, onde a empresa pretende ganhar escala e consolidar posição.
Aquisições e reforço industrial no centro da estratégia
O plano de investimento não se limita à expansão por aquisições. Segundo José Marques, parte significativa dos cerca de 100 milhões de euros anuais é também canalizada para o reforço da capacidade produtiva e para o desenvolvimento de novos produtos. Em março, a empresa contabilizava os investimentos anuais em 50 milhões.
Numa altura em que o setor agroalimentar “atravessa uma transformação profunda impulsionada por novas questões ambientais, pela inovação tecnológica, pela mudança de hábitos de consumo, pela pressão sobre os recursos naturais e também por uma sociedade mais informada e exigente”, o grupo tem vindo a apostar no reforço de unidades industriais e na modernização de linhas de produção, numa lógica de valorização da cadeia de produção.
Entre os investimentos recentes, destaca-se ainda a aposta nos Açores, com projetos em curso na ilha Graciosa, que funcionam como projeto-piloto para futuras expansões noutras regiões do arquipélago.
“Estamos a fazer um investimento forte nos Açores, na Graciosa, e depois queremos ver se replicamos para a Ilha Terceira, na reconversão de produtos”, explicou José Marques.
Na Graciosa, o objetivo passa por transformar a produção de queijo atualmente existente em produtos de maior valor acrescentado, com certificação DOP. “Na Graciosa é transformar a produção de queijo que temos lá em queijo ilha, DOP, e portanto as certificações nas unidades produtivas já estão a ser feitas”, acrescentou.

O investimento na ilha Graciosa será de menor dimensão, dada a escala reduzida da produção local, mas assume caráter estratégico enquanto projeto-piloto. “É uma ilha pequena, a produção é baixa, é por isso que vamos fazer essa aposta lá para, de certa forma, servir de projeto piloto, para depois podermos replicar, em princípio, na Terceira”, referiu José Marques.
No final do ano passado, a Lactogal associou-se a um grupo lácteo galego para criar a CoRural, uma nova empresa que integra a estratégia de expansão internacional e consolidação no setor. Em 2024, o grupo comprou a totalidade das empresas do Grupo Queijos Santiago, com três unidades de produção em Portugal.
Segundo José Marques, o grupo mantém abertura para novas aquisições, embora sem decisões fechadas. “Temos em vista outras empresas, mas por enquanto ainda é só intenções”, referiu.
Num contexto de pressão no setor do leite, a estratégia tem passado também pelo reforço das áreas de maior valor acrescentado, nomeadamente queijos e iogurtes. Os iogurtes representam atualmente menos de 5% da faturação anual e os queijos cerca de 7%, mas o grupo pretende aumentar a sua relevância através de investimento intensivo.
“Estamos a fazer grandes investimentos, investimentos significativos, para obter uma fatia de mercado mais significativa”, afirmou.

A Lactogal fechou 2025 com uma faturação de 1,2 mil milhões de euros, mas registou uma quebra nos lucros para oito milhões de euros, num contexto de forte volatilidade e pressão operacional no setor lácteo.
“É manifestamente pouco para uma empresa que tem ambições de investir, mas foi um ano anormal”, afirmou José Marques, sublinhando que a empresa optou por “sacrificar-se” para proteger a produção nacional e evitar a perda de produtores.
Apesar da quebra nos resultados, a empresa mantém o plano de investimento e expansão, apostando em aquisições, modernização industrial e reforço da presença na Península Ibérica como pilares da sua estratégia de crescimento até 2030.
Fundado em 1996 a partir da união das cooperativas Agros, Proleite e Lacticoop, o grupo construiu ao longo de três décadas uma forte presença na produção láctea ibérica. Atualmente, opera 12 unidades industriais na Península Ibérica, emprega cerca de 2.500 trabalhadores e valoriza mais de 1.200 milhões de litros de leite por ano, provenientes de cerca de 2.000 produtores.
O líder da empresa conclui que o “futuro do setor dependerá, cada vez mais, da capacidade de inovar, transformar conhecimento em valor e utilizar tecnologia para produzir de forma mais eficiente, sustentável e competitiva”.
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