Melo rejeita especulações e diz que processo de substituição dos F-16 ainda não está aberto
O ministro da Defesa Nacional rejeitou especulações acerca da substituição dos caças F-16 realçando que o processo ainda não foi aberto. Nuno Melo disse que todas as decisões são complexas.
O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, rejeitou esta sexta-feira especulações acerca da substituição dos caças F-16, que estão em fim de ciclo de vida, realçando que o processo ainda não foi aberto.
Em declarações à Lusa, à margem da cerimónia do Dia das Operações de Paz e Humanitárias, que decorreu no Forte do Bom Sucesso, em Lisboa, Nuno Melo foi questionado acerca da substituição da esquadra nacional F-16, processo disputado entre os norte-americanos da Lockheed Martin (que produzem os F-35), os suecos da Saab (Gripen) e o consórcio europeu que inclui a Airbus (caças Eurofighters Typhoon).
“As capacidades em concreto podem ser europeias, como podem estar do outro lado do Atlântico. Há um conjunto de circunstâncias que têm de ser avaliadas e o Governo, num momento próprio, tomará essa decisão, porque essa decisão é da tutela, quanto a isso não haja nenhuma dúvida. Acontece que o processo ainda não começou e, portanto, tudo o que temos são especulações”, realçou.
Interrogado sobre se este investimento, que não integra os empréstimos europeus SAFE, estará incluído na Lei de Programação Militar (LPM), que será revista este ano, Nuno Melo deixou tudo em aberto.
“Vai estar na LPM ou fora da LPM dependendo desde logo também das conclusões de um grupo de trabalho que foi criado, e que tratará da revisão da LPM para este ano”, acrescentou.
Questionado sobre se está em causa uma decisão complexa ao tentar equilibrar o investimento em Defesa europeu com a relação transatlântica de Portugal com os EUA, o ministro da Defesa realçou que quando estão em causa investimentos avultados nesta área de soberania, todas as decisões são complexas uma vez que o país tem “recursos que são escassos”.
“Tudo tem que ser avaliado: tem que ser avaliado na dimensão militar, tem que ser avaliado no contexto geopolítico, mas isso é teoria geral, vale para tudo, não tem que ver com uma capacidade em concreto”, completou.
Momentos antes, na cerimónia que assinalou o Dia das Operações de Paz e Humanitárias, e na qual participou o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, general Cartaxo Alves, Nuno Melo realçou que “Portugal não desiste do multilateralismo, mesmo quando ele está posto em causa, nem desiste de defender instituições que são o seu alicerce”.
“E quando as circunstâncias são mais difíceis, Portugal empenha-se ainda mais. E a promoção da paz e da segurança são um compromisso firme e consistente do nosso país”, sublinhou o governante.
Nuno Melo destacou que “a promoção da paz e da segurança são um compromisso firme e consistente do país” e que “Portugal é, há muito, um contribuinte líquido e direto à sua escala para a segurança internacional”, através da participação em missões que vão “do Líbano à Namíbia, de Angola aos Balcãs, de Moçambique à intervenção decisiva em Timor-Leste, da Colômbia à República Centro-Africana, com capacetes azuis portugueses” e “também do Kosovo ao Afeganistão e Iraque”.
Deixando uma palavra de homenagem aos antigos combatentes, o ministro fez uma intervenção perante os militares dos três ramos em parada bastante sucinta, fazendo referência à manhã que já ia “longa ao sol” com vários militares a terem que ser retirados devido ao calor.
Antes, o presidente da Liga dos Combatentes, tenente-general Joaquim Chito Rodrigues, alertou que se vive um tempo de “profunda tentativa hegemónica dos mundos, o abandono de valores e regras internacionais, bem como a guerra, regressam com repercussões nefastas que nem reconhecem fronteiras”.
“Num mundo marcado por tensões diplomáticas crescentes e pelo risco de conflito verbal e real permanentes urge reafirmar a importância das missões de paz”, sublinhou.
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