PJ faz buscas na Carris e na empresa de manutenção do Elevador da Glória
Duas dezenas de inspetores da PJ fazem buscas na sede da transportadora e nas casas de responsáveis da Carris e da empresa que estava subcontratada para fazer a manutenção do elevador.
A Polícia Judiciária (PJ) está a realizar buscas nas casas dos responsáveis da Carris por causa do descarrilamento do Elevador da Glória. Segundo avança a CNN Portugal, há suspeitas dos crimes de homicídio por negligência e de violação de regras de segurança.
Os visados da operação são responsáveis da Carris, mas também da empresa MAIN, que estava subcontratada para fazer a manutenção do elevador. As buscas contam com 20 inspetores da PJ e um procurador do Ministério Público (MP), Joaquim Morgado, responsável pelo processo-crime que corre termos no DIAP de Lisboa.
O acidente, que ocorreu em setembro do ano passado, provocou a morte de 16 pessoas. Foram identificadas falhas graves com os cabos do sistema de travagem do elevador.
Entretanto, a Carris confirmou à Lusa estarem a decorrer buscas judiciais na sede da empresa, em Santo Amaro, concelho de Oeiras, e que está a “colaborar com as autoridades, como sempre faz”.
De acordo com a CNN Portugal, há buscas domiciliárias aos visados na investigação, que tem contado com a colaboração do gabinete de investigação a acidentes ferroviários – GPIAAF -, cujas conclusões preliminares levaram à demissão do diretor de manutenção da Carris, que tinha a tutela direta da infraestrutura.
Também foi identificado o gestor do contrato de manutenção entregue à MNTC – Serviços Técnicos de Engenharia e, do lado desta empresa, o principal rosto é o sócio gerente Gustavo Pita Soares.
Da tragédia à mudança na gestão da Carris
O elevador da Glória, muito procurado por turistas no centro de Lisboa, descarrilou no dia 3 de setembro de 2025, com uma das duas cabinas a embater violentamente contra um edifício, provocando 16 mortes e mais de 20 feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.
A Câmara de Lisboa, sob presidência de Carlos Moedas (PSD), suspendeu “de imediato” o funcionamento dos ascensores da Bica e do Lavra e do funicular da Graça para os equipamentos serem inspecionados.
A autarquia decidiu ainda nomear uma comissão técnica independente para avaliar as condições de todos os ascensores e funiculares da cidade, tendo entretanto já aberto o funicular da Graça, em abril.
Em março, passado seis meses do acidente, fonte oficial da Fidelidade disse que “foram registadas 40 vítimas no total”, concretamente 16 mortos e 24 feridos, e sublinhou que se mantém “um acompanhamento ativo e permanente” às vítimas e respetivas famílias, “assegurando a regularização do sinistro nos termos legais aplicáveis”.
O PS na Assembleia Municipal de Lisboa (AML) propôs a constituição de uma comissão eventual para acompanhamento e esclarecimento do acidente, mas foi chumbada.
A Carris, que tem como acionista única a Câmara de Lisboa, disse, igualmente em março, que tem estabelecido contactos com as vítimas e/ou respetivas famílias, além do trabalho que está a ser desenvolvido pela seguradora Fidelidade.
De acordo com a transportadora, “mantêm-se em curso o inquérito interno, as auditorias externas e uma estreita colaboração no âmbito do inquérito promovido pelo GPIAAF”.
Pedro de Brito Bogas, presidente da Carris à data do acidente, demitiu-se depois de este gabinete de investigação concluir que o cabo que unia as duas cabinas do elevador da Glória, e que cedeu, não respeitava especificações nem estava certificado para transporte de pessoas.
A investigação do GPIAAF ao acidente com o elevador da Glória detetou falhas e omissões na manutenção do ascensor, apontando também a falta de formação dos funcionários e de supervisão dos trabalhos efetuados pela empresa prestadora do serviço.
Segundo os investigadores, “embora as ações de manutenção contratualmente previstas e planeadas estivessem a ser registadas como cumpridas em sistema de registo próprio, ao qual a Carris tem acesso direto, foram recolhidas evidências de que tal registo não corresponde às tarefas que efetivamente foram executadas”.
Atualmente a Carris é presidida por Rui Lopo.
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